A quebra da taxa de natalidade e o aumento da longevidade continuam a criar enormes desafios ao sistema de pensões português. Menos nascimentos traduzem-se numa redução da população ativa e da sua capacidade de gerar receitas para pagar as pensões das pessoas aposentadas. Temos uma das mais baixas taxas de natalidade e somos a população europeia que mais rapidamente envelhece: entre 1990 e 2020, passámos de 66 idosos por 100 jovens para 182 idosos por 100 jovens. E este desequilíbrio vai continuar a agravar-se.

Tendo em contas estas tendências demográficas, em 2007, o Governo de José Sócrates, pela mão do ministro Vieira da Silva, alterou a Lei de Bases da Segurança Social, tendo resultado num aumento da idade da reforma, com a indexação à esperança de vida à nascença, e numa forte redução nas pensões futuras. De acordo com o Ageing Report 2021 da Comissão Europeia, a partir de 2030, o valor das pensões de reforma vai sofrer uma forte quebra. Em 2040, o valor das reformas diminuirá, em média, para cerca de metade do valor do último salário. Os maiores cortes vão incidir nas classes de rendimento mais elevadas. As classes de rendimentos mais baixas terão cortes menores. Mas continuarão a auferir pensões de reforma muito baixas até ao final da vida.

O aumento da longevidade, a quebra dos rendimentos na reforma e as pressões que a demografia coloca à sustentabilidade da Segurança Social tornam a poupança para a reforma cada vez mais importante para proteger o nível de vida da população após a saída da vida ativa.

A poupança para a reforma e a compra de habitação são as decisões financeiras mais importantes da maioria das famílias. Ambas são decisões de longo prazo. Comprar casa implica na maior parte dos casos assumir um crédito por um período muito longo, um compromisso de várias décadas. Poupar para a reforma é também uma decisão que nos obriga a projetar o futuro.

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