Quando foi criado o jornal, foi conquistada a capacidade de partilhar notícias e informação de uma forma tão imediata e rápida que permitiu ao Mundo acelerar enormemente o seu desenvolvimento.
Fosse por sabermos mais depressa aquilo que passava do outro lado do Mundo, fosse por termos acesso às novas descobertas e estudos, a sociedade cresceu a uma velocidade nunca vista.
Com o acesso às redes sociais, tornou-se possível transmitir uma notícia de uma forma muito mais forte e rápida do que alguma vez tinha sido e isso deu-nos a esperança de sermos capazes de voltar a acelerar o nosso desenvolvimento.
Mas, talvez porque a rede social foi lançada num período de democracia já muito acomodada, onde a minha liberdade já não acaba onde começa a liberdade do outro, e num tempo em que a libertinagem tomou conta do espaço da liberdade, foi permitido às redes sociais instalarem-se sem qualquer lei de responsabilização sobre aquilo que estas produzem e sobre os efeitos que provocam.
Ora, o aparecimento das redes sociais, que foram em muitos casos benéficas para a comunicação e partilha de informação do comum dos mortais que antes não tinham acesso aos jornais, veio ao mesmo tempo criar uma enorme dificuldade aos jornais e jornalistas e, por outro lado, permitir a proliferação da mentira e da manipulação das populações.
Preocupados com esta realidade, tanto os jornais como a própria sociedade tentaram encontrar uma forma de restringir os efeitos negativos desta novidade da internet, e criaram um produto que, estando gerido e trabalhado pelos jornalistas, tentava controlar a verdade das notícias veiculadas nas redes sociais, a que chamam orgulhosamente um polígrafo.
A ideia até parecia ser interessante e mesmo positiva como um primeiro controlo sobre a influência dessas novas formas de comunicação.
Mas a realidade veio a dar um resultado muito diferente daquele que era pretendido na bondade dessa mesma ideia e, aquilo que deveria servir para moralizar este novo sistema de intervenção pública acabou por cair numa outra forma de manipulação que acaba por desvirtuar o seu objectivo, de validar as verdades e de evidenciar as mentiras, e passou a ser uma forma de promover as ideias a e as vontades dos que controlam o polígrafo.
Durante estes últimos tempos, uns como meio de tentar encontrar formas de fazer jornalismo que se tornassem mais interventoras, outros com a ideia de que tinham o controlo do poder e que pretendiam mandar na opinião partilhada pelos órgãos de comunicação, o jornalismo deixou de existir como veiculador de notícias para passar a ser uma forma de dar a opinião do jornalista, contrapondo mesmo a opinião de quem seja entrevistado, e isso tornou o jornalista num condicionador de opinião.
Nesta perspectiva, o polígrafo que se destinava a distinguir a verdade da mentira, tornou-se no veículo usado pelo jornalista para tornar verdade a sua opinião.
Durante vários anos, nas várias avaliações do polígrafo sobre André Ventura, nunca se viu uma que afirmasse que ele teria dito uma verdade, e quase todas, se não mesmo todas, referiam que o que tinha dito era mentira.
Tudo isso mudou desde que o Chega conseguiu um peso eleitoral que já não permitia seguir com essa estratégia.
Esta semana, saiu uma notícia avaliada pelo polígrafo que questionava se algum partido teria votado contra a criação do SNS e concluía que o CDS o teria feito.
Pois isto é verdadeiramente uma enorme mentira, que o polígrafo tenta passar como verdade.
O CDS votou de facto contra a proposta de criação de um SNS apresentada pelo partido socialista no parlamento porque apresentou uma proposta própria de criação de um serviço nacional saúde e, por isso nunca poderia votar na proposta socialista.
É muito importante que a nossa sociedade consiga distinguir a verdade da mentira e que possamos evitar a manipulação da informação, mas não será manipulando a verdade que lá conseguiremos chegar.
É fundamental voltar a compreender que ser isento não é ter vontade de mandar na verdade, mas sim de aceitar as opiniões dos outros e de dizer a verdade ainda que não seja aquela que nós gostaríamos que fosse.