O exercício de simplificação tribal do deputado André Ventura em querer reduzir a 2ª volta das eleições presidenciais a uma contenda entre socialismo e não socialismo tem tanto de ridículo como de perigoso.

António José Seguro já disse que vem desse espaço, mas nem a sua candidatura é partidária, como a de um André Ventura preocupado em fixar eleitorado para as legislativas, nem o caminho feito alguma vez se confinou a esse espaço político, do lançamento suprapartidário do movimento à campanha desenvolvida até à vitória de 18 de janeiro. Sempre foi e será um espaço de democratas, humanistas e progressistas protagonizado por um homem decente, moderado, preparado, capaz de fazer pontes e determinado em dar um contributo ao seu país, de acordo com a Constituição, a defesa do Estado Social e a construção de soluções para as pessoas.

Seguro tem uma vida política afirmativa, responsável, de valores do lado certo da história, de proximidade às pessoas e ao país, com o interesse nacional sempre presente nas suas opções e intervenções políticas. Nunca precisou de não olhar a meios para atingir determinados fins, saiu da política e foi à sua vida de pequeno empresário e professor, regressando agora para unir, porque o País precisa de gente decente na política e de alguém em Belém com sentido de Estado.

É ridículo o exercício de Ventura porque o que está em causa, mesmo, é um confronto entre a decência na política e a indecência do populismo inconsequente, de quem protesta sem nada ter resolvido de estrutural aos portugueses em 6 anos de centralidade na política portuguesa. É um choque entre quem quer um Portugal de esperança, justo e de excelência e quem alimenta ódios, divisões e narrativas populistas de circunstância, sem nexo com os valores do nosso chão comum democrático. Entre quem quer uma sociedade onde se consiga falar e ouvir, sem agredir o outro, e quem está na base na acefalia do tribalismo mais básico que prolifera nas redes sociais, no espaço público e nas interações de intolerância entre as pessoas, até mesmo dentro das famílias. André Ventura é responsável pelo Portugal deslaçado, cada vez mais presente, com um ódio criminoso direcionado para os adversários pelas turbas que seguem o líder populista em Portugal e a partir do exterior. É dele que nasce o impulso antidemocrático para ameaçar políticos e as suas famílias, com centenas de mentiras no ativo, associações indecorosas e expressões criminosas de insultos gratuitos. É dele que se alimenta o extremismo de movimentos que têm sido investigados por quererem atentar contra a dignidade humana, os valores constitucionais e a nossa matriz democrática.

Isto é mesmo consigo, com a maioria dos portugueses, os jovens, as mulheres, as famílias, os idosos, os que estão bem na vida, os remediados, os marginalizados e os desiludidos com a política e o sistema democrático pelas disfunções, pela insuficiência da ética republicana e pela falta de respostas para os problemas, as necessidades e as aspirações das pessoas e dos territórios, em Portugal e na Diáspora.

É por isso natural o vasto conjunto de cidadãos de todos os quadrantes políticos e da sociedade portuguesa que têm estado a apoiar António José Seguro publicamente nos últimos dias, que engrossam e qualificam a abrangência suprapartidária que já existia. Não se conformam com o Portugal que temos, mas não querem nenhum regresso ao passado ou o país azedo de Ventura.

Isto é mesmo sobre a decência de os democratas não permitirem o enlamear, o ódio, a divisão e manipulação como novos padrões da nossa sociedade democrática. De se dar combate político, sem tréguas, dentro das regras democráticas, para que o extremismo, a desinformação, o ódio, os sentimentos humanos mais básicos e o protesto inconsequente não tenham nenhuma prevalência acrescida a 8 de fevereiro.

É Portugal que está em causa. Precisa do melhor de cada um de nós. É por um Presidente moderado, decente, humanista e de todos.