O papel de um professor não se limita ao ato mecânico de transmitir conhecimento: é, antes de tudo, um ato de elevação. Explicamo-nos melhor: no sentido mais profundo, ensinar é uma forma de erguer o espírito humano acima das sombras da ignorância e do automatismo, trazendo-o para a luz da consciência e do discernimento, pelo que o verdadeiro educador não se satisfaz em apenas instruir sobre factos fórmulas. Além disso, aspira a transformar, a ampliar a visão dos que se colocam sob a sua orientação, ajudando-os a aceder à nobreza que reside em cada ser humano. Neste sentido, um professor atua como um guia da alma, apontando o caminho para além do conhecimento instrumental e prático, para uma compreensão que enobrece e liberta; um professor compreende que o ensino não é apenas sobre o que é útil, mas sobre o que é elevado, sobre aquilo que permite ao indivíduo realizar-se enquanto ser pensante e sensível. Porque instruir é criar condições para que o outro transcenda a sua própria limitação, para que o espírito se abra às verdades que resistem ao tempo ao espaço, aquelas verdades que compõem o âmago da condição humana.
Este ideal de elevação exige, contudo, que o professor seja mais do que um técnico do saber: ele deve ser um filósofo no coração e na mente, um observador da natureza humana, alguém que não teme instigar o questionamento, a reflexão e o desconforto que advém do pensar. O verdadeiro professor conhece a sua responsabilidade perante os que ensina e não se contenta em reproduzir conhecimento, vendo em cada aula uma oportunidade de inspirar e de instigar uma inquietação que ultrapassa o mundano e aspira ao eterno, pelo que, a cada ideia partilhada, o professor desafia o aluno a elevar-se e a transcender a visão estreita e utilitária que tantas vezes governa o mundo. Assim, ensinar é um ato de amor e de fé no potencial humano, no qual o professor autêntico reconhece que a sua tarefa é plantar em cada mente a semente do questionamento, do desejo de aprender mais, do impulso para o bem e a verdade. Um professor deve, então, encarar cada aluno não apenas como um indivíduo a ser treinado para o mundo material, mas um ser encaminhado para as alturas da moralidade e da justiça, pelo que se deve tentar despertar uma grandeza que muitas vezes permanece latente, acorrentada por uma educação que se limita ao tecnicismo e ao cálculo.
Portanto, um sino que não eleva, que não desafia a mente e o espírito, é um ensino incompleto e vazio, porque não basta preparar o aluno o mundo: é necessário preparar o aluno para ele próprio, para as demandas da sua consciência, para os desafios da sua humanidade. E é precisamente esta elevação que representa a verdadeira missão de um professor: ajudar cada ser a encontrar o seu valor intrínseco e a compreender o seu lugar no universo. Definitivamente, o professor, ao procurar elevar os seus alunos, torna-se ele próprio um modelo de grandeza que inspira não pelo que sabe, mas pelo que representa. E, ao elevar o outro, ele eleva-se a si mesmo, percebendo que o seu legado não se encerra nas palavras que pronuncia, mas no impulso que deixa em cada espírito que teve a sorte de estar sob a sua orientação.