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Maria, estás preparada para olhar para a janelinha?

Claro, eu até já ocupei a minha estação de visionamento.

Olha, fizeste muito bem, porque eu tenho aqui muitos slides para te mostrar.

"Do Avesso: um podcast sobre moda", com Margarida Brito Pais e Maria Ramos Silva. Eu acho que o Alessandro Michele deve ouvir-nos, claramente.

Certeza.

Já percebeu que adoramos o século XIX e por isso decidiu que o último desfile Valentino deveria ter uma forma muito especial. Os convidados assistiram ao evento a partir de um Kaiser Panorama, uma estrutura circular, que foi de alguma forma precursora do cinema, em que as pessoas iam espreitando para ver os looks das maquiagens que apareciam lá dentro.

Bem, na verdade, também lhe podemos chamar peep show.

Pois é, é mais simples. É verdade.

Ele percebeu, de facto, esta importância de parar o tempo e de vermos com calma os detalhes.

Quase que com uma lupa.

Ter aqui um ritmo diferente. E também, claro, criar imagens e experiências alternativas, porque fotografar por uma janelinha é mais difícil.

Eu vi algumas pessoas com o telemóvel em risco. Não sei o que é que aquilo deu com o vidro, mas lá tentaram. Olha, isto é algo que de facto sentimos em Paris, desde logo na semana masculina, essa tentativa de abrandar. Antes mesmo desse calendário de alta-costura, a marca portuguesa Ernest W. Baker estreou-se nos desfiles com um formato muito delicado contra este ritmo louco da moda. Eles passaram por um barco, que esteve parado num dos cais do Sena e, de facto, não precisou de andar para ser uma experiência muito bonita.

Sim, este parar no tempo, este zoom é cada vez mais importante, porque há detalhes que de facto só conseguimos perceber quando as coisas estão mais paradas. E é um formato que tem bastante público. Aliás, basta ver as filas que se formaram no fim de semana para ver a exposição da Dior, que mostra a gramática de formas do Jonathan Anderson, que aconteceu depois do desfile de alta-costura da marca.

Sim, é incrível. É uma exposição no Museu Rodin em Paris. Se tiverem a oportunidade, passem por lá, que junta a coleção de alta-costura com as cerâmicas de Madeleine Oduno, que tem um trabalho que também reinterpreta as formas do corpo e que inspirou as formas dos vestidos e também do novo modelo da carteira da marca. E de facto, há ali povo muito mais do que flores naqueles desfiles. Aliás, até houve um detalhe engraçado aqui nesta história, a Dior depois trouxe uma série de miúdos da escola para desenharem estas criações ao vivo, criando ali mais um momento também muito pessoal.

Exatamente. A ideia destas apresentações, que eles chamam Re-See, é exatamente que as pessoas e o público em geral, que não tem acesso ao desfile, possa conhecer a coleção de perto e ver lá está os detalhes, que de outra forma são mesmo impossíveis. Sobre a Dior, bem, primeiro aquele cenário de flores. De facto, não foi só flores, mas o cenário das flores é incrível. Mas há que lembrar que também não é uma novidade do Jonathan Anderson. O John Galliano usou, o Raf Simons também no seu debut de alta-costura também usou flores e até o Monsieur Dior tinha este fascínio por jardins. Para mim, até se destacam mais outros detalhes. Como os tecidos do século XVIII que foram usados nas carteiras. Também retratos, tipo camafeus, mini pinturas que foram transformados aqui em pregadeiras. A coleção teve qualquer coisa de gabinete de curiosidades. Depois tinhas os búzios, as pedras, essas coisas, como andar a reunir objetos e transformá-los em moda.

Portanto, século XVIII, eles ainda conseguiram andar mais para trás do que nós habitualmente andamos. Começámos no XIX, já estamos ainda mais para trás.

Sim, mas depois também trouxeram coisas um bocadinho mais recentes. Também foi aos anos 50, por exemplo, foi visitar os arquivos da marca e encontrou umas almofadas de viagem.

Adorei. Muito prático.

Parecem aquelas almofadas de praia, em forma de feijão, com uma coisinha mais funda para pormos aqui o pescoço.

Aqui muito elegante.

Exatamente. E ao que parece, o senhor Dior tinha feito umas coisas dessas para viagem e o Jonathan transformou aquilo numas novas carteiras.

