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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Nos próximos minutos vamos falar dos destaques da imprensa ucraniana. O jornalista José Rafael Lopes continua comigo e vamos começar por falar das duas centrais energéticas em Donetsk que ficaram danificadas por ataques ucranianos.

Notícia que está em destaque no Pravda ucraniano, dá conta dos danos nas duas centrais que estão a ser geridas pela Rússia. O Pravda cita o jornal Moscow Times sobre os danos, mas acrescenta mais informações próprias. Contraria a imprensa russa, que diz que as centrais já estão a funcionar a 100%. Este jornal ucraniano diz que, em sentido inverso, há danos graves e que as centrais ainda não foram reparadas para que possam funcionar a 100%. Aponta ainda o Pravda ucraniano danos na corrente logística e diz que os drones utilizados inutilizaram mesmo as duas centrais energéticas. Destaque ainda para a notícia de que este plano fazia parte do plano ucraniano de ferir as infraestruturas energéticas da Rússia e que uma destas duas centrais já tinha sido atacada no passado.

E a energia volta a ser tema na imprensa ucraniana, mas no lado precisamente da Ucrânia, José.

Devido a um longo artigo do Kyiv Independent, chama-se "Destroy, Fix, Repeat", destruir, arranjar e repetir em português. É um artigo sobre os constantes ataques russos a centrais energéticas e o esforço que tem sido feito pelas forças ucranianas para tentar reparar os danos desses mesmos ataques. Este artigo aponta as centenas de equipas de manutenção que todos os dias entram em centrais e subestações danificadas para tentar recuperar o que foi destruído pelos ataques russos. E que, dias depois, estas mesmas equipas voltam a ser chamadas porque foi registado novo ataque russo no mesmo tipo de infraestruturas. Daí ser esse ciclo sem fim, é como descreve o Kyiv Independent nesta reportagem, que acompanhou mesmo uma equipa que faz esses trabalhos de reparação e de manutenção de estações energéticas, de subestações, de todo o sector da energia na Ucrânia. É uma equipa que começou este tipo de trabalho pouco depois do início da guerra, ou seja, pouco depois do início dos ataques russos e que passado todo este tempo que dura o conflito em território ucraniano, continuam a ter o mesmo tipo de trabalho. No artigo, o inverno e o aumento das necessidades energéticas para aquecer as casas ucranianas são apontados agora como os próximos desafios imponentes por parte da Ucrânia, com uma ressalva de que 80% dos ucranianos dependem de energia para conseguirem manter a casa quente, devido às baixas temperaturas que se fazem sentir todos os anos na Ucrânia devido ao clima, e que há também uma previsão de que este inverno seja mais frio do que os últimos dois invernos registados na Ucrânia. Ainda uma secção dedicada às defesas aéreas da Ucrânia, uma vez que são apontadas como a principal forma de evitar que a Rússia consiga afetar estas estruturas com tanta regularidade.

E vamos continuar com este jornal, José, porque queres destacar um editorial.

Um editorial com várias críticas a Volodymyr Zelensky, isto na imprensa ucraniana. É assinado pelo próprio Kyiv Independent e diz que o presidente está a enfrentar o segundo maior teste da presidência. O principal é descrito como o início da guerra com a Rússia. O segundo está ligado à forma como o presidente Zelensky tem vindo a abordar um escândalo de corrupção que está a afetar o governo ucraniano. Há largas semanas que uma unidade especial está a combater corrupção nas instituições ucranianas e as críticas à falta de ação de Zelensky multiplicam-se. O editorial coloca mesmo em causa a posição do presidente e diz que se não for mais lesto Zelensky a exigir demissões e a trocar membros governativos, a situação pode mesmo levar à maior resistência à presidência de Zelensky. Aponta também este editorial do Kyiv Independent que o problema da corrupção na Ucrânia está longe de ser resolvido e a fechar, o jornal aponta vários momentos em que Zelensky reagiu mal a este tipo de questões ligadas à corrupção, ou mesmo momentos em que não agiu de todo, e diz que a guerra é um enorme chapéu de chuva, mas que não esconde todas as gotas, isto numa alusão ao trabalho que tem sido feito por Volodymyr Zelensky.

E vamos fechar esta guerra traduzida com uma notícia que envolve Angelina Jolie e o jornal Charlie Hebdo.

É uma espécie de fact check feito pelo Krym.Form, da imprensa ucraniana. Em causa está uma suposta capa do jornal Charlie Hebdo, em que estaria desenhada uma caricatura da atriz norte-americana a beijar a mão de uma caricatura de Volodymyr Zelensky. É efetivamente uma capa falsa, difundida na Rússia, com o objetivo de mostrar que o Ocidente está a ficar farto de ajudar a Ucrânia e que Zelensky começa também a ser tratado como um rei de barriga cheia. A imprensa ucraniana denunciou essa capa falsa do jornal francês Charlie Hebdo, fala em tentativas de propaganda russa, sobretudo nas zonas de Kherson e de Mykolayiv, mas diz a imprensa ucraniana que não é apenas nestas duas regiões que se têm detetado tentativas de propaganda russa. O que é certo é que Angelina Jolie esteve efetivamente na Ucrânia, mas sem qualquer tipo de capa por parte do jornal francês Charlie Hebdo.

Está feita mais uma edição de Guerra Traduzida. Já sabe, pode ouvir-nos em podcast e também no nosso site observador.pt.