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Ainda me lembro de ter visto o filme “Pai para mim, mãe para ti”, tinha eu menos de 10 anos, e estranhar que um pai podia tomar conta da filha sozinho. Na minha vida familiar, com uma mãe médica e um pai engenheiro, ambos com carreiras exigentes e ambiciosas, o papel de ir ao supermercado, de ir comprar o material escolar, de fazer o jantar, entre tantas outras tarefas, era naturalmente da minha mãe. Eu nunca o questionei, mas hoje olho para trás e vejo de facto um desequilíbrio que exigia muito mais tempo e esforço da minha mãe.

Mas a minha casa não era a única. O estudo publicado na semana passada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos sobre as mulheres em Portugal comprova que a maternidade é especialmente exigente para as mulheres. Após terem filhos, as mulheres portuguesas precisam de dedicar duas horas adicionais por dia às tarefas familiares, enquanto que os homens aumentam menos de uma hora. O que significa que, em média, as mulheres absorvem 78% das novas tarefas familiares associadas a uma nova criança. Face a estas estatísticas, não posso deixar de pensar: o que faz os pais terem um papel menos presente na vida dos seus filhos? Será a nossa cultura? As expectativas da sociedade? O mundo do trabalho? Será por não o quererem?

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