O setor do vidro de embalagem é um verdadeiro motor da economia portuguesa: seis fábricas, 3.500 postos de trabalho e mais de 6 mil milhões de embalagens de vidro produzidas por ano, dos quais mais de 60% para mercados externos. Portugal é o maior fabricante de embalagens de vidro per capita da Europa. Este desempenho resulta da combinação entre um forte investimento em inovação e eficiência industrial, e um know-how acumulado ao longo de décadas, que garantem a qualidade e a competitividade, num mercado global cada vez mais exigente.

No entanto, o setor vê-se ameaçado se continuar excluído da lista de setores elegíveis, para compensação pelos custos indiretos de CO₂ (que oneram o preço da eletricidade). A não inclusão nesta lista fragiliza a competitividade de uma indústria estratégica para o país que, além do forte peso exportador, está comprometida com a transição verde e é um verdadeiro exemplo de economia circular. Enquanto setores como o alumínio, o aço ou o papel beneficiam deste auxílio, o vidro de embalagem está fora, criando distorções no mercado.

O problema em Portugal vai, no entanto, mais além: a dotação orçamental disponível para este auxílio é manifestamente insuficiente para abranger de forma eficaz o conjunto de setores eletrointensivos nacionais, que já são ou virão a ser elegíveis para esta tão necessária compensação. Os números falam por si: considerando o vidro já incluído na lista de setores abrangidos, o custo final da eletricidade para setores eletrointensivos seria, em termos médios, 72€/MWh em Portugal, contra 60€/MWh em Espanha, 44€/MWh na Alemanha e apenas 23€/MWh em França. Esta diferença compromete a competitividade e agrava a desvantagem das empresas portuguesas, face às suas congéneres europeias.

A eletrificação da fusão do vidro é um dos caminhos tecnicamente mais viáveis para descarbonizar o setor, mas, o custo elevado da energia elétrica em Portugal, aliado à exclusão do setor do mecanismo de compensação, tem constituído uma barreira significativa à concretização do progresso tecnológico e ambiental.

Congratulamos o apelo de vários Estados-Membros, como é o caso da França, Alemanha e Itália, que já se manifestaram pela inclusão do vidro neste mecanismo de compensação, crucial para manter a base industrial da Europa e cumprir os objetivos comuns de clima e de autonomia estratégica.

Estamos convictos que o Governo português vai juntar-se a estes países neste manifesto, mas apelamos ao reforço da dotação financeira no Fundo Ambiental, que o sustenta. Saudamos, desde já, o parecer da Comissão de Ambiente e Energia para o Orçamento do Estado 2026, que aponta para o reforço do Fundo Ambiental, mas será necessário quantificar e garantir resultados concretos: não basta aumentar o número de setores abrangidos, é preciso que a verba disponível para auxílio aos setores, acompanhe essa tendência.

A indústria do vidro de embalagem é um setor que, desde há várias décadas, se tem mostrado inovador, resiliente e com um impacto relevante na economia, nomeadamente no saldo exportador. Promover esta indústria é proteger a economia portuguesa, o emprego qualificado e o próprio futuro da transição energética do País.