Caro leitor, já pensou num mundo em que as pessoas não perguntam às outras se já pensaram num mundo?
E já pensou que quem gere os grandes eventos em Portugal está, claramente, a fazer um mau trabalho? Como é possível que entre a decisão da Primeira Liga e da Taça de Portugal, se tenha pensado em colocar uma noite eleitoral? Tanto na Liga como no Parlamento, houve um bicampeão.
Estranhamente têm passado despercebidas as palavras que consta terem sido afirmadas por Luís Montenegro no pós-eleições de 2024: “Disseram que depois da Troïka não voltávamos a governar, que só ganhámos depois de 8 anos de António Costa e que jamais passaremos os 30% com esta nova divisão partidária do Parlamento… vamos ver!”. Na verdade, foi Pedro Nuno Santos que na noite eleitoral encarnou João Pereira ao ser incapaz de continuar o trabalho do seu antecessor, que emigrou para outro país europeu. Ambos se revelaram líderes ainda verdes, mas ao contrário de João Pereira, que regressou a treinador da equipa B leonina, Pedro Nuno Santos não voltará à presidência da Juventude Socialista. Ademais, João Pereira terminou a época na Liga Turca, onde conseguiu garantir a manutenção da sua equipa, ao passo que Pedro Nuno Santos não conseguiu garantir a manutenção da influência dos jovens turcos na direcção do partido.
Ao que se conseguiu apurar, a carta de demissão de Pedro Nuno Santos seguiu por WhatsApp, tendo Carlos César apenas respondido com o emoji do polegar para cima. Tal como no filme que dá título ao artigo, os militantes estão agarrados aos cartões de sócio e às cartas de amor dos líderes gloriosos de outros tempos. Mas querem seguir em frente, clamando agora por um Don Juan que consiga conquistar os eleitores. E para isso decidiu-se que a pessoa indicada será a mesma que há um ano e meio não era a pessoa indicada. Claro que, se houver mais alguém a querer disputar as eleições, terá de passar primeiro por Ascenso Simões. Ao que tudo indica, seguiram as dicas do Juntos Pelo Povo, e decidiram criar o movimento interno Juntos Pelo Partido, para evitar que o PS se torne numa ilha. A sensação que passa é a de que as solenidades do partido continuam a achar que esta não é uma solução definitiva, muito menos a melhor. Não sei se o PAN já está a par, mas o PS prepara-se para sacrificar um Carneiro à frente de toda a gente. Como pode isto acontecer a um Carneiro sem que um astrólogo avise num horóscopo o que viu nas cartas?
Ansiamos pelo que nos reserva José Luís Carneiro. Congratular-nos-emos se surgir a vontade de, finalmente, se mexer na lei eleitoral para, à semelhança do voto antecipado, inserir-se a figura do voto de correcção. Desta forma, quem se arrependesse poderia inscrever-se para corrigir o seu voto após a análise dos resultados. Seria a forma mais justa de recolher os votos, por exemplo, de quem quer votar num partido, mas tem medo de lhes dar maioria absoluta. Ou de quem optou pelo voto útil sem que o seu partido chegasse sequer perto de vencer as eleições. Pelo menos estas. Nas próximas legislativas, que seguindo o padrão devem ser em breve, veremos com que astros se alinharão os partidos.