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Guerra traduzida na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Hoje com o jornalista José Rafael Lopes. Eu sou a Rita Camarneiro. José, vamos aos destaques da imprensa russa com o novo mapa que foi partilhado pela imprensa.
Trata-se do mapa da operação especial militar, com informações sobre as movimentações no terreno e tudo o que se alterou nos últimos meses. Está em destaque na agência estatal RIA, com grande destaque no artigo. Moscovo afirma ter libertado mais uma localidade. Trata-se de Artioma, na região de Donetsk, e garante ter destruído importantes depósitos de drones, bem como posições ucranianas, e destacam ainda as infraestruturas que, de acordo com a imprensa russa, estarão a ser utilizadas por mercenários estrangeiros, também elas atingidas pelos mais recentes ataques das forças russas. A notícia é, na prática, uma contabilidade muito detalhada do que o exército russo diz ter destruído em território ucraniano nos últimos dias. Contudo, como tem sido habitual na imprensa russa, quase não há referências a baixas do lado russo, nem o impacto que esta guerra está a ter em território nacional.
A imprensa russa faz ainda para manchete uma parceria entre a Rússia e o Cazaquistão.
A imprensa russa sublinha hoje relações positivas entre os dois países. É dessa forma que são descritas estas relações, em contraste com o que acontece no Ocidente. É também a farpa que está patente na imprensa russa. A Agência RIA traz para manchete declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros do Cazaquistão, que afirma que esta parceria com Moscovo é um dos elementos mais importantes da política externa de Astana, que é a capital do Cazaquistão. Fala ainda, este ministro cazaque, numa estratégia mais ampla de reforço da cooperação internacional e do desenvolvimento sustentável do país, que apenas é alcançado com parcerias deste gênero com a Rússia. Estas declarações foram feitas num evento na embaixada russa, ainda devido ao Dia da Rússia, um feriado em Moscovo e em toda a Rússia. O artigo é muito elogioso para Moscovo, que é apontado como pedra angular na ordem mundial. Não há referência neste artigo a preocupações cazaques com sanções ou com a guerra na Ucrânia, o que contribui para uma imagem de harmonia e convergência estratégica. É um total não assunto a questão da guerra na Ucrânia.
As notícias na Rússia dão também destaque ao memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irão.
Vários órgãos de comunicação social russos dedicam hoje espaço relevante a esse memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irão. A imprensa russa destaca que, segundo fontes da Reuters, os detalhes deste novo entendimento entre Washington e Teerão vão ser conhecidos e tornados públicos muito em breve. Já o jornal "Izvestia" acrescenta que há muitas camadas políticas, através das declarações do presidente norte-americano, Donald Trump. Escreve o "Izvestia" que este entendimento pode pôr termo a todos os combates, incluindo também combates no Líbano, entre o Hezbollah e Israel. É ainda citado o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, que disse que a estabilização do Médio Oriente pode mudar a situação na região do Médio Oriente nos próximos 50 anos. Também esta declaração acaba por estar em destaque na imprensa russa, que dá ainda informações sobre a reação iraniana, com destaque para o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, que confirma o acordo, este memorando de entendimento entre o Irão e os Estados Unidos, e aponta a Suíça como um possível local onde este entendimento pode mesmo vir a ser assinado.
A imprensa russa traz ainda uma notícia onde é dito que a economia da Rússia está a crescer devido ao uso de dinheiro vivo.
Trata-se de um estudo económico e do comportamento dos consumidores russos, que dá conta desse aumento do uso de dinheiro vivo por toda a Rússia. A imprensa do país fala num sinal dos tempos e sublinha que é uma resposta para uma economia russa que insiste em crescer. O estudo aponta ainda que os russos estão a pagar mais frequentemente em numerário, depois de, nos últimos anos, se ter verificado um crescimento das transações sem dinheiro, ou seja, com o uso de cartões Multibanco. A notícia é apresentada como um sinal de mudança no comportamento dos consumidores, sem qualquer tipo de ligação a fatores como inflação, desconfiança nos bancos russos ou eventuais restrições, sem esquecer também as sanções que existem por parte da União Europeia e do Ocidente em geral. O texto concentra-se sobretudo nos números e na citação desta fonte, deste estudo, sem referências aos problemas russos, devido precisamente ao impacto das sanções e da exclusão parcial da Rússia de sistemas como o Swift, que aconteceu pouco depois do início da invasão russa à Ucrânia e que acaba por ter um grande impacto na economia e no setor bancário dos países.
Foram os destaques da imprensa russa com José Rafael Lopes. A guerra traduzida fica, como sempre, disponível em podcast.