Depois das Autárquicas de 2017, propus um Congresso Programático no PSD para debate e afirmação de um verdadeiro projeto político alternativo para Portugal. Antes de discutir pessoas, o PSD precisava de encontrar um novo posicionamento percetível e mobilizador da sociedade. Infelizmente, passados 22 meses, o programa do PSD permanece um enigma, em que o importante é não haver “fugas de informação”… Os militantes aguardam a “surpresa”, que talvez – quem sabe – surja em agosto, entre banhos.

Em agosto de 2018, alertei para a estratégica errática da atual direção nacional apresentando novas soluções. Para além de muitas congratulações em surdina, recebi (quase) sempre o conselho para me resguardar, por razões de “timing”. Estávamos a mais de um ano das eleições.

Ter  “razão antes do tempo” não é um atributo, principalmente na política. Mas ter capacidade de antecipar riscos e oportunidades é um predicado essencial e diferenciador. Vem isto a propósito da atual instabilidade e desmobilização que se sente nas hostes laranjas.

Independentemente da espuma dos dias, este é o momento para fazer um apelo à mobilização do PSD para as próximas eleições.

Depois de 6 de outubro, o País poderá estar mergulhado numa longa noite de retrocesso. É nosso dever cívico fazer tudo para poupar as próximas gerações a (mais) quatro anos perdidos. E, acreditem, muito se vai decidir nestes quatro anos.

Depois de 6 de outubro, o regime político poderá sofrer um abalo, colocando o PS numa posição de charneira em que, à esquerda e direita, pululariam partidos com ambição de satelizar o “partido dominante”. Tal colocaria em causa um equilíbrio benigno assente em alternativas claras. E abriria espaço a novos fenómenos perigosos para a democracia.

Bem sei que muitos vêm agora falar de uma certa inaptidão do presidente do PSD para liderar, outros se surpreendem com o vazio de ideias estruturadas e outros se revoltam com a forma caciqueira como se despreza o interesse do Partido e, pior, do País, em prol de caprichosas e imorais vinganças pessoais. Percebo a revolta daqueles que realmente gostam do PSD. Mas não caiamos na armadilha… Não nos deixemos arrastar para esta discussão interna menor. Pensemos no futuro do País e evitemos um descalabro de difícil reversibilidade!

Estamos a escassas semanas de uma campanha eleitoral decisiva para o futuro do País. Uma eventual vitória inequívoca da esquerda que nos tem governado pode trazer novos perigos para o País.

É tempo de respirar fundo e cerrar fileiras na defesa de um Portugal livre, democrático e com vontade de agarrar o futuro. Portugal é mais importante do que os problemas internos do PSD, que precisamos agora de relativizar. O PSD é fundamental para o futuro de Portugal. No que me diz respeito, irei estar onde for preciso para ajudar a que o meu partido tenha o melhor resultado possível, porque acredito profundamente que esse é o melhor resultado para Portugal também.

Ex-dirigente do PSD; Quadro da Microsoft; Presidente do Conselho Estratégico da Economia Digital da CIP