Para além do circo político e mediático destes dias, eu, homem português de classe média/baixa quase não tenho acesso à saúde e à justiça.
Sou obrigado a que os meus filhos frequentem escolas públicas caóticas, condenando-os a serem o que eu sou.
Condenando-os a viverem só para a labuta diária da sobrevivência, e a não conseguirem ir mais além.
E para que eu salve o planeta, para salvar a humanidade, para que exista justiça, igualdade, dignidade, sempre por um bem maior que nunca vislumbro sequer.
Destroem a história do meu País, culpam-me por coisas feitas há 3 séculos, quando eu não existia.
Dividem-nos em grupos e colocam-nos uns contra os outros, e eu descubro que me colocaram no grupo dos maus: homem, heterossexual, branco, português, pobre.
Cada vez que ligo o meu carro com 15 anos, porque não tenho dinheiro para comprar outro, sinto-me culpado por estar a destruir o planeta.
Colocam ideias na cabeça dos meus filhos, e eles querem ser elas, e elas eles, fazem operações, tomam hormonas e entram em depressão.
Deixam toda uma juventude sem futuro, deprimida, perdida que dá dó.
Arranjam quotas que me impedem de aceder a um futuro melhor, só porque sou homem, branco e pobre.
Não me deixam subir socialmente, não me deixam sentar à mesa das elites, só posso comer as migalhas que atiram para o chão.
Os maiores problemas não são o racismo e afins, o maior problema é que os pobres como eu não conseguem deixar de ser pobres.
E porque tenho uma vida miserável, e porque não quero que controlem toda a minha vida, incluindo o meu corpo e o meu pensamento.
E porque estou sufocado pela falta de esperança começo a pensar diferente do resto da manada.
E, por isso, dizem que sou extremista, que sou um ataque à democracia, e só por isso posso ser cancelado, perseguido, excluído da sociedade, denegrido e insultado sem limites.
Toda a festa da democracia é paga por mim e só para isso sirvo.
Vivo num inferno e vou deixar um inferno ainda maior aos meus filhos.
Mas, quem destrói verdadeiramente a democracia, a liberdade e o nosso modo de vida é a mentira, o amiguismo, o clientelismo e a corrupção.
A política e os políticos ou servem para melhorar a vida das pessoas ou não servem para nada.
As elites geralmente com a ajuda de uma comunicação social parcial, tudo decidem, não admitem contraditório e atacam a democracia e a liberdade dizendo que as estão a defender.
A esquerda aburguesou-se e fez-se sistema. Afastou-se das classes trabalhadoras e aliou-se ao grande capital do coletivismo, do utilitarismo com o multiculturalismo e o wokismo como extra.
A direita, essa, acobardou-se e adaptou-se.
As excrescências nascidas recentemente mais aos extremos, num dia entusiasmam-me e no dia seguinte desiludem-me. Talvez porque o sistema esteja permanentemente a passar a imagem, às vezes verdadeira, outras não, que essas forças quase só comportam janados, burgessos e incapazes.
Hoje a democracia deambula entre castas e interesses, e o cravo vermelho símbolo da liberdade de abril carrega promessas não cumpridas e vidas arrastadas, tristes, no limite da sobrevivência.
O pesadelo da primeira República está de volta.
O Padre António Vieira disse que Portugal tinha sido instituído e fundado por Deus, e talvez por isso, em momentos onde tudo parece perdido, onde tudo parece imundo e sem futuro, emergem homens como o Nuno Álvares Pereira, homens que fazem nascer em nós a coragem e a esperança de construirmos um país decente e próspero, do qual nos poderemos novamente voltar a orgulhar.
Dom Nuno Álvares Pereira, foi um dos mais amados heróis portugueses e deveria ser um exemplo para todos nós.
Mesmo quando quase toda a nobreza passa para Castela, antes da Batalha de Aljubarrota, numa situação por todos considerada perdida, D. Nuno mantém-se fiel a Portugal e ao povo “podia lá eu trair esta terra que me viu nascer”.
Dois seus meios-irmãos perdem a vida na batalha, do lado inimigo, Pedro e Diogo.
Um incrível e motivador líder tem no exemplo a sua grande arma, estava sempre na linha da frente, arriscando a cada batalha tudo, a começar pela sua vida.
Os responsáveis por tudo hoje, somos nós, a geração que agora vive.
É o nosso tempo, temos que intervir mais, temos que deixar algo positivo para as próximas gerações e não um país sem futuro, um país de “losers”.