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“Igualdade de género” é uma expressão amplamente usada nos dias que correm. Em química usar-se-ia talvez a expressão “equilíbrio de género” para indicar a coexistência harmoniosa, e não necessariamente igual, de géneros.

Dependendo da região do globo ou do contexto familiar em que nascem, as mulheres podem conhecer estilos de vida distintos, desde o sonho ao pesadelo. O Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 5 (ODS 5), dedicado à Igualdade de Género, chama a atenção para as muitas meninas e mulheres que vivem sob ameaças à saúde e bem-estar, e ainda as muitas mais que não têm acesso à educação, ao trabalho, ou simplesmente a ir atrás dos seus sonhos!

Como em muitas profissões, trabalhar em investigação científica é ir atrás de um sonho! É responder a uma espécie de desassossego, de querer saber mais, compreender melhor e, a par, contribuir para promover o conhecimento e o desenvolvimento. Por razões que a Sociologia e a Psicologia saberão explicar, a nível mundial, a comunidade de cientistas conta com menos de um terço de mulheres, sendo a Ásia Central, a América Latina e Caraíbas e os Estados Árabes, os que apresentam percentagens mais elevadas (acima de 40%). Já na Europa, países como a Dinamarca, a Suíça, a Bélgica, a Finlândia, a Suécia, a Áustria, a França, a Alemanha, e a Holanda ou estão entre os que têm menor representação de mulheres cientistas (36-26%).

Ao longo dos tempos, o acesso à ciência não foi igual para homens e mulheres, basta dizer que dos mais de 600 prémios Nobel atribuídos em 120 anos, apenas 58 couberam a mulheres e destes, apenas 25 foram nas áreas da Física (4), da Química (7), da Fisiologia ou Medicina (12) ou da Economia (2). É este desequilíbrio que é necessário combater. O acesso à educação e à lucidez que a investigação científica inspira tem o enorme poder de moldar atitudes, abrir horizontes e rejeitar preconceitos e medos infundados. É a única via para o desenvolvimento das sociedades, para sustentar a economia, o ambiente e o equilíbrio social. E precisa mesmo do contributo equilibrado, justo e balanceado de homens e mulheres!

Em cada sociedade e em cada cultura será preciso encontrar o ponto de equilíbrio de género, desde que se garanta que as mulheres têm acesso a educação de qualidade, que podem em cada momento fazer as suas escolhas e que, acima de tudo, são felizes!

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