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Guerra traduzida na Rádio Observador. Seguimos com a imprensa russa, com o jornalista Miguel Cordeiro. E em destaque, Miguel: Putin proíbe o transporte de mais de US$ 100 mil para países membros da União Econômica Euroasiática.

Uma nova proibição à exportação de mais de US$ 100 mil em dinheiro vivo da Rússia para a União Econômica Euroasiática. Está em destaque na Agência TASS, está em destaque em toda a imprensa russa. É um novo decreto publicado pelo Kremlin. Pode ler-se que, a partir de agora, está estabelecida uma proibição à exportação da moeda da Federação Russa para os Estados membros da União Econômica Euroasiática da Federação Russa. Isto está proibido por indivíduos em montantes superiores ao equivalente a US$ 100 mil, calculados à taxa de câmbio oficial do Banco Central da Federação Russa, estabelecida na data da exportação. Ou seja, será calculado à taxa de câmbio do dia em que se tenta fazer essa exportação. Além disso, de acordo com o documento, esta proibição de exportação de rublos em dinheiro vivo para pessoas jurídicas e empresários individuais aplica-se independentemente do valor. Vamos à imprensa independente para compreender melhor esta parte. No Portal Meduza, o título é: Putin endureceu as regulamentações sobre a exportação de rublos e de ouro da Rússia. A partir de 1 de abril, passa a ser proibido exportar rublos em dinheiro vivo da Rússia para países da União Econômica Euroasiática. Estamos aqui a falar da Armênia, da Bielorrússia, do Cazaquistão e do Quirguistão. É proibido exportar em quantias superiores ao equivalente a US$ 100 mil. Para empresários individuais e pessoas jurídicas, a proibição aplica-se independentemente do valor. A única exceção acontece para a exportação de rublos por aeroportos internacionais russos. Além disto, a partir de 1 de maio, vão ser também impostas restrições à exportação de barras de ouro com peso superior a 100 gramas a partir da Rússia. Só podem ser exportadas para países da União Econômica Euroasiática por aeroportos designados e com autorização do Escritório Federal de Análise.

E a Bulgária suspendeu algumas sanções à Rússia.

Estamos aqui a falar de sanções no setor de energia nuclear. No jornal Kommersant podemos ler que as autoridades búlgaras decidiram isentar de restrições de sanções o fornecimento de componentes russos necessários para o funcionamento da única central nuclear do país, a central de Kozloduy. De acordo com a Rádio Nacional Búlgara, tratam-se de componentes críticos que são indispensáveis para manter o funcionamento sem parar das unidades de produção de energia. O governo da Bulgária explica que a principal prioridade para a operação desta central é garantir o mais alto nível de segurança técnica e nuclear. A usina nuclear de Kozloduy é a maior produtora de eletricidade da Bulgária, produz mais de um terço da energia do país.

E no jornal KP, salta à vista o artigo que tem como título: Os Estados Unidos anunciam planos para conquistar a Lua.

Tudo isto tem origem num anúncio de ontem da NASA. A NASA apresentou um novo plano de programa lunar. Basicamente, a NASA quer construir agora uma base lunar e quer fazer isto ainda esta década, mais do que nesta década. Quer fazer isto durante o mandato do Donald Trump até 2027. O jornal KP diz que a base lunar vai ser batizada em homenagem ao presidente Trump, mas na verdade, este é um rumor antigo e que já circula há algum tempo na imprensa russa. Certo é que a NASA refere que a base lunar vai chamar-se Artemis. O KP fala da apresentação da NASA, diz que quem estava presente descreve os planos da NASA como vertiginosos, mas depois o KP não cita ninguém, nem refere quem deixou essa opinião. O KP é um jornal russo controlado pelo Kremlin. Escreve ainda o KP que a NASA está empenhada em alcançar o quase impossível novamente, voltar à Lua antes do fim da presidência de Trump, construir uma base lunar, estabelecer uma presença permanente e fazer tudo o que for necessário para garantir a liderança americana no espaço.

E fechamos, Miguel, com um artigo do Portal Meduza, que diz que a imprensa local russa está a promover o fim da utilização do Telegram.

Em título, neste jornal independente, a Meduza descobriu vários artigos semelhantes na imprensa regional russa, com títulos como: Por que você deve apagar o Telegram do seu smartphone antes de 31 de março. Conclui, ainda no título, o Portal Meduza: Hum, por que será? E aqui estou a citar. Este jornal escreve que descobriu uma série de artigos com títulos semelhantes na imprensa local, na Rússia, artigos em que é feito esse apelo a que seja desinstalado o Telegram dos telemóveis até o final deste mês de março. É dito também pelo Meduza que enquanto isto acontece, o tabloide pro-Kremlin, um dos mais vendidos, o Baza, publicou um artigo em que alega que os iPhones na Rússia estão a superaquecer e estão a apresentar mau funcionamento devido à utilização de VPNs. Os VPNs são utilizados basicamente para ter um IP de um território fora da Rússia e com isso poder utilizar o Telegram. Tudo isto acontece numa altura em que a Rússia está a avançar lentamente com o bloqueio do Telegram. Nós temos falado disso aqui na Guerra Traduzida. Isto está principalmente noticiado pela imprensa independente russa, problemas constantes no Telegram e que vão aumentando dia para dia. O Portal Meduza dá aqui alguns exemplos do que está hoje na imprensa regional e está a surgir também ao longo dos últimos dias. Faz aqui um levantamento de jornais da cidade de Kirov, de Lipetsk, de Samara, de Yoshkar-Ola e de Chelyabinsk. Diz que isto está a acontecer também noutras cidades russas, mas o título é quase sempre o mesmo: especialistas alertam, o Telegram deve deixar de funcionar, deve ser apagado pelos utilizadores até 31 de março. Os autores destes artigos insistem que se isso não for feito até o final do mês, a utilização do Telegram passa a tornar-se insegura. Meduza refere também que, curiosamente, estas publicações não incentivam os leitores a migrarem para a aplicação de mensagens russa, a aplicação Max. O Meduza escreve que essa aplicação já está a ser ativamente promovida pelas autoridades russas e já foi acusada de ter um potencial de vigilância dos utilizadores.

E fica por aqui a Guerra Traduzida com Miguel Cordeiro. Está de regresso amanhã.