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Guerra traduzida na Rádio Observador. Apresentamos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa, hoje com o jornalista Miguel Cordeiro. Começamos com a imprensa da Ucrânia. Em destaque hoje: novos ataques a zonas residenciais e estrutura energética na Ucrânia.
Na última noite, a Rússia avançou com mais um vasto ataque ao território ucraniano. Atingiu infraestrutura civil e energética, áreas residenciais, quartéis de bombeiros e instalações energéticas de suporte à vida. Tudo isto foi atingido. Podemos ler sobre isto em vários jornais ucranianos. Aconteceu em várias cidades. Por exemplo, em Kharkiv, a noite começou com uma série de fortes explosões. Um prédio de dois andares foi atingido, com três feridos nesse caso. Registaram-se, ao todo, ataques de 20 mísseis e mais de 20 drones nesta região. A infraestrutura ferroviária, as instituições de ensino e algumas zonas agrícolas foram danificadas. Em Slavutych, a Rússia realizou um ataque direcionado ao setor energético. Cerca de 21 mil habitantes ficaram sem energia. Em Chernihiv, a situação ainda é mais crítica, com 150 mil pessoas sem energia devido a um ataque. Em Odessa, o distrito de Izmail está sob a mira dos russos. Houve um ataque a uma zona residencial, uma casa completamente destruída, outras seis ficaram danificadas. São alguns exemplos. Há mais ataques russos durante este último dia, mas são alguns exemplos daquilo que está a acontecer nas últimas horas e, principalmente, aconteceu durante a última noite. Continuam os bombardeamentos russos à Ucrânia.
Viktor Orbán corta fornecimento de gás à Ucrânia.
Essa é uma notícia que está a marcar a atualidade. É esse o título do artigo do Pravda da Ucrânia. O primeiro-ministro húngaro anuncia que a Hungria vai suspender as exportações de gás para território ucraniano. Faz isto até que Kiev retome a circulação normal de crude russo para a Hungria. Nas redes sociais, Orbán publica um vídeo em que diz: enquanto a Ucrânia não fornecer petróleo, não recebe gás da Hungria. Orbán também refere que o fornecimento de gás vai ser bloqueado gradualmente, mas não especifica um prazo para a suspensão que está agora prevista. Isto é uma medida com impacto para a Ucrânia. No final do ano passado, o gás húngaro representava quase metade do volume total deste combustível fóssil importado pela Ucrânia. Falamos de 46%. Esses dados são da Fundação O Economist para a Investigação Económica.
E a Ucrânia está a colocar barreiras à venda de drones para os países do Médio Oriente.
Aqui na Guerra Traduzida, na semana passada, falámos de um negócio multimilionário que estava prestes a concretizar-se entre grandes empresas petrolíferas dos países árabes e as empresas de drones da Ucrânia. O objetivo seria comprar drones interceptores ucranianos, ou seja, drones de defesa. O Estado da Arábia Saudita estava interessado nestes drones. Os clientes dos países árabes demonstraram muito interesse em drones interceptores e em outros meios de combate a drones kamikaze. Isto já estava a ser negociado há vários meses. O negócio já estava numa fase final. Com o início da guerra, esse interesse tornou-se bem real e, portanto, as empresas e os países árabes queriam estes drones ucranianos rapidamente. As empresas ucranianas viram isto como uma oportunidade de negócio, mas, ao mesmo tempo, as autoridades da Ucrânia perceberam que tinham aqui uma oportunidade política. Estas duas abordagens de querer despachar o negócio e da oportunidade política criam, naturalmente, contradições. Isso está a impedir as empresas de começar já estas atividades de exportação. O governo ucraniano não tem nenhuma pressa, não quer emitir as licenças de exportação. O gabinete do presidente está, na prática, a manter a torneira da tecnologia fechada e procura obter vantagens políticas de parceiros ocidentais e parceiros árabes para conseguir abrir esta torneira. Isto é especialmente importante no contexto das negociações com os Estados Unidos da América e com a Rússia para o futuro da guerra na Ucrânia. Este é um artigo em destaque na Pravda ucraniana.
Miguel, vamos também falar de desporto, de futebol, aqui nesta edição da Guerra Traduzida. A seleção da Ucrânia faz a antevisão ao jogo de playoff com a Suécia.
Este é um jogo amanhã em Valência: Ucrânia-Suécia. Só um pode seguir em frente nesta caminhada rumo ao Mundial 2026. É uma eliminatória com apenas um jogo. O vencedor segue para a final deste percurso de playoff. O vencedor do Ucrânia e Suécia joga contra o vencedor do Polônia-Albânia. Serhiy Rebrov, o treinador da seleção ucraniana, fez hoje a antevisão sobre a Suécia e diz que é uma equipa muito forte em termos de caráter e que para vencer a Ucrânia tem de conseguir superar isso. Fala também da necessidade de ganhar duelos. Rebrov diz também que a tática é importante, mas o futebol tem muitos componentes. A Ucrânia tem de vencer em cada um desses componentes e só assim pode ter vantagem. Isso não garante a vitória, mas aumenta a probabilidade de vencer, é o que diz o treinador, que diz que amanhã a Ucrânia tem de estar focada em todos os aspetos do jogo. Para lá do futebol, Rebrov deixa uma mensagem importante: a equipa tem de jogar pela Ucrânia e pelos militares que continuam a lutar pela liberdade do país. A frase é a seguinte: "A situação difícil no nosso país já dura há quatro anos e não há nada de novo. É claro que todos os jogadores entendem por quem estamos a jogar. Temos muito orgulho de jogar pela Ucrânia, pelos nossos soldados que estão a lutar pela liberdade do nosso país. Estes ataques à Ucrânia dão ainda mais motivação aos nossos jogadores". O jogo da Ucrânia frente à Suécia é esta quinta-feira, às 19h45, na hora de Portugal continental. O jogo vai ter arbitragem do português João Pinheiro.
E foram os destaques da imprensa ucraniana.