Desde os tempos da geringonça que a política nacional vive tempos novos, de algum modo surpreendentes e nem sempre pelas boas razões.

Agora que o PSD escolheu o caminho de Rui Rio, subscritor da eutanásia, defensor do aborto e de causas como a da legalização da prostituição, teremos um PSD quase gémeo do PS, por isso não nos é difícil antever um entendimento entre estes dois partidos.

Nesta conjuntura o CDS só poderá afirmar-se e ganhar espaço se deixar o pragmatismo envergonhado que o separa da afirmação plena da razão para o qual foi criado. É aqui que a sua doutrina democrata cristã radica como a base essencial para a afirmação convicta das suas razões, das suas causas, valores e princípios.

Para isso o Partido tem de conhecer a sua génese e a sua história, pois de outro modo nunca poderá interpretar o sentido da sua existência e não se diferenciará nunca dum PSD ou dum PS, espaços políticos onde tudo cabe e onde é possível defender uma coisa e o seu contrário.

No CDS não! O CDS tem uma carta fundacional, foi o único Partido a votar contra a constituição socialista/marxista de 1976 e resistiu com estoicismo e herocidade ao cerco do Palácio de Cristal no Porto, pelas esquerdas violentas.

De lá para cá, o CDS teve altos e baixos, teve figuras de proa como Adelino Amaro da Costa ou Krus Abecasis, teve líderes como Freitas do Amaral, Lucas Pires, Adriano Moreira, Manuel Monteiro e José Ribeiro e Castro, que interrompeu o consulado de Paulo Portas e tem como actual líder Assunção Cristas.

Também, desde a fundação que muitos militantes e simpatizantes sairam e entraram no Partido, com episódios escusados como o da entrega do retrato do ex-presidente Freitas do Amaral na sede do PS ao Rato quando este se afastou do CDS e tomou posse como ministro de um governo PS.

Ora, na verdade o CDS sendo um Partido com uma enorme capacidade de resistência nunca conseguiu afirmar-se como um Partido gerador de coesão “à prova de bala”, onde após os combates internos naturais em democracia e da vida partidária, depois das dissidências, divergências de opinião e caminhos, não se tenha conseguido reunir e juntar todos.

Este reunir, juntar e agregar é fundamental para criar corpo, força e movimento para os combates políticos essenciais que o CDS terá de travar para poder alguma vez ser uma verdadeira solução de governo. Sem este rassemblement da Direita, que congregue todos, provavelmente nunca lá chegaremos.

E é aqui que o conhecimento de toda a história e dos protagonistas do CDS ao longo destes mais de 40 anos são essenciais. É preciso divulgar, conhecer e estudar estes acontecimentos e personalidades. Estes conteúdos existiam no site do CDS, a biografia dos ex-Presidentes, os 26 Congressos com as respectivas moções, o acervo fotográfico e muito mais estavam ao alcance de um clique.

Inexplicavelmente, tudo isso desapareceu há quase dois anos, sendo que há dias voltou o botão “história” ao site do CDS, fruto da insistência e do alerta que a TEM/CDS fez internamente, na imprensa e nas redes sociais. Saudamos essa reposição, mas não chega, há que repor tudo e até acrescentar com o contributo de muito do espólio de instituições como o IDL.

Como também têm de ser repostas as fotografias dos ex-líderes do CDS para o local onde sempre estiveram, o átrio da sede nacional, de onde foram retiradas há bastantes meses. E aqui temos de ser muito rigorosos e não podem existir falhas, como a mais recente onde no site do CDS alusivo ao XXVII Congresso estão, e muito bem, um conjunto de fotografias dos congressos do CDS e dos seus líderes e Ribeiro e Castro não aparecia, mas sim aqueles que contra ele discutiram a liderança e perderam. Alertados e graças a esta notícia do Observador, já aparece numa fotografia.

Ora, é nesta linha pelo respeito pela história do CDS, das suas políticas, dos seus líderes, como forma de nos sabermos afirmar correctamente para fazer face aos novos tempos da política que ai vêm, que além de apresentarmos uma Moção de Estratégia Global, vamos propor no próximo Congresso do CDS de Março que Amaro da Costa seja feito Presidente de Honra e Adriano Moreira Presidente Emérito. Proporemos também a colocação dos 27 nomes dos Fundadores do CDS na parede do átrio principal do Caldas.

Mas para além de tudo isto, Assunção Cristas pode, se quiser, ficar na história como a intérprete da reconciliação do CDS, do rassemblement, do toca a reunir para criar corpo e poder fazer face ao centrão que se adivinha, não tendo a vergonha de assumir o CDS como um partido de Direita, humanista, personalista e de inspiração cristã.

Para isto, conta connosco, só assim a política ao serviço do bem faz sentido!

Fundador da TEM/CDS – Tendência Esperança em Movimento.