A Basílica de Santa Sofia, em Istambul, que era museu desde 1934, voltará agora a ser uma mesquita. O culto islâmico, interrompido durante quase um século, será retomado no próximo dia 24 de Julho, depois de o Conselho de Estado, a pedido de uma associação muçulmana, ter revogado, no passado dia 10, o decreto que lhe tinha retirado o carácter religioso. Por decisão do actual presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, o grandioso templo cristão foi reclassificado como mesquita.

A construção da imponente basílica cristã, que se deve ao imperador Justiniano, ocorreu na primeira metade do século VI, entre os anos 532 e 537, sendo portanto anterior a Maomé. Foi, durante muitos séculos, não apenas a catedral de Constantinopla, mas a mais importante igreja de todo o império romano do Oriente.

Quando, no ano 1054, o Cardeal Humberto, legado papal, excomungou, em Santa Sofia, o patriarca bizantino Miguel Cerulário I e este, embora não tivesse jurisdição para o fazer, excomungou o bispo de Roma, consumou-se o grande cisma do Oriente, ou seja, a divisão da Igreja em duas grandes comunidades cristãs: a ocidental, ou latina, católica; e a oriental, ou bizantina, ortodoxa, que ainda perdura. Durante quase um milénio, a catedral dedicada a Jesus Cristo, sob a designação de Santa Sabedoria, ou, em grego, Santa Sofia, foi uma catedral cristã que, de 1204 a 1261, chegou a ser católica romana, durante o breve patriarcado latino de Constantinopla, que se seguiu à conquista, pela quarta Cruzada, da capital do império romano do Oriente. Com a queda de Constantinopla, em 1453, Santa Sofia passou a ser uma mesquita.

As Cruzadas são um dos temas da História do Cristianismo mais recorrentemente usados para atacar a Igreja, a par da Inquisição, ou do caso Galileu. Como sempre acontece, não é da comunidade científica que, por regra, surgem essas críticas, mas daqueles que, a partir de um conhecimento incipiente, ou preconceituoso, partem para generalizações que pouco ou nada têm a ver com a verdade histórica.

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