Não houve 3 milhões de portugueses a votar em Seguro; houve 3 milhões de portugueses que ainda não queriam eleger Ventura.

Considerando que a maioria dos eleitores claramente não escolheu António José Seguro por si, mas sim por ser a única opção contrária a Ventura, os bons resultados numéricos não se traduzem numa larga margem de apoio. Foi um voto contrariado, forçado por um anti-venturismo desmedido, e justamente por isso é que poderemos passar rapidamente de uma sociedade que o elegeu para uma que não gosta da sua presidência. Seguro está a caminhar por um lago com gelo muito fino e que pode quebrar a qualquer momento.

Os próximos 5 anos serão determinantes. A reeleição está longe de garantida, e se as condições do país continuarem a piorar até lá, então esta derrota até pode servir ao Chega no longo prazo – provando que André Ventura estava certo nas críticas a Seguro enquanto representante do “mais do mesmo”.

Os políticos podem acabar por se iludir com 2 miragens: a primeira é a de que o eleitorado português se vai comportar como sempre; a segunda é a de que o anti-venturismo será um fator permanente. Em primeiro lugar, os portugueses estão a demonstrar uma abertura para a mudança cada vez maior, o que significa que a tradição de reeleger o presidente é improvável de se cumprir se o mesmo não demonstrar excepcionalidade. Em segundo lugar, a rejeição a André Ventura é e será cada vez menor com o tempo, o que é visível pelos próprios resultados eleitorais, que mostram Ventura como duplicador de votos.

Com tudo isto em mente, podemos concluir que o próximo Presidente não está tão seguro quanto parece, e que a aparente derrota de Ventura na noite passada até lhe poderá ser mais útil nas próximas eleições – quer legislativas, quer presidenciais.