Rádio Observador

Igualdade de Género

Quantas mulheres sabem que podem ser felizes com a sua ambição?

Autor
  • Mariana França Gouveia
1.962

É nas alturas sempre mais duras em que o topo se aproxima, onde só quem é rijo aguenta, que as mulheres mais fraquejam. Porquê? Porque pessoas como Joana Bento Rodrigues lhes dizem: isto não é para ti

Sou militante do CDS e membro da respetiva Comissão Política Nacional e, como mulher, senti-me ofendida pelo texto que Joana Bento Rodrigues publicou no Observador. E afirmo que várias posições políticas do CDS, assumidas por mulheres e por homens, divergem do argumento de fundo do artigo em causa: que apenas e tão só por ser mulher há coisas que devo e coisas que não devo fazer ou ambicionar.

Pessoalmente não só discordo frontalmente do que lá é escrito, como estou convencida que é esse tipo de pensamento que limita e muito a felicidade de muitas mulheres, mais e menos jovens. Mulheres que se realizam por serem profissionais reconhecidas, que valorizam o seu currículo e as posições de topo que assumem nas várias organizações. E que, em simultâneo, têm uma família, têm filhos e, nas palavras de Joana Bento Rodrigues, realizam o seu potencial feminino, matrimonial e maternal.

Considero-me uma dessas pessoas: não só ocupo posições de relevo nas diferentes organizações onde trabalho, sou diretora da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa e sócia da PLMJ Advogados; como sou mãe de 4 filhos e vivo feliz numa “relação estável” há quase 20 anos.

É, pois, com enorme tristeza e revolta que leio, em 2019, textos como estes que diminuem as mulheres, o seu papel na sociedade, o seu potencial profissional, a sua importância nas organizações e, pior que tudo, que fomentam a infelicidade das próprias mulheres.

Porque são textos como estes, são pensamentos absurdos como estes que condicionam as mulheres, que põem escolhos na sua ambição, como se algo de vergonhoso fosse, que as impedem de dizer “eu também quero lá chegar”.

Não questiono a escolha pessoal de Joana Bento Rodrigues de viver com os critérios que entende ajustados. Mas não aceito que estenda o seu compasso moral a todas nós.

À pergunta que a autora faz “Quantas mulheres estarão dispostas a abdicar da maternidade e de um casamento feliz, em nome de uma carreira de sucesso?” eu respondo “Quantas mulheres sabem que podem ser felizes com a sua ambição?”

Porque o difícil não está em ser inteligente e competente, em ser capaz de ser a melhor; o difícil está em querer ser a melhor, em dizê-lo claramente, em assumi-lo frontalmente perante quem quer que seja. O difícil está nos últimos degraus da hierarquia, onde a competitividade não tem limites. Onde só quem tem a resiliência, a capacidade, a vontade e a ambição vence.

É nesses momentos, cada vez mais árduos quando o topo se aproxima, onde não há complacência, onde só quem é rijo aguenta, que as mulheres mais fraquejam. E porquê?

Porque pessoas como Joana Bento Rodrigues lhes dizem, sub-repticiamente, silenciosamente, mas permanentemente: isto não é para ti, o teu lugar não é aqui, tu não és assim pelo simples facto de seres mulher.

E com isto, perde a sociedade, perdem as organizações e perdem as mulheres que se deixam ficar para trás porque, lá no fundo, esse é o seu lugar.

Militante do CDS e Membro da Comissão Política Nacional
Diretora da Faculdade de Direito da Universidade NOVA de Lisboa
Sócia da PLMJ Advogados

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Igualdade de Género

Género: igualdade ou ideologia?

Diogo Costa Gonçalves
1.568

Se estamos perante uma (nova) visão antropológica, porquê qualificá-la como ideologia? Porque tal ideia pré-concebida vive em constante tensão com a realidade empírica, começando pela própria biologia

Família

Filhos do Estado, não!

Joana Bento Rodrigues
2.958

Instala-se o receio dos pais educarem os filhos segundo os preceitos e os costumes familiares da sociedade ocidental. Não será esta uma forma de marxismo implementado pelo medo que muitos relativizam?

Igualdade de Género

Generalidades identitárias

João Pires da Cruz
439

Nos EUA, ao se impor o direito à autodeterminação de género, as provas femininas de atletismo estão a ser dominadas por ‘meninas’ que são marmanjos carregados de músculos que fizeram um totó no cabelo

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)