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Este som diz tudo está no ar, o Boa Moeda, Má Moeda, sempre com o Paulo Ferreira. Paulo, neste início de semana vamos-
Duas boas moedas.
Duas boas moedas. Assim é que é.
Uma moeda e outra. Uma para o positivo, exatamente. Está tudo bem disposto, está aí o verão quase. E a primeira boa moeda tem a ver com as boas notícias para a classificação de risco da dívida pública portuguesa. Nós, há uns 12 anos, aprendemos todos que havia agências de rating, o que era o rating e a classificação de risco, e o lixo, e acima do lixo, e por aí fora. E é uma dessas agências, a Fitch, que na sexta-feira manteve a nota de rating dada a Portugal, manteve a nota, mas subiu a perspectiva para positivo. O que isto quer dizer? Que não mexe na nota, mas dá a indicação de que uma próxima mexida será no sentido positivo, isto é, a nota vai melhorar. Isso é ótimo para as taxas de juro, isto é, quanto menor o risco que é atribuído a alguém que pede dinheiro emprestado, como é o caso da República Portuguesa, menos altas são as taxas de juro que são cobradas. E para a Fitch, as consequências da pandemia para as finanças públicas têm sido, em Portugal, menos graves do que na maioria dos outros países europeus. E embora, de fato, ainda tenhamos um rácio da dívida muito elevado, ali na casa dos 120% do PIB, a Fitch diz que a dívida está numa firme trajetória descendente.
Portanto, Paulo, deixa-me ver se eu percebi bem e se ainda me recordo o que aconteceu na outra discussão. Esta avaliação pode contribuir para conter o nível dos juros pago pelo Estado quando se financia, quando vai aos mercados.
Isso mesmo. Isto é aquele item da aplicação dos conhecimentos adquiridos a novas situações.
Mas quando se tem um bom professor, é mais fácil.
Um cinco aqui, claramente. É isso mesmo. Menos risco, menos juro cobrado. Portanto, quem empresta dinheiro fica mais tranquilo em relação à possibilidade de não vir a recebê-lo na altura da devolução do dinheiro e, portanto, o juro cobrado é menor. Isto não só tem impacto no orçamento, como é evidente, e se tem impacto no orçamento, tem impacto nos nossos bolsos, porque o Estado paga menos juros, nós temos que pagar menos juros, como depois contamina positivamente também a nota de risco que é atribuída aos bancos portugueses, que estão dependentes obviamente da economia do país, e depois isso reflete-se, de alguma maneira, também nas taxas de juro em geral, que todos pagamos, não influenciadas do BCE, mas é bom, de alguma forma, para os bolsos dos portugueses, lá está, através dos impostos e dos juros que vamos todos pagando.
Olha, e a outra boa moeda é uma boa moeda ou é a caminho de boa moeda?
Apesar de tudo, é uma boa moeda, a caminho de boa moeda. Voltamos nós, é segunda-feira, é dia de são combustível.
Pois é.
Lá vamos nós voltar a falar dos preços dos combustíveis. Por quê? Porque o ISP, o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos, baixa hoje 0,02 € na gasolina e 0,012 € no gasóleo. Por quê? Porque o Estado continua a ajustar o ISP para garantir que ele próprio, o Estado, não cobra mais impostos quando os combustíveis sobem de preço, por força também da subida do petróleo.
Ou seja, mesmo que os combustíveis subam, vão subir menos, é isso?
Isso mesmo, hoje estão a subir, sobem menos do que subiriam caso o governo não ajustasse o ISP. Isto é independentemente daquilo que aconteceu há uma semana, que foi uma descida do ISP para simular uma descida permanente do IVA de 23 para 13%. Mas o IVA continua em vigor, continua nos 23%, embora o ISP compense e o que se passa é, como o IVA é uma porcentagem sobre o custo antes de imposto, à saída da bomba, se quisermos, cada vez que o preço do produto à saída da bomba aumenta, por força de petróleo, o IVA também, o montante de cêntimos e de euros que o Estado cobra também é superior, porque aplica 23% sobre o montante que é maior e portanto é precisamente para compensar essa diferença, para o Estado não estar a ganhar dinheiro também com o aumento de preços de combustíveis, que o ISP é ajustado todas as semanas para que essa cobrança adicional não aconteça.
Se baixa é uma boa notícia.
Se baixa é uma boa notícia, ficamos assim, é uma ótima e é uma boa notícia.
Há aqui um esforço de vir o copo meio cheio. É difícil, não é, quando o preço é esse?
Tem que ser, Clara. É segunda-feira, nós estamos aqui no estúdio, está um sol fantástico lá fora. Temos que encontrar aqui motivos positivos.
De erguer a cabeça e continuar o resto da semana. Paulo Ferreira e o Boa Moeda, Má Moeda. Amanhã há mais novidades daquelas que impactam nas nossas finanças.