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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
Paulo, a questão palestiniana continua a provocar fraturas por todo lado.
Por todo lado e não apenas no Médio Oriente. Até por cá os partidos da AD têm essa divisão já assumida. O CDS foi contra o reconhecimento do Estado palestiniano pelo governo há poucas semanas e agora também contra a flotilha. Luís Montenegro já veio ontem assumir que, de facto, o PSD e CDS têm posições distintas sobre o assunto. Na Eurovisão, o assunto não é mais pacífico. Há países que recusam participar no Festival da Canção se Israel participar. E ontem a Alemanha assumiu a posição perfeitamente contrária. O chanceler alemão, Frederik Merz, apelou a um boicote à Eurovisão, caso Israel seja impedido de participar. Diz que é um escândalo que isto esteja a ser discutido. E por aí vamos. Portanto, onde quer que se vá, Palestina a dividir, a separar águas aqui em muitos casos.
É verdade. Por cá, o povo não come PIB.
É o que diz Paulo Raimundo. E se não é verdade, é daqueles sound bites, daqueles snacks sonoros que alimentam o espírito, divertem quem ouve estas coisas. O secretário-geral do PCP, que esteve numa ação de campanha em Matosinhos, disse que está tudo a crescer, cresce a economia, cresce o Produto Interno Bruto, como se algum de nós comesse PIB, foi o que disse Paulo Raimundo. É verdade que nenhum de nós come PIB, nem à força, se nos derem à colher, mas num país em que o PIB não aumente a produção de riqueza, dificilmente os cidadãos comerão melhor. É como a velha questão do défice. Sim, o défice não deve ser o alfa e o ômega da vida política, mas um país endividado até ao pescoço pode ter vida além do défice, claro, só não deve ser uma vida muito boa. Com o PIB passa-se o mesmo. Dizer que ninguém come PIB é o mesmo que dizer que ninguém come dinheiro. Come-se aquilo que o dinheiro compra.
E em França, os governos não duram mais do que uma alface.
E alfaces daqueles que duram muito pouco, não é?
Também.
Não sei qual era a alface.
Numa baguete.
Era uma iceberg.
Uma iceberg, exatamente. Foi a Theresa May.
Não era a Theresa May.
Não, foi a Liz Truss.
A Liz Truss, exatamente, que quando estava cai não cai no Reino Unido, era a primeira-ministra. Houve quem fizesse a comparação, a brincadeira.
Com quem é que vai durar mais.
Está aqui uma alface iceberg, quem é que vai durar mais lá no governo? Foi a alface que durou mais. É pior ainda em França, parece que os governos lá não têm durado mais do que um gelado ao sol num dia de verão. Ontem caiu mais um, que tinha sido apresentado o elenco governativo 24 horas antes, o primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu apresentou então a sua demissão a Macron, que a aceitou. Ele próprio, primeiro-ministro, tinha sido nomeado há cerca de um mês. Entretanto, esteve a tentar preparar o orçamento, a preparar o elenco governativo que tinha apresentado no fim de semana. Na tentativa de negociação do orçamento, diz que os partidos são inflexíveis, que se comportam todos como se tivessem, cada um deles, maioria no Parlamento. E a França está a precisar de medidas orçamentais duras. Lecornu foi o quinto primeiro-ministro francês em apenas três anos, o que significa que fomos para o sexto. O país volta então a entrar num impasse político e os juros da dívida ontem assinalaram isso mesmo. Subiram, claro, e o risco do país está a aumentar. Por cá ainda bem que nós saímos dessa zona de risco, porque se ainda estivéssemos na zona de risco da dívida pública, estávamos já a seguir, nós, depois com as contaminações. Portanto, vamos ver como é que se resolve a questão francesa.
Bruno, então os bombeiros da Moita tiraram o curso de obstetras?
Ui! O microfone. A julgar pelo número de partos que já realizaram só este ano, já devem estar perto disso, já deve dar equivalência.
Há salas de parto que se calhar têm menos partos.
Sim, há maternidades no país que não devem fazer tantos partos por ano.
Estavam em 15, não é?
Em 15, são 15 só neste ano, até agora. E isto num total de 154 partos em todo o país, em contexto pré-hospitalar, ou seja, partos ocorridos na via pública, em ambulâncias ou no domicílio da grávida. Não é de estranhar que 10% destes partos tenham sido realizados pelos bombeiros da Moita, visto que é conhecido de todos, agora ainda estávamos a ver aqui também as imagens, a situação das urgências na margem sul. Estes bombeiros foram chamados para dar apoio, auxílio a uma grávida na Baixa da Banheira e quando se dirigiam para o Hospital do Barreiro, antes de se dirigir, confirmaram que as urgências estavam fechadas, como tem sido habitual, e nesse caso dirigiram-se para o Hospital Garcia de Horta, em Almada, mas já não tiveram tempo, a viagem não chegou ao fim e o bebê nasceu numa nova maternidade, não sei se já ouviram falar, é a A33.
Ali é o quilômetro 5,4.
E os carros bombeiros já têm fraldas, já viajam com fraldas.
Quer dizer, têm que se preparar para estas coisas, já não são inesperadas.
Tu moras na zona, devias aproveitar e fundar uma religião. Há dois mil e tal anos uma nasceu mais ou menos assim.
Nasceu também em viagem à procura de uma maternidade. Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.