Também faz lembrar um amendoim.

É muito engraçado.

Olha, em Chanel, nós tivemos meio regresso dos cenários megalómanos, de certa forma. Mas com o Mathieu Blazy, aqui mais fantasioso do que o Karl Lagerfeld. Provavelmente, os pássaros chegaram em pequenos detalhes, muito associados a mulheres livres, também um ideal da Gabrielle Chanel. Pássaros em botões, em peças aplicadas à coleção, nos saltos altos, enfim. E aqui neste show também gostei muito dos bordados de cogumelos, criados em várias camadas para darem uma tridimensionalidade.

Sim, as transparências foram super bem trabalhadas. E lá está, os cogumelos remetem-nos aqui também para um mundo encantado de fadas, que a própria casa trouxe aqui para o vídeo teaser com animações a fazerem lembrar a Cinderela, aquela cena em que os animais lhe estão a fazer o vestido para o baile.

Um pouco.

E eu acho que isto aqui foi um bocadinho uma piscadela de olho ao mercado asiático, que de facto é esta cultura do anime, sempre muito presente.

Olha, eu também senti isso naquelas flores nas orelhas de ore, com um toque muito Sailor Moon. Não sei se era eu que era fã, mas eram aqueles quase auscultadores muito delicados.

Não, e os próprios bordados das flores também havia coisas que faziam lembrar o Japão.

Totalmente. Acho que o mercado asiático está, de facto, ali debaixo de olho.

Olha, mas aqui voltando à Chanel, eu tenho que referir, tenho mais destaques. Lá está, as peças transparentes que recriaram os tailleurs, as carteiras, mas para mim aquelas calças de ganga de musseline. Olha, mais um bom exemplo que só se percebe no Re-See.

Ao pormenor.

O detalhe, porque havia linhas de vários tons de azul que formavam o chiffon ao musseline e de facto aquilo parecia umas calças de ganga super lavadas, que ficaram de repente transparentes. Depois também tinhas as correntes.

Claro, outro clássico.

São um clássico da Chanel. Aqui aplicadas nessas peças leves, o que lhes dava aqui um peso completamente diferente. Há que dizer que isto é um detalhe de alfaiataria Que eram usados, e ainda é, nas melhores marcas dentro dos blazers pra ficarem assim direitinhos e não caírem, nos casacos compridos também, e que a Coco Chanel trouxe para a sua marca, para a parte de fora.

Do vestuário masculino também para as senhoras.

Exatamente. Depois tinha estes fiados, que eram rigorosamente feitos, e depois as joias da Chanel, que na verdade aquilo parecem grandes pedras, mas são bordados tridimensionais de miçangas e cristais, não são mais do que isso, não há diamantes pra ninguém.

Mas olha, fazem brilharete. É o que é mais importante. Olha, pérolas nas correntes também e no look final de noiva. Por falar em noivas, eu acho que o Pantone 2026 esteve em alta, houve vários looks assumidos ou não, mais ou menos oficiais enquanto vestidos de noiva, mas que podem muito bem inspirar quem estiver aí pra se casar.

Sim, e em noivas temos que falar da Armani Privê, que teve um vestido de noiva que foi ainda desenhado por Giorgio Armani, apesar desta coleção ter sido apresentada depois da morte do designer. Que foi uma coleção com muitos trabalhos de cristais também, muitas transparências, muitos corpetes, aquilo tem muita manualidade. Mas tiveste um detalhe que pra mim, mais importante do que isso tudo, nos lembra o que de fato importa, que é no fundo, manter os pilares de uma grande casa de alta-costura, as tradições. E tivemos, claro, a clássica fotografia de grupo com todas as modelos e o diretor criativo, que agora é Silvana, sobrinha de Giorgio Armani.

Tiveram sim, é curioso. Olha, por cá é bastante comum os familiares ajudarem os designers, muitas vezes de uma forma logística, até porque falamos de pequenos projetos, pequenos negócios, é difícil alimentar grandes estruturas. Mas lá fora as grandes casas têm usado muito estas figuras de proximidade. Trazendo-as para a narrativa e para a história da marca. Eu não sei se tu tens seguido, mas tens seguido certamente a Liz Roseberry, irmã do Daniel Roseberry, da Schiaparelli. Eu adoro quando ela faz aqueles unboxings de vestidos de alta-costura que limam a Via Poerei.

