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É difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.

E está no ar o Ainda Bem Que Fachas, essa pergunta da Rádio Observador. Paulo Ferreira, esta segunda-feira falamos de recomendações pra agosto, que começa hoje, mais ano, menos ano. Qual é a diferença? Mas começamos por muita calma.

Muita calma. Já estamos em agosto, como disseste, em plena "silly season", meio país está de férias. Podemos então dizer que finalmente reina a calma em todo o país?

Calma, só aparentemente. Os últimos dias não têm sido isentos de polêmicas e de assuntos políticos quentes.

Está bem, mas também só pode ser má vontade tua, Carla.

Pois.

Está tudo muito calmo, como se tem visto. Eu fui espreitando, apesar de estar de férias. A resolução dos caos nas urgências segue com muita calma. Afinal, qual é a pressa? Qual é a urgência, não é? Vamos ter fé, como diz a ministra da Saúde, e tudo há de resolver-se. E por falar em fé, repararam na calma e tranquilidade do presidente da República a defender os seus amigos da igreja perante suspeitas de encobrimento de crimes de abuso sexual por parte de membros do clero? É preciso ter calma também nessas coisas. E até a novíssima esquadra móvel da PSP no Porto alinha no mesmo espírito. Ficou tão calma que nem saiu do mesmo sítio. Para uma esquadra móvel, é um grande simbolismo de férias. Podemos dizer, sim, que reina a calma em todo o país, está mesmo tudo parado há muitos anos, por sinal.

Olha, e o símbolo disso é o novo aeroporto de Lisboa, estudado há mais de 50 anos.

Pois, estudado e nunca concretizado. E quem espera 50 anos, não pode, já agora, também esperar mais um ano.

Finalmente, também não se percebe. Mas parece, esse fim de semana, que vamos demorar pelo menos esse tal ano a tomar uma decisão.

E que diferença é que isso faz? Cinquenta anos de atraso, 51 anos de atraso, é basicamente a mesma coisa. Estamos a falar de um acréscimo de apenas 2% no tempo de atraso e no processo de decisão. Claro que é preocupante e sintomático que depois destes anos todos, o governo não esteja ainda em condições de tomar uma decisão. Já agora, uma decisão que o primeiro-ministro e o ministro da tutela, em que eles possam estar os dois de acordo, isso é importante. Mas se deixarmos passar mais algum tempo, pode até acontecer que a inovação tecnológica torne os aviões obsoletos e aí passamos, de fato, a ser um país de visionários.

Bom, olha, Paulo, como já dissemos, estamos em agosto, mês com especiais recomendações sobre ementas.

Ementas, nem mais. Então, a partir de hoje estão todos preparados, primeiro para não adoecer e depois para não comer bacalhau à Brás em conferências.

Pois é, foram as recomendações de Graça Freitas há mais de um mês.

Há mais de um mês e só podemos dizer que a diretora-geral de Saúde sabia muito bem do que falava quando fez estas sábias recomendações. Ela conhece como poucos os hospitais que recomendam especialmente que os portugueses evitem esse desporto nacional, que é basicamente ficarem doentes em agosto. E para não correrem riscos, o melhor é então evitarem o tal bacalhau, que com o calor pode estragar os ovos. Vamos ser todos muito patriotas. Hoje é dia 1 de agosto, vamos evitar estas coisas simples. Se estavam a pensar adoecer, esperem um mesito. Esperem por setembro. Também não é por isso que se vai morrer.

Paulo Ferreira e as perguntas que marcam a atualidade. Amanhã, nova edição e sempre a seguir ao Jornal das 7.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.