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Seja bem-vindo a mais uma "Guerra Traduzida" aqui na Rádio Observador. Olhamos para a imprensa dos dois lados deste conflito, a imprensa russa e ucraniana. Neste dia 5 de junho de 2023, o dia 466 da invasão. Começamos com a imprensa ucraniana, um trabalho do jornalista Rui Casanova, que já aqui está. Rui, boa tarde.

Boa tarde, João.

Teve a colaboração da Tânia Oline. Rui, começamos com a Ucrânia, que tem uma rede de sabotagem na Rússia, a quem fornece drones para ataques.

É uma investigação da CNN Internacional que está a dar o que falar. Esta notícia está em destaque na imprensa ucraniana, apesar de ser uma informação que de certa forma não joga a favor, não abona a favor da Ucrânia. Ora, o que diz esta investigação da CNN Internacional, que cita fontes dos serviços secretos dos Estados Unidos? Diz que a Ucrânia tem vindo a criar uma rede de agentes dentro da Rússia, que tem como missão levar a cabo atos de sabotagem contra alvos russos, sendo que a Ucrânia forneceu drones para encenar ataques a estes mesmos agentes. De acordo com esta investigação, são estes agentes que estão por trás do tal ataque ao Kremlin ainda há pouco tempo, em maio. Se bem nos recordamos, e falamos disso aqui na "Guerra Traduzida", um drone sobrevoou o Kremlin. Não houve registro de feridos nem danos, mas esse ataque deu o que falar. E agora a CNN Internacional, nesta investigação, vem dizer que são estes agentes que estão a operar na Rússia, que foram os responsáveis por esse ataque. As autoridades norte-americanas acreditam, assim, que a Ucrânia desenvolveu células de sabotagem dentro da Rússia no âmbito desta guerra. E no fundo, estes agentes são uma mistura de simpatizantes pró-Ucrânia e também operacionais bem treinados no âmbito desta guerra. É uma notícia, uma investigação que está a dar o que falar e que vai estar também em destaque já a seguir no episódio de "Guerra Traduzida" versão Rússia, porque, claro, a imprensa russa também dá destaque a esta informação.

Seguimos com as inspeções aos abrigos antibomba na Ucrânia que foram ordenados por Zelensky.

Foram ordenados na semana passada, porque, e se bem te recordas, João, falamos disso aqui na "Guerra Traduzida", durante um bombardeamento a Kiev, os moradores, como é protocolo, dirigiram-se para um abrigo para se abrigarem, mas este abrigo não abriu as portas. Ora, Volodymyr Zelensky ordenou uma auditoria, uma inspeção a todos os abrigos antibomba, antiaérea, para perceber exatamente em que estado é que estão e o que é que se está a passar, devido a motivos de segurança. E têm sido ao longo dos últimos dias divulgados números a propósito desta investigação. Até hoje foram inspecionados 50.195 abrigos em toda a Ucrânia. Destes, 32%, ou seja, um terço, estavam inutilizáveis ou fechados. Portanto, o governo ucraniano confessa estar preocupado com estes dados, dados que são divulgados pelo Ministério da Administração Interna nas redes sociais e são dados citados aqui pelo jornal "Pravda". Só em Kiev, também de acordo com os mesmos dados, foram inspecionados cerca de 2 mil abrigos, a maioria completamente inutilizáveis. Uma fonte do governo ucraniano já tinha admitido que está chocado com estes números.

E passamos para os serviços secretos ucranianos, que descobriram mais de 10 toneladas de munições russas e também uma instalação antiaérea inimiga na região de Kharkiv.

A imprensa ucraniana fala em mais um esconderijo de armas russas que as tropas russas não tiveram tempo de levar durante a retirada desta região de Kharkiv. É o que escreve o jornal "Pravda". De acordo com este jornal, este abrigo, este esconderijo, fica numa floresta na região de Kharkiv e lá dentro as autoridades ucranianas encontraram várias armas, como granadas, minas, outro tipo de armas. De acordo com os serviços secretos ucranianos, o peso total destas armas é superior a 10 toneladas, por isso falamos aqui de armamento muito pesado. De acordo com estes serviços secretos ucranianos, todas as armas foram apreendidas pelas autoridades ucranianas.

Passamos, Rui, para o plano diplomático. O enviado do Papa para a paz na Ucrânia está nesta altura a visitar a capital Kiev.

Falamos do cardeal Matteo Zuppi, embaixador do Papa Francisco para a paz na Ucrânia. Faz entre hoje e amanhã uma visita à capital ucraniana. É uma notícia em destaque no canal ucraniano "European Truth", que cita um comunicado do Vaticano que adianta que o principal objetivo desta visita é ouvir atentamente as autoridades ucranianas sobre possíveis caminhos para alcançar uma paz justa e também apoiar gestos humanitários que ajudem a aliviar as tensões no âmbito desta guerra. De recordar que o cardeal Matteo Zuppi já tinha descrito esta guerra na Ucrânia como uma pandemia. Por isso, pode ser aqui uma visita importante, uma fonte importante para ajudar nos esforços de mediação de paz. Vamos ver em que resulta esta visita oficial de dois dias deste enviado do Papa Francisco.

E é com esta notícia que fechamos esta "Guerra Traduzida" versão Ucrânia.