Perante a presente quotidianidade política do país e em dias que muito se fala da moção de confiança do governo, bem como das consequências que tal acarreta, penso julgar-se pertinente atentar à redação do documento aprovado em Conselho de Ministros.
Nomeadamente com o concerne com a epígrafe “Estabilidade efetiva, com sentido de responsabilidade” e com a frase inicial “O Governo conquistou a estabilidade política, promoveu a estabilidade social e consolidou a estabilidade económica e financeira que permitiram a Portugal iniciar um rumo virtuoso focado na resolução dos problemas das pessoas e na transformação do País.”
O Governo teve pouco tempo de ação e neste curto hiato certamente tem os seus méritos, contudo, aferir que se promoveu a estabilidade política é contrastante com o momento que se vive e com o que extravasa para a comunidade.
Tendo por consideração os quadros governativos dos últimos anos e o que se vem tornado público a respeito dos remanescentes partidos do hemiciclo, creio que seria oportuno trazer a votação uma moção de desconfiança à generalidade dos partidos que parlamentarmente nos representam, o que se fundamentava de forma bem mais substancial do que a suscitada por Luís Montenegro.
Ora vejamos,
Moção de desconfiança ao Partido Social Democrata
Não recuando muito no tempo e esquecendo as tecnoformas desta vida, sobre a qual o gabinete anti-fraude da Comissão Europeia contrariou as conclusões do Ministério Público português, alertando para as graves irregularidades cometidas pela sociedade em matéria de gestão de fundos europeus. Foquemos num passado recente em que o anterior Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território – agora deputado – que, segundo a imprensa generalista, cessou funções por eventual conflito de interesses enquanto participava no processo da lei dos solos e constituía sociedade conectadas com o sector imobiliário.
Não bastante, e esquecendo estas suposições a respeito das empresas de Montenegro, podemos também lembrar a operação Tutti Frutti, que contempla suspeitas a respeito de elementos de diversos partidos, entre os quais três deputados do PSD, que viram a imunidade levantada pela AR durante o pretérito ano.
Moção de desconfiança ao Partido Socialista
Sem olvidar o célebre caso do ex Primeiro-Ministro José Sócrates, e dos Ministros dos respetivos executivos, o Partido Socialista viu-se sobre a atenção da imprensa por diversas algumas nos últimos anos, seja no que concerne com a TAP e as suas indeminizações ou com os 75 mil euros encontrados no gabinete do antigo chefe de gabinete de António Costa.
Moção de desconfiança ao Chega
O partido de André Ventura transporta a máxima “faz o que eu digo, não faças o que eu faço.”
A manutenção do ideal de combate à corrupção e da limpeza a Portugal que o líder pregoa a qualquer oportunidade mostra-se paradoxal quando confrontado com os casos que vêm assolando o partido.
Aqui detemos a mais diversificada panóplia de ocorrências que se estendem desde os alegados roubos de malas de Miguel Arruda, passado pelo líder parlamentar que estará a ser investigado por incitamento ao ódio nas reações à morte de Odair Moniz e, segundo consta, também foi denunciado por agressão a um árbitro de 18 anos, até ao caso de Nuno Pardal Ribeiro, que chegou ao público como acusado de prostituição de menores agravada por ter tipo envolvimentos sexuais com um jovem de 15 anos.
Moção de desconfiança ao Bloco de Esquerda
Sem omitir Robles e as suas propriedades, o partido de Mariana Mortágua viu divulgados o caso dos alegados despedimentos que aconteceram no núcleo partidário, verificando-se a existência de comportamento antagónico ao politicamente difundido e proclamado.
Moção de desconfiança à Iniciativa Liberal
O imediatamente supra mencionado partido, surge diversas vezes com uma postura de superioridade moral no relacionado com a forma como se encara a política e a economia no âmbito nacional, contudo, tal comportamento exemplar não se refletiu no autarca eleito e antigo candidato presidencial, Tiago Mayan, investigado pelo Ministério Público por falsificação de assinaturas, prática que já assumiu.
Conforme podemos constatar, vivemos em pleno ambiente de desconfiança face aos nossos representantes políticos, podendo aos visados ainda acrescentar a postura pró-Putin do Partido Comunista, os submarinos do partido do Smart e o caso de duas gémeas luso-brasileiras – esta sim inocentes – que, alegadamente, gozam de especial tratamento dada a intervenção de alguém.
É irremediável o estado a que chegamos e o crescimento de um partido reivindicativo como o Chega torna-se cada vez mais justificável. Presenciamos uma crise permanente – provocada por grande maioria da classe política – que transmite uma clara ausência de esperança no comum cidadão que se impávida perante um Portugal sem habitação, com um disfuncional sistema de saúde, com apatia na valorização dos funcionários públicas e sem futuro para os jovens.
Enfim, uma autêntica república condicionada por bananas.