Antes de tudo parar, já o digital representava a principal fonte de entretenimento para a maioria das gerações mais novas e para muita gente das gerações mais velhas.

Streaming, gaming e redes sociais são indústrias gigantes e que cresciam já exponencialmente de ano para ano.

Quando tudo parou, este comboio ganhou uma velocidade descontrolada, com as pessoas a precisarem de encher o vazio causado pela ausência de vida social.

Pessoas que antes só viam televisão, fartaram-se e precisaram de encontrar novas fontes de conteúdos (Youtube, Netflix, etc). Quem jogava ocasionalmente um Candy Crush, sem nunca passar do nível 5, passou a ser um mestre em meia dúzia de jogos diferentes. Mas sobretudo os jovens, que já tinham conta nessa nova “rede social das danças”, mas nunca tinham publicado nada, num único mês tornaram-se grandes influenciadores, com mais seguidores no TikTok do que a maioria dos seus antigos “ídolos” no Instagram.

É verdade: se nunca ouviu falar do TikTok, é porque o seu filho está a fazer um excelente trabalho para que não lhe estrague a presença em mais uma rede social. Vai também ter agora oportunidade para perceber, finalmente, onde é que ele anda a publicar aquelas coisas estranhas que esteve a filmar em casa durante toda a quarentena.

Essas coisas estranhas são, na verdade, o drive desta nova rede social, que conta já com mais de dois mil milhões de downloads, tendo tido, no início do ano, o maior número de downloads alguma vez registado por uma app num único trimestre (315 milhões, segundo a “Business Insider”).

Se está a ler e a pensar: “Mas isso é lá fora”, engana-se. Em Portugal, o TikTok conta já com 1,8 milhões de utilizadores, segundo os últimos dados da Azerion – 80% tem menos de 25 anos e 65% são mulheres. Em média, abrem a app sete vezes por dia, gastando 50 minutos a navegar e, ou, a publicar na rede social.

Com tantas mudanças e alterações nos últimos meses, as marcas ainda não tiveram tempo de se adaptar a esta nova realidade e dedicar-lhe o tempo e a atenção que ela merece – mais do que uma nova rede social, o TikTok representa uma nova dinâmica de interação e consumo de conteúdos. Mas vão mesmo ter de o fazer e o quanto antes.

Tal como no Facebook (e, mais recentemente, no Instagram), as marcas que entraram cedo, ganharam uma vantagem competitiva muito grande, demonstrada pelo algoritmo de relevância. Quem já entrou, teve mais tempo para construir audiências e para afinar as estratégias e as presenças personalizadas adaptadas às novas realidades.

O TikTok não é apenas mais uma rede. É a rede do momento, que avançou quando tudo o resto parou.