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E hoje vamos debater o que aconteceu aos intelectuais. Marx defendia que a religião era o ópio do povo. Ironicamente, o marxismo acabou a tornar-se o ópio dos intelectuais. Os que eram e são tidos como os mais cultos e mais informados, os intelectuais, perderam e perdem o espírito crítico perante uma economia planificada e também as engenharias sociais. Bom dia, Helena, bem-vinda. Os intelectuais enganam-se quase sempre ou isso acontece porque ignoram a realidade? Que explicações é que tens para nos dar?

A propósito da festa do Avante, recordo que o Partido Comunista Português ainda apresenta alguns dos seus candidatos, com a indicação da sua profissão ou da sua atividade, porque alguns também são pequenos empresários, ou grandes empresários, isso agora não conta, mas também temos os intelectuais. O que dá muito conta da forma como se olha para este setor, para este grupo de pessoas. É claro que nós partimos aqui, eu e a Helena Garrido, de um livro, que é o livro do Samuel Fitoussi, "Porque se enganam os intelectuais". E a pergunta é: todos nós nos enganamos, o erro faz parte da condição humana. A questão aqui é quase que uma situação de erro sistemático e nós hoje, aqui no século XXI e também no final do século XX, temos a percepção de que muitos destes intelectuais, sobretudo os mais destacados, se enganavam numa espécie de enviesamento de esquerda. Sendo isso verdade, também é verdade que se recuarmos algum tempo, podemos encontrar intelectuais destacados a terem, por exemplo, um grande fascínio com ideologias como o nazismo. Portanto, a grande questão que se coloca aqui é: por que estas pessoas, as mais cultas, muito frequentemente, que objetivamente não são parvas, às vezes cometem erros de percepção que o cidadão comum, muitas vezes sem ter lido um décimo daqueles livros, sem ter sequer estado a refletir muito sobre aqueles assuntos, quase que intuitivamente percebe que por ali é melhor não ir. Provavelmente, e é disso que falaremos hoje aqui neste programa, porque todos aqueles sistemas, e quanto mais totalitários são os sistemas, mais têm programas, economias planificadas, engenharias sociais. Portanto, nessa espécie de sociedades com um guião, com uma espécie de escrita antecipada do que é que vai suceder lá à frente, um intelectual faz muita falta e vê o seu papel, de alguma forma, justificado, porque ele é aquele não só que sabe o que vai acontecer, como aquele que acredita, e muitas vezes pagaram tão caro essa ilusão, que pode vir a influenciar os políticos que detêm o poder. Portanto, esta espécie de homens e mulheres que falam com aqueles menos inteligentes que eles ou que simplesmente estão lá e que os podem condicionar. É óbvio que o título "Os Intelectuais" vai aparecer várias vezes. Em 1955, surgiu um livro, que em boa parte também está no título deste Contracorrente de hoje, que é "O Ópio dos Intelectuais", do Raymond Aron. Portanto, vamos andar em volta dessa figura, que chegou quase a ser uma caricatura, que se nós vamos ver aqui há uns anos, havia até uma figura que era o intelectual de esquerda, tinha sempre uns óculos, uma barba, um certo look. É um pouco por aí que vamos, porque vocês desculpem, mas uma pessoa tem que ter uma pausa. Não aguenta todos os dias Luís Neves, a moção de censura de André Ventura. Não dá. Sou uma espécie de uma trabalhadora em luta. E portanto, hoje vamos falar dos intelectuais, porque claro, a realidade chegará já, já, daqui a pouco. E portanto, é um Contracorrente em absoluta contracorrente que está aqui a vigorar na pátria.

E vai ser depois das 10:00. Até já, Helena.

Vai ser, vai.

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