O ar surpreendido dela, a naturalidade com que ela-

Podia vir da Shein, mas não, vem da Schiaparelli.

É incrível. E ela também fez uns vestidos de bastidores ótimos, que nos mostraram como é que a coisa é feita atrás. Ela andou basicamente atrás dele com o telefone e depois põe comentários dela, que é ótimo.

A fazer assim um work in progress.

Vês as provas de materiais, vês os vestidos que não chegaram a ser aprovados. Revela, na verdade, muito o processo criativo e vê-se que, de fato, é um processo de experimentação. É um exercício muito artístico, muito livre da Schiaparelli aqui pra alta-costura.

O que é que tu achaste daquilo? Eu sei que tu gostaste muito desta.

Adorei. Ele criou um bestiário humano, basicamente o conceito base da coleção é ver como é que o lado mais obscuro da humanidade pode ser bonito de alguma forma e ir buscar ali imagens que poderiam ser de horror, mas que depois, na verdade, quando tu vês aquilo, é incrível. E tu tens coisas fantásticas, como o uso das penas, por exemplo, que é feito de forma brilhante, porque aquilo cria um efeito holográfico quase tridimensional. E são de fato penas, não tens tecidos técnicos, não tens nada. É pela aplicação natural deste material que isso acontece.

Também miçangas, não é? Engraçado.

Tens um vestido que demorou 4 mil horas a ser bordado, imagina.

Ai, Deus do céu.

E os sapatos passaro, não nos podemos esquecer, com bicos em resina. Aliás, os bicos apareceram assim por todo lado.

Aquilo dava para afastar muita gente indesejada pela rua, imagina.

Completamente. Além daquele corpete também, que tem uns bicos no peito que parece de fato uma arma pra ninguém se aproximar. E depois também adorei um detalhe mais delicado, que foram os bordados. Tu tens as rendas, parece que as flores das rendas são aplicadas em cima de agulhas pra criar tridimensionalidade. Portanto, aquilo ao longe parece só uma tela 2D plana de renda, e na verdade, tem relevo por causa dessa técnica, que também é super delicada. E claro, as joias roubadas do Museu do Louvre.

Sim, não foram as próprias joias roubadas, senão teríamos outra notícia. Mas uma inspiração nisso.

Sim, que foram usadas aqui pela Tiana Taylor à entrada do desfile, mas depois também tiveste peças de arquivo da marca, peças que foram recriadas e lá está, muitas delas onde foram inseridas também umas cabeças de pássaros e umas bestas. Tudo em resina, mas olha, aquilo é tão realista, parece que aquilo vai sair dali e voar a qualquer momento.

Pois é. Olha, e depois tivemos um trampolim incrível, provavelmente. Vimos Bad Bunny nos Grammys esta semana a vestir uma criação do Daniel Roseberry para a Schiaparelli. Há quem diga que fará mais pela marca que mil desfiles. A Vervana é de fato uma megacelebriedade, está aí na crista da onda. O que sabemos é que todo esse trabalho dourado que tu acabaste de descrever contrasta por completo com o que vimos, por exemplo, em Alexis Mabille. Que ideia foi esta de apresentar todo um desfile em inteligência artificial? Nem sequer é inovador. Porque à medida em que já tanta gente está a explorar esta ferramenta pra produzir imagens, vídeos, até maquetes de uma ideia a tornar real no futuro. Isto faz algum sentido?

Bem, pra mim não faz, pra ele com certeza deve ter feito, mas eu acho que não faz e até mete aqui um bocadinho em causa o trabalho dos outros designers. A semana da moda alta-costura tem regras específicas.

Muito fechadas.

Muito fechadas. Uma delas é que tu apresentes coisas que na maioria é tudo feito à mão, aquilo é cosido à mão, os próprios bordados, a aplicação de pedras, é tudo feito à mão, não é com máquinas de costura, não é com máquinas automáticas, os moldes. Tu quando crias uma peça de alta-costura, não podes depois ir produzir aquilo em mass market a seguir.

Um e três, acho eu, pra isso.

Algumas cópias. Exatamente, tem que ser tudo ajustado ao corpo das clientes.

Tudo bespoke.

Portanto, de repente apresentar umas coisas feitas. Além de que tens que ter costureiras in-house todo ano a trabalhar pra isto.

