O resultado da primeira volta das presidenciais diz-nos que a vitória da democracia não está garantida.
O que está em causa na segunda volta desta eleição é a defesa de um regime democrático. Pode algum democrata que votou nos candidatos que tiveram uma votação expressiva na primeira volta, mas que não passaram à segunda volta, deixar de votar pela defesa do regime democrático?
Não creio, pois não se trata de uma disputa entre a esquerda e a direita. António José Seguro não representa a esquerda e André Ventura não representa a direita.
Trata-se de não abrir brechas num regime democrático que, mesmo com as suas imperfeições de construção, nos garante liberdade de expressão.
O voto para o Presidente da República deve ter em conta a personalidade que melhor se apresente, a cada um de nós, como tendo as características que deve possuir o detentor do mais alto cargo da nação.
Em meu entendimento deve ter um carácter forte que junte a humildade e abertura de espírito, enquanto capacidade de escuta, a uma grande determinação e coragem. Trata-se efetivamente da eleição de uma personalidade que presidirá ao país, que nos representará, interna e externamente, que terá em conta os nossos anseios e as nossas debilidades coletivas, que exercerá a sua magistratura de influência junto do governo, mas que não governará. Uma personalidade que seja exigente, junto do governo, relativamente à melhoria das condições de vida para os cidadãos portugueses e o garante do respeito constitucional.
Assim sendo afigura-se mais importante o carácter do futuro Presidente da República que a sua ideologia, pois não iremos votar para a Assembleia da República, de onde emanam os governos. Aí sim, tem importância como concebemos a forma como socialmente nos organizamos para o desenvolvimento do país e do bem-estar de cada cidadão.
Aliás, mesmo no campo partidário, vai ganhando força a ideia de que é o carácter dos líderes, e de quem compõe as suas equipas, que pode fazer a diferença, muito mais que a ideologia.
Vivemos tempos, muito potenciados pelos jovens eleitores, que colocam a ideologia em segundo plano face ao carácter e ao pragmatismo das propostas que os líderes partidários apresentarem, em prol da criação de oportunidades de melhoria de vida dos cidadãos. As novas gerações não são movidas pelas ideologias.
E os menos jovens sentem que cada vez chegam aos lugares de tomada de decisão pessoas com maiores percursos políticos, e menores percursos profissionais fora do mundo político.
Pelas razões referidas estou convicto que os portugueses, num momento de incerteza e reconfiguração da ordem mundial, votarão de forma que tenhamos a possibilidade de escolher, na segunda volta destas eleições, como novo Presidente da República, um representante de Portugal cujo passado de ação valha bem mais do que a sua oratória.
António José Seguro afigura-se-me nesta disputa como o garante da defesa do regime democrático e do respeito pelo cumprimento da Constituição.
Que possamos ter a presidir à República um Homem de carácter, por Portugal.