O debate entre António José Seguro e Henrique Gouveia e Melo evidenciou as fragilidades políticas evidentes do candidato enfunado pela circunstância da disfunção do sistema político nas necessidades logísticas da vacinação durante a pandemia, com mérito e profundo compromisso do governo, das autoridades, dos autarcas e dos profissionais de saúde que já estavam no terreno. A alegada solidez da proposta presidencial de Gouveia e Melo, de independência, de posicionamento acima dos partidos e de compromisso com a Constituição, contrasta com o nervosismo dos apoiantes a invetivar os adversários em artigos que raiam o insultuoso, a mentira, a intriga e a politiquice, tudo que o candidato diz não querer. Por ser um movimento organizado, presente em diversos meios de comunicação social, inscreve-se no ADN da candidatura presidencial, a menos que seja um mero ato desespero das castas dos poderes e dos interesses particulares que há muito capturaram o Estado e o funcionamento da sociedade, impedindo respostas concretas para os problemas das pessoas, das comunidades e dos territórios, em linha com o interesse nacional. Rui Barroso de Moura, de uma das mais gulosas sociedades de advogados do país, instalada num prédio de edificação polémica em Lisboa pela inusitada volumetria, num exercício de desesperada contenção de danos pela prestação televisiva do seu candidato presidencial, resolveu vir à praça atacar António José Seguro, com argumentos que nunca usaria na arbitragem, porque dariam processo em tribunal por serem falsos, injuriosos indignos da narrativa de Gouveia e Melo.

Não disse nada sobre os encontros em bar de hotel com Nuno Melo do CDS, nos almoços secretos com o líder da extrema-direita ou pela presença central de um ex-líder do PSD na alegada candidatura independente.

Não disse nada sobre a fragilidade de quem não compreende que o orçamento de Estado é uma lei composta por normas e não um conjunto de leis, num espasmo de recurso a argumentos partidários da extrema-esquerda, ou de quem, por dúvidas sobre a configuração constitucional da função presidencial, já vai em 4 livros publicados para densificar o pensamento político, que continua muito entre a folha em branco e o ponto de interrogação, quando sai do porto de abrigo da defesa nacional.

Nada disse mesmo sobre, os direitos, liberdades e garantias, ausentes do exercício de humilhação pública e mediática dos militares do Mondego, provavelmente em rota de convergência para a presente candidatura, que sem margem para arbitragem, acabaram em tribunal.

Mas, no desespero, de cabeça perdida pelo desfecho do debate, disse coisas graves, além de repetir a cartilha dos ataques de natureza politiqueira.

É inaceitável que alguém com responsabilidades de Rui Barroso de Moura venha questionar a formação académica e as atividades profissionais de António José Seguro. Sim, tem mestrado Ciência Política, pelo ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, com uma tese de dissertação sobre a “A reforma do parlamento português, 2007-2014 – Análise organizacional da função de controlo político”, com nota de18 valores. Sim, Seguro esteve na política, mas não depende nem dependeu dela, foi à sua vida académica e de pequeno empresário comprometido com a sua terra, Penamacor, no Interior, longe dos corredores de Lisboa.

Sim, tem experiência política nacional, europeia e internacional, tendo sido até agora o único eurodeputado português que foi co-autor de um relatório sobre um Tratado da União Europeia (Tratado de Nice).

Sim, tem um profundo conhecimento do funcionamento do sistema político e da sociedade portuguesa, não a partir de uma trincheira, mas como democrata, humanista e progressista, inconformado com as respostas que o sistema democrático tem dado aos cidadãos e aos territórios, com uma Constituição que não é obstáculo para que o faça.

Sim, tem um perfil ético irrepreensível, mas com uma visão reformista que concretizou na reforma do parlamento, que aumentou o escrutínio do governo, com os debates quinzenais; um comportamento diferenciado quando enunciou a possibilidades de conflito de interesses em plenário antes de uma votação sobre questões relacionadas com as farmácias ou quando votou sozinho em 230 deputados contra alterações do financiamento dos partidos que aligeiravam as regras.

Percebe-se o desespero das castas e dos interesses instalados com António José Seguro. Nunca controlaram, não controlam e nunca vão controlar, porque só a Constituição, o interesse geral e as pessoas importam. Não a babuje à volta do Estado, dos seus recursos e das oportunidades para termos mais do mesmo, ainda que travestido de mudança, independência e espírito de missão. Na política como na vida não vale tudo.