Isto sim é uma máquina, mas uma máquina artesanal.

Apresentares uma coleção em inteligência artificial não faz qualquer sentido para mim.

Sim, se calhar foi uma tentativa de criar surpresa aqui no meio de tanto caos, provavelmente frustrada, não sabemos. Eu não percebi bem também aquele desfile inesperado de Saint Laurent a meio da semana da alta-costura em Paris.

Acho que ninguém percebeu muito.

Acho que ficou ali perdido, teve pouca cobertura. Vimos Kate Moss, que é sempre uma coisa agradável, mas pouco mais do que isso.

Sim. Olha, quem teve cobertura foi a Lauren Bessette.

Muito mais.

Que nos últimos tempos se tem vindo a infiltrar neste circuito da moda e que andou por Paris, imagina, quase de braço dado com a Anna Wintour. Estavam ali BFFs. A Anna Wintour é a senhora que diz quem é que está in e quem é que está out.

Costuma ser. Mas eu com as saias pencil com que a Lauren Bessette andou, não sei se ela conseguiria sentar-se no "Pip Show" do Mickael.

Não dava muito jeito.

Não deve dar muito jeito. A internet encheu-se de piadas, claro. Diz que tudo o que a Lauren veste, por mais caro que pareça, na verdade, dá ideia que foi encomendado na Amazon. As pessoas também não são simpáticas.

Sim, até as encomendas da irmã do Rosebery têm melhor aspeto do que aquilo.

Sim, isso é verdade. Seguramente, até aqueles pacotes todos amassados, sim, é um facto. Mas esta não será mais uma jogada cultural interessante/inteligente da Anna Wintour? É que ela há 10 anos também chocou meio mundo quando decidiu dar a capa da Vogue à Kim Kardashian. Muita gente achou que a prestigiada revista de moda tinha batido no fundo.

Nós já não nos lembramos bem.

Às vezes vale a pena nós pormos as coisas em perspetiva.

Foi um escândalo. Eu lembro-me quando também a Rihanna e outras cantoras.

Eram celebridades, não eram propriamente pessoas que viessem do mundo da moda.

Mas se nós pensarmos bem, não é estranho, porque tu já reparaste que a Vogue americana é a que coloca mais celebridades na capa. Quase tudo são capas com celebridades, só que aparece aquilo com uma produção tão moda que a coisa acaba por passar. Mas a revista tem muito essa ADN, até no interior. Se formos ver bem, as reportagens, por exemplo, de design de interiores ou de noivas, geralmente estão muito associados a-

Tem a cara da celebridade. Tem a ver com a própria dinâmica cultural do país também. A cultura das celebridades é muito maior.

Celebridades ou pessoas que querem ser famosas e que têm dinheiro para isso. Aliás, eu acho que muitos destes artigos funcionam aqui um bocadinho como um "rubesadinho" para ver se a revista encontra donativos e financiamentos, porque de facto hoje em dia vive muito disso. Aliás, não nos podemos esquecer que a Met Gala deste ano vai ser paga pelo Bezos.

Sim, ele quererá ter uma palavra a dizer para si e para a sua senhora, é verdade.

Isso explica que ela ande em tour pelas semanas de moda com a melhor guia turística que há nesta área.

Que é a senhora que no fundo abre a porta do grande evento do ano, do ponto de vista de moda. Olha, também faz parte deste circo um certo teatro, não é? Lá está, como se nós estivéssemos num desfile Victoria and Ralph, que também foi muito isso.

Este último foi muito um teatro. Basicamente, para quem não viu, primeiro entrou um pequeno vestido branco, sem grande coisa que se lhe diga, curtinho e tal, e a seguir numa sucessão de vestidos pretos, com umas golas, umas mangas, umas coisas muito trabalhadas com muitas cores, e eles foram tirando essas peças dos vestidos pretos e colocando em cima do vestido branco e acabaram por criar um vestido absolutamente megalómano, que depois acabou a esvoaçar por ali como se a modelo fosse um papagaio de papel. Portanto, foi uma coisa bastante alternativa.

Olha, no meio disto tudo, já quase ninguém se lembra que a Gianbattista Valli cancelou o desfile da alta-costura em cima da hora. Segundo a marca, foi uma pausa para reflexão. É sempre aquelas coisas que se dizem nesta altura.

