Tempo de Orçamento, tempo de greves. Na CP, para não nos esquecermos que existe. Mas sobretudo greve dos professores. Quatro dias, com manifestação no fim.

Ninguém fica surpreendido. Nem creio que abalado. Com aquilo que vai sendo possível perceber do estado de espírito dos professores, estes dão sinais de estar mesmo zangados e poucas vezes se terá visto uma frente sindical tão coesa e sem abrir brechas. Os tais “9 anos, 4 meses e 2 dias” que se tornaram no mantra de Mário Nogueira e dos seus pares parecem ter amplo suporte na classe. Tão amplo que se fazem contas na geringonça aos eventuais custos eleitorais da recusa do Governo em contar todo o tempo de serviço para efeito de progressão nas carreiras.

Mas ao mesmo tempo que vemos esta aparente unidade, não encontramos na opinião pública sinais de compreensão por mais esta luta e por mais esta greve dos professores. Bem pelo contrário: mais de dois terços dos portugueses estarão contra as exigências sindicais, menos de um em cada cinco as apoiarão. E creio que, desta vez, não será só por saturação face à híper-exposição mediática de Mário Nogueira. É mesmo porque acham que aquilo que os professores estão a pedir é um exagero.

Estas progressões na carreira, em muitos casos virtualmente automáticas e sem qualquer processo de avaliação, quando no resto do país essa é uma realidade desconhecida pela generalidade dos trabalhadores, configuram uma reivindicação insusceptível de gerar simpatia.

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