Covid. É a palavra que mais ouvimos nos últimos meses. Todas as nossas ações, planos e objetivos foram indefinidamente adiados em virtude de uma pandemia que virou o mundo do avesso. Até agora, no nosso país, foram registadas mais de 3400 mortes, 92 mil desempregados e a melhor hipótese para muitos é o layoff. Milhares de pessoas recorreram à Segurança Social entre março e setembro para requerer o Rendimento Social de Inserção e a pobreza aumentou substancialmente. Este vírus afastou colegas de trabalho, amigos, filhos e pais, avós e netos; fez com que nos adaptássemos a uma nova realidade, que pensássemos mais nos outros, que ouvíssemos mais e, sobretudo, que respeitássemos mais os profissionais de saúde.

Ouvimos diariamente as notícias, o Primeiro-Ministro, a Ministra da Saúde e a Diretora-Geral da DGS, que nos vão informando sobre como agir, tendo em conta o aumento ou diminuição de casos que vão surgindo. Toda a gente está a dar o seu melhor, mas parece não ser suficiente. Portugal é um país de insatisfeitos, onde se diz frequentemente mal de tudo. Nunca nada está bem, “tiraram-nos os fins-de-semana, mas temos de ir trabalhar na mesma, que Governo é este?”. É o Governo que percebe que temos de ajustar as medidas à gravidade da situação. O Gverno que faz o melhor que pode com o que existe. É o Governo que tem consciência que se não pararmos agora, daqui a umas semanas vamos ter de escolher quem vai morrer ou viver, e é também o Governo que está a tentar salvar o Natal, para que não seja uma Páscoa 2.0, quando milhares de famílias ficaram separadas e milhares de pessoas sozinhas. Mas nunca nada é suficiente.

Toda a gente quer trabalhar, toda a gente quer ir passear, toda a gente está saturada dos desinfetantes, máscaras e distanciamento social. E os profissionais de saúde? Que arriscam diariamente as suas vidas para salvar quem precisa? Que passam semanas sem ver a família porque estão a cuidar dos infetados e têm que fazer quarentena? Que veem pessoas que fazem ajuntamentos em macas de hospital a lutar contra a morte? Temos de respeitar quem trabalha para cuidar de nós e aceitar que estamos perante um sacrifício adicional para o bem da saúde de todos.