Luís Marques Mendes, figura do nosso quotidiano mediático e histórico do PSD, é, juntamente com mais dez adversários, candidato à Presidência da República Portuguesa. A respetiva candidatura, associa-se a um percurso político longo e profundamente ligado a ciclos anteriores da vida partidária nacional, sendo frequentemente encarada como uma proposta de continuidade mais do que de renovação.
Entre os onze candidatos, será sempre a última opção de escolha. E, quando apenas restar ele, abstenho-me. Parece ser notório que, por um conjunto de razões que se prendem com o seu perfil político, a adjacente carreira e a estreita conexão que tem ao aparelho partidário, se consubstancia no candidato em quem não devemos votar.
Ao contrário dos remanescentes candidatos, este apresenta um percurso marcado pela política de bastidores, assente na informação privilegiada que tantas vezes pareceu insinuar em pleno horário nobre da televisão portuguesa e num modelo de preservação de equilíbrios que lhe permitiu ser Ministro dos Assuntos Parlamentares de Durão Barroso, mesmo quando havia sido adversário do referido nas internas do PSD.
Igualmente representa uma carreira exclusivamente política, por intermédio da qual, para além das funções supra descritas, integrou três governos de Aníbal Cavaco Silva, como Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares do X Governo; Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, no XI Governo; Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro do XII Governo; tendo ainda sido Secretário e Adjunto do Governador Civil de Braga e Líder do Partido Social Democrata.
Neste seguimento, não porta experiência fora do setor público, que embora não seja por si só um fator de desqualificação, mostra-se significativa relevante para que se entenda a capacidade de compreender os constrangimentos concretos da economia real: o risco empresarial, a competitividade, a criação de emprego, a falência e a pressão fiscal.
De forma interligada ao antecedente parâmetro surge o distanciamento dos problemas concretos dos portugueses. Quem nunca lido diretamente com as aflições supra tende a subestimar o peso do Estado na vida económica e a dificuldade de transformar crescimento em bem-estar efetivo.
A postura analítica como Marques Mendes trata a Habitação, Salários e Serviços Públicos, mostra-se mais próxima da observação mediática do que da concreta vivência dos problemas quotidianos dos portugueses.
A repetição de um modelo já conhecido também não abona a favor do candidato apoiado pelo PSD. Embora exista quem por desabafo o faça, dizer que Marcelo Rebelo de Sousa foi o nosso pior Presidente da República pode ser injusto e não corresponder à verdade. Contudo, será certamente aquele que no fim das respetivas funções apresenta maior défice de popularidade.
A eleição do Prof. Marcelo foi consensual e a confirmação daquilo que já muito esperavam, a premiação de toda a sua capacidade intelectual e política. Que se mostrou reforçada pela consequente reeleição.
Todavia, não somente por responsabilidade do próprio, mas também pelo que foram os últimos anos da política nacional, deixa o cargo muito longe da popularidade que outrora o elegeu.
Marques Mendes teve a inteligência para copiar o modelo vencedor (e já testado) do Professor, esquecendo-se somente de calcular a variável que é determinada pela atual popularidade do ainda Presidente.
Não sendo esta a mais consagrada, uma imagem de candidato de continuidade à hodierna Presidência nada de bom traz às aspirações de Luís Marques Mendes.
Não bastante, cumpre ainda relembrar o episódio que envolve a atividade do candidato como consultor da Abreu Advogados, onde em dois anos auferiu mais de setecentos mil euros, sem que se perceba o que fez, com que instrumento e em prol de quem. Não olvidando a participação social na JMF – Projects & Business, empresa alvo de buscas na ‘Operação Labirinto’ e que foi dissolvida após a vaga de detenções.
Posto isto, até pode Marques Mendes ser a pessoa mais honesta do país, no entanto não é o que a sua postura e o seu silêncio, particularmente com referência aos casos supra, transmitem ao povo de quem se distancia.
Em suma, não se encontra um único fundamento para, diante do quadro de candidatos atuais, votar para que Marques Mendes se instale no Palácio de Belém. Os portugueses não são ingénuos ao ponto de colocar uma pedra pintada de amarelo dentro de uma gaiola e esperar que ela cante.