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8:14. Vamos lá conhecer o tema do Contracorrente desta quinta-feira. Para participar, só tem de ligar 91 002 41 85, mas já sabe que também nos pode deixar a sua mensagem nas redes sociais, no nosso site, ou então enviar-nos o seu áudio, a sua mensagem de voz, através do WhatsApp. O número é o mesmo: 91 002 41 85. Carla. O primeiro caso que chamou a atenção foi o do assassinato de um turista americano numa zona considerada bastante pacata em Cascais, mas depois foram-se sucedendo as situações com várias mortes a serem registadas na área da Grande Lisboa, aparentemente sem ligação entre si, mas a criarem a perceção de que, de repente, anda por aí muita gente aos tiros. A Ministra da Administração Interna reconheceu o aumento do número de casos, mas procurou desdramatizar, o que não impede que no Contracorrente tentemos perceber se esta sucessão de ocorrências violentas é apenas uma coincidência temporal ou se é mais do que isso, se é um sintoma de outras situações, como o tráfico de droga ou a rivalidade entre gangues juvenis. É isso que vamos tentar perceber no programa de hoje. José Manuel, bom dia. Portugal e Lisboa, em particular, estão a deixar de ser aquele oásis de segurança e de tranquilidade?

Carla, eu diria que não, apesar de tudo. Mas temos que tentar perceber o que se está a passar, porque creio que há vários fatores que podem estar a mudar o estado das coisas. Para se ter uma ideia, de facto, aquilo que assustou as pessoas foi uma sucessão bastante anormal de casos, como tu disseste, aparentemente sem relação entre uns os outros. Tu falaste do caso de Cascais, mas antes ainda desse caso de Cascais, houve um adolescente que tinha sido baleado no Barreiro, no Lavradio, na véspera desse dia. Depois, no próprio dia, houve alguém que foi encontrado morto em casa, ensanguentado e por estrangulamento, em Lisboa. No dia seguinte, foram duas pessoas baleadas na Amadora. Mais casos, não vou contar agora aqui todos. Houve uma sucessão deles, a que se juntou, mais recentemente, duas situações completamente diferentes, que, de resto, já abordámos no Contracorrente ontem, que foram aquela situação em que familiares, filhos, mais concretamente, matam ou tentam matar os pais, o caso do José Manuel Landes e o caso da Susana Gravato. Há aqui várias coisas que podem estar a contribuir. Primeiro, há ou não há um aumento daquilo que parece ser a criminalidade violenta? Aparentemente, sim. Até agora, até ao momento, já terão ocorrido 94 assassinatos em Portugal este ano. Isto quando o ano passado todo tinham sido 89. Claramente, este ano vai haver mais mortes violentas do que no ano passado. E quando consideramos os números dos crimes violentos, quando olhamos para as estatísticas oficiais que saem no RASI, verificamos que a criminalidade geral não está a aumentar, mas a criminalidade geral é muito difícil, na minha perspetiva, num país como Portugal e com a perceção de que fazer queixa às vezes não serve pra nada, é difícil medir, porque ainda penso que foi referido ontem, a propósito do tema da violência contra familiares, que muitos dos casos que chegam à APAV, depois não chegam à polícia. Estamos a falar de situações que são diferentes. Agora, na criminalidade mais violenta, há a perceção de que uma série de casos, roubos a bancos, furtos de viaturas, violações, roubos a residências, roubos a edifícios comerciais, tudo isso aumentou, assim como aumentou a chamada criminalidade grupal e juvenil. Pode ser um dos fenómenos que está aqui em causa. Pode ser aquilo que está aqui a acontecer, porque se fala das vítimas destes últimos dias, há situações diferentes. Aquele caso de Cascais é muito particular, mas nos outros casos parece haver justos de contas ali entre grupos ou gangues juvenis. E isso sabíamos que já vinha a aumentar dos anos anteriores. Pode haver um outro fator, que é um fator que se começa a falar cada vez mais, porventura Portugal não funcionar como destino, mas como ponto de passagem de redes de tráfico de droga. Nós tivemos também nos últimos dias uma situação de apreensão recorde de droga ali em Corroios, no armazém Corroios, com uma quantidade de dinheiro, uma quantidade até também de armamento. E pode haver ainda o efeito da presença em Portugal de grupos criminosos que vêm de fora do país. Aquele que se tem falado mais é o PCC, o Primeiro Comando da Capital, que é brasileiro. Algumas destas vítimas, em Lisboa e fora de Lisboa, são de nacionalidade brasileira. E ainda ontem, ou anteontem, houve um outro caso, que este caso envolvia colombianos, que foi uma perseguição com tiros na Costa da Caparica, de uma carrinha onde depois foram encontrados imensos bens roubados. Aí não era tráfico, era assaltos. Temos situações diferentes, e nós habitualmente só falamos disso uma vez por ano, que é quando sai o RASI. O ano passado andámos a discutir uma previço no que respeita ao RASI, saber se o que interessava lá estar era a versão da Judiciária sobre o extremismo de direita, ou se era a versão da PSP, não, da versão dos serviços de informações sobre o extremismo de direita, que diziam basicamente a mesma coisa. E foi disto que nós nos ocupámos, em vez de só tentar ocupar Tem de estar a perceber aquilo que neste momento tem que estar mais a cidadania, quer saber o que se passa. A ministra disse esta semana que há, de facto, mais casos, mas que não há razão para alarme. Dizer isto não adianta muito. Aquilo que na minha perspetiva pode adiantar é tentar que se perceba claramente se está a mudar alguma coisa e porquê. Se é pela operação em Portugal de redes que vêm de fora do país, seja o que for. Nós não estamos de forma nenhuma em situações parecidas com as de outros países. Só para teres ideia, no Rio de Janeiro são assassinadas por dia 10 pessoas.

Sim. Só no Rio de Janeiro.

Só no Rio de Janeiro. Em 2023, o registo é 4.300 homicídios. Nesse ano foram 12 assassinatos por dia, nem foi muito mais. Uma realidade completamente diferente. Lisboa não é o Rio de Janeiro, nem aquelas cidades da América Latina com uma violência imparável, mas nós queremos continuar a viver tranquilamente e a tirar os benefícios para nós e para a nossa economia de viver tranquilamente. É necessário discutir isto, não bater com a cabeça basta a areia e dizer: "Isto passa". Pode ser que, de facto, coincidência, como tu referiste, foi seguramente coincidência numa noite acontecerem três casos ou quatro, o que foi, mas uma coisa é coincidência e outra coisa é somarmos os números todos do ano e verificarmos que apesar de tudo, há uma evolução e não é positiva.

E há qualquer coisa a mudar. Até já, José Manuel.

Até já.

91 002 41 85 e demos a sua opinião em direto no "Contra Corrente", logo a seguir ao Jornal das 10.