Portugal prepara-se para viver umas eleições presidenciais que poderão entrar para a História como as mais concorridas de sempre. Nada menos do que 21 pré-candidatos estão, neste momento, na linha de partida para Belém. Se este número for validado, será batido o recorde de 10 candidatos registados em 2016.
À primeira vista, pode parecer um sinal de saúde democrática: muitos cidadãos dispostos a apresentar projectos, novas ideias e visões para o país. Mas, olhando com mais atenção, o que se vê é um sintoma de desgaste da própria República e do cargo presidencial.
A banalização da Presidência
O Presidente da República deveria ser a figura que, acima das lutas partidárias, encarna a unidade nacional e garante a estabilidade das instituições. Mas quando cada eleição se transforma num mercado de vaidades, onde dezenas se apresentam mais por ambição pessoal do que por verdadeiro serviço à pátria, não estaremos a assistir a uma banalização do cargo?
Este fenómeno fragiliza o prestígio da função presidencial e expõe uma democracia saturada, em que a pluralidade se confunde com fragmentação e o debate público com ruído mediático.
Dois Presidentes em crise de popularidade
Não é coincidência que, após décadas de República, tenhamos agora dois Presidentes sucessivos que terminaram os mandatos sob fortes críticas e popularidade negativa. Aqueles que deveriam representar a unidade e a confiança são hoje vistos por muitos como parte do problema: mais próximos dos jogos políticos do que da função de árbitros imparciais.
A leitura monárquica deste cenário
Para um monárquico, o espectáculo das presidenciais de 2026 é quase uma confirmação do diagnóstico: a República portuguesa vive num apodrecimento progressivo, onde cada vez mais se confunde democracia com competição desordenada.
Nas Monarquias Parlamentares modernas da Europa, o Chefe de Estado é um símbolo de continuidade, neutralidade e estabilidade, acima dos partidos e dos ciclos eleitorais. Não governa, mas representa. Não disputa eleições, mas garante que as eleições se realizam de forma justa e transparente.
E esta é a grande diferença:
Na República portuguesa, o cargo presidencial é alvo de luta constante e desgaste inevitável.
Na Monarquia, o papel de Chefe de Estado está protegido da volatilidade partidária e da lógica do “sede pelo poder”.
Uma pergunta necessária
Quando olhamos para 21 pré-candidatos que se preparam para uma corrida eleitoral quase de “segunda divisão” até à inevitável segunda volta, não devemos questionar se isto é mesmo vitalidade democrática… ou se é apenas uma orgia eleitoral de egos?
Talvez seja tempo de, em Portugal, reabrir o debate sobre se a Monarquia Parlamentar, modelo adoptado com sucesso por países tão democráticos e desenvolvidos como a Suécia, a Noruega, a Espanha ou os Países Baixos, não ofereceria uma alternativa mais estável, duradoura e ajustada à nossa História.