As autárquicas 2025 aproximam-se a todo o gás e serão sempre desafiantes para a Iniciativa Liberal, a pressão do voto útil, a ameaça de se entregar câmaras importantes ao PS e a dificuldade em concorrer nas zonas mais envelhecidas de Portugal são fatores que as tornam nas eleições mais difíceis para nós Liberais.
Contudo este cenário de dificuldade não pode servir de desculpa para decisões estrategicamente erradas, como seria embarcar numa coligação em Lisboa, onde afastarmo-nos da máquina decrépita do PSD e dos zombies do CDS é fundamental para oferecer ao eleitor da capital uma solução 100% liberal.
A máquina Tutti-Frutti do PSD Lisboa
Já em 2021, uma das grandes justificações para não ter existido uma coligação com o PSD Lisboa passou pela noção de que a máquina partidária do PSD na capital está completamente viciada, cheia de profissionais do tacho e bloqueia a capacidade de reformar a gigante estrutura da câmara e freguesias lisboetas.
Aquilo que conseguimos ler no processo Tutti-Frutti mostra-nos o pior da política, evidenciando como uma câmara e freguesias com um orçamento gigantesco são usados para manter máquinas partidárias em vez de servir aquele que devia ser o seu propósito, ou seja, resolver os problemas dos cidadãos.
Coligar a IL com esta máquina seria associar a nossa marca a estes comportamentos, sendo ainda um erro enorme, visto que naturalmente existe um conjunto de eleitores para quem validar os comportamentos de PS e PSD em Lisboa não é solução, podendo a IL apontar à conquista deste eleitorado nas próximas autárquicas.
O CDS, na essência um partido Zombie
Outro fator que deve afastar a IL de uma coligação na capital passa pelo verdadeiro partido zombie em que o CDS se tornou, ou seja, um partido que não tem votos, mas se perpetua em cargos de vereação e afins pelas relações de amizade e pelo medo das consequências naturais das zangas entre comadres.
Evolução do número de deputados do CDS-PP, desde 2002
A última vez que o CDS se apresentou sozinho a eleições foi nas legislativas 2022, tendo obtido uns extraordinários 2,28%, menos de 7 mil votos em Lisboa e ficou com. o 8º partido na capital. Contudo, pelo acordo autárquico na coligação que levou Carlos Moedas ao poder conseguiu garantir a vice-presidência da câmara e mais 2 vereadores, para os quais se concorresse individualmente precisaria de ter mais de 15% dos votos!
Como em política o poder vem dos votos e não dos arranjinhos, a IL não pode compactuar com esta subversão eleitoral, devendo defender para os partidos o mesmo que defende para as empresas zombie, ou seja, que o seu caminho deve ser a falência. Não pode ser a IL a colocar a mão por baixo de um partido que quer ter lugares sem ter representação eleitoral.
É assim vital que a IL Lisboa se concentre em apresentar uma solução 100% liberal aos eleitores da capital, deixando os partidos zombie e máquinas partidárias decrépitas à sua sorte e garantindo que um eleitor exigente tem uma verdadeira alternativa de voto.