É verdade, mas apesar destas reflexões todas, o que as pessoas comuns refletem é sobre quem é que compra.

Para quem é que isto é feito.

Para quem é que isto é feito, quem é que compra alta-costura, afinal?

Sim, nós sabemos que estas peças são usadas nas passadeiras vermelhas, de facto, mas também sabemos que aí são peças emprestadas. Portanto, é para devolver à casa de partida, pelo menos pressupõe-se. A não ser que as pessoas fujam com o vestido.

Sim, comprar realmente são poucas. Os números dizem-nos que em todo o mundo haverá entre 2 mil e 4 mil clientes de alta-costura, mas apenas 200 ou 300 são consumidores regulares. Portanto, isto é mesmo uma coisa muito de nicho. E estamos a falar de mercados como Rússia, China, Médio Oriente e também Estados Unidos, alguma coisa.

Olha, também de marcas em certos mercados emergentes como a Índia. A Gaurav Gupta, por exemplo, tem cada vez mais peso. E falamos de clientes como, por exemplo, a rainha Rania da Jordânia, que é assídua neste segmento, encomendando vestidos de dezenas de milhares de euros, ou um caso muito recente em termos noticiosos, o da Mouna Al Jubeh, uma socialite libanesa fixada em França, que é conhecida como a rainha da alta-costura por ser uma das maiores colecionadoras do mundo, senão a maior mesmo, e que de vez em quando esvazia o seu armário, porque tem que arranjar espaço para mais.

Que aquilo são vestidos que ocupam espaço.

Leiloa ali dezenas, para não dizer centenas de peças que lhe permitem arranjar espaço, de facto, para coisas novas.

Sim, foi o que aconteceu em Paris na semana passada, quando vendeu quase 100 peças de diferentes fases da Dior.

Sim, ela conheceu toda a gente, é incrível. Acho que só não conheceu mesmo o senhor Dior, mas de resto, desde o Mark Bond por aí fora.

E o leilão rendeu quase 7 milhões de euros, o que dá sempre jeito.

É ótimo. Já se compra qualquer coisa.

Já se compra qualquer coisa. Ainda por cima ela diz que não usa o mesmo vestido duas vezes.

Acho que só usou uma vez no aniversário do Elton John e depois em Cannes, porque era uma coisa que ela gostava muito, mas foi excecional.

Resta saber se é porque não são práticos ou porque se ela gosta mesmo de estar sempre a renovar o seu stock.

Olha, mas é de facto um absoluto mercado de nicho, já percebemos. Sempre o foi, naturalmente. Nos anos 50 era do New Look da Dior. A verdade é que ainda se encontraria em todo o mundo cerca de 20 mil clientes de alta-costura. A coisa foi encolhendo. Também os valores são outros, custava bem menos do que custa hoje.

Claro, o que se tem mantido é de facto este formato de desfile, mas que foi inventado, curiosamente-

O das maquiagens vivas, digamos assim.

O manequim vivo foi inventado aqui pelo Charles Frederick Worth, o pai da alta-costura, ainda no final do século XX.

Século XIX, aliás.

Século XIX, exatamente. Isto já andamos tanto para trás e para a frente.

Ele era muito adiantado, de facto.

Era muito adiantado.

Ele era muito adiantado.

Olha, e económico, porque a primeira modelo parece que foi a mulher dele.

Ela é a servente de cobaia. Sai um desfile mais barato, não tem que pagar, muito bem. Olha, o movimento, de facto, não demoraria a surgir nestes espetáculos. No começo do século XX, agora sim, a inglesa Lady Duff Gordon, que era uma espécie de designer, pioneira, costureira, criadora de moda, foi uma das primeiras a montar um espetáculo com manequins, cenografia, luzes, uma entrada coreografada e, muito importante, uma assistência por convite.

Mas sabes o melhor? É que a Lauren Bessette até pode ter ido ao espaço, mas esta senhora de que falas sobreviveu ao Titanic.

É verdade, é incrível. E também teve muitas chatices porque parece que depois descobriu que vendia vestidos que não eram desenhados por ela.

Olha, é sempre bom dizer adeus com um escândalo.

Se calhar valia-te a zarpar e ter ficado em Nova Iorque. Olha, até porque usaram em todas as épocas, como vimos. Portanto, até para a semana.

Até para a semana.