Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Está no ar mais uma edição de You Campeão É, na Rádio Observador. Vamos olhar para a atualidade desportiva e começamos hoje com Cristiano Ronaldo, que ontem foi apresentado no Al-Nassr. Na equipa de hoje temos Pedro Henriques, Júlio Magalhães e João Pinto. Boa tarde a todos. Júlio, começo por ti. Como é que foi assistir a essa apresentação de Cristiano Ronaldo durante a tarde de ontem? Muita gente nas bancadas, uma espécie de conferência de imprensa. Não foram propriamente os jornalistas a fazer as perguntas, mas o que te parece toda esta movimentação e este momento da apresentação de Ronaldo?
Boa tarde a todos, bom ano, porque ainda não tive occasions.
É isso. Bom ano. Ainda vale.
Ainda vale. Parece-me bem. Acho que Ronaldo acaba por dar um bom passo. Em termos desportivos pode não ser, mas toda a gente parece que sabe o que é que Cristiano tem que fazer e o que é que há de fazer. A verdade é que ele ontem disse uma coisa importante: já fez o seu trabalho na Europa. Não sei se vai voltar, se não vai, e se um dia pode ter a oportunidade de voltar, não interessa. Ele já conseguiu todos os recordes possíveis e imaginários. O que lhe faltava mesmo era ser campeão do mundo, mas nós sabemos que isso era irrealista para a dimensão do país. Era muito difícil de acontecer alguma vez, e vai ser difícil alguma vez Portugal ser campeão do mundo, mas era o que lhe faltava fazer, de facto. Na Europa, isso era sempre muito difícil de acontecer. As coisas não correram bem e dá um passo para um novo mundo. Ou seja, o Cristiano já tem passado, teve um presente e agora apostou, sobretudo, no futuro. Há um novo mundo. É evidente que há aqui a componente financeira, que também é importante, como é óbvio. Nunca ninguém na vida diz que tem dinheiro a mais. Nós dizemos é que temos dinheiro a menos, a mais ninguém diz. Essa componente é importante, mas Ronaldo pode abrir no mundo árabe e pode primeiro deixar um legado e segundo pode abrir uma nova perspetiva num país como a Arábia Saudita, onde pode até um dia ter academias Cristiano Ronaldo, pode tornar-se verdadeiramente ainda mais uma lenda para o futebol mundial e sobretudo para o mundo árabe, agora noutra zona do mundo. E portanto acho que é natural, fez bem. Eu não sei como é que ele daqui a dois meses vai estar a viver em Riade e longe dos holofotes e num campeonato que não é tão bom como os outros. Como é que vai reagir, se vai dar bem ou não. Mas também não sei se não será assim tão mau durante alguns tempos o Cristiano Ronaldo estar também longe um bocadinho daquilo que são os holofotes do futebol mundial, da vida europeia, daquilo que ele estava habituado e retirar-se um bocadinho. E pronto, acho que é uma boa decisão dele nesta fase da vida dele.
Pedro Henriques, vimos ontem uma cerimónia muito parecida com aquilo que aconteceu no Real Madrid há uns anos. Conferência de imprensa, depois uma apresentação junto dos adeptos, um discurso no centro do relvado, umas bolas para a bancada. É óbvio que estamos a falar de dimensões completamente diferentes, mas como é que assististe a todo este momento de Cristiano Ronaldo na apresentação do Al-Nassr?
Boa tarde. Eu se calhar diria que esta apresentação tem muito mais impacto social do que teve a do Real Madrid. A começar pela questão das mulheres. Repara que foi tudo feito com uma intenção, uma senhora na apresentação, entrega personalizada de uma bola a uma jovem mulher, menina, neste caso, que estava na bancada. A fotografia da praxe com miúdos e meninas também, e miúdas, portanto. Há aqui um aspecto social e uma dimensão que a própria Arábia Saudita de alguma maneira está a tentar passar essa mensagem.
E o Ronaldo falou disso também.
E Ronaldo falou disso inclusivamente na apresentação. Depois há um impacto que era quando o Al-Nassr tinha 800 mil pessoas no Instagram, passado uma hora tinha 1,6, 1,6 milhão, e passado uma semana tinha 6 milhões. E agora neste momento nem sei, ainda nem fui lá ver. E se as pessoas perceberem: "Ah, mas o que isso importa?" Importa que isto é dinheiro. Não sei se as pessoas têm noção do que valem as redes sociais, do que valem publicações em redes sociais que começam a atingir os milhões. Portanto, o Cristiano Ronaldo neste momento passou da tal dimensão de que quando nós falamos, neste caso agora concreto, do Pelé, todos nós dizemos que o Pelé é do Brasil, é dos brasileiros, mas é do mundo. E Cristiano Ronaldo neste momento é do mundo. E isto revela a sua dimensão mundial e até este aspecto mais para além da parte desportiva, ou também aproveitando a parte desportiva, daquilo que é a sua dimensão social. E há uma coisa interessante, o Júlio Magalhães estava aqui a dizer que ele se calhar agora vai-se retirar um bocadinho, fora dos holofotes. Não, a questão agora é: quem é que vai transmitir os jogos do Al-Nassr? Neste momento já se está a discutir isso. Quem são as televisões que vão começar a pagar os direitos? Portanto, ele não vai sair dos holofotes. E vou dizer mais: e não vai sair da seleção nacional. E portanto, se acham que o Cristiano Ronaldo acabou, está terminado. Não, está numa fase diferente. Aproveitou o contexto que lhe foi possibilitado agora, porque obviamente ele se calhar queria estar no Paris Saint-Germain ou no Bayern de Munique. Isso não foi possível e continuam a insistir nesta tecla, sem perguntar ao Cristiano Ronaldo. Vamos ver onde é que ele está daqui a seis meses. Se o patrão do Al-Nassr, que é o patrão do Newcastle, vai à Liga dos Campeões, se ele daqui a seis meses não está a jogar outra vez na Liga dos Campeões. É esperar para ver. E o Cristiano Ronaldo vai ter ali um papel muito relevante e importante nesse aspecto da dimensão social, política e económica. O Cristiano Ronaldo passou para além daquilo que é a parte do desporto, agora e no futuro.
Vamos ainda olhar para este tema com o João Pinto, até porque temos o Cristiano Ronaldo a transportar ou a dar uma dimensão diferente àquilo que é o futebol asiático. Vimos nos últimos anos a China a contratar muitos jogadores ainda em idade jovem. Agora esta movimentação passa a ir novamente para a zona das Arábias. E esta chegada de Cristiano Ronaldo à Arábia Saudita, João Pinto, tem de facto esta importância social também, vês dessa forma?
Eu não quero ser o negativo do grupo, mas de repente parece que ele foi promovido. Não, ele foi lá acabar a carreira, foi encher os bolsos. Não me parece que seja diferente de tantos que o fizeram antes dele. A única coisa é que pagaram mais ao Ronaldo por ter sido o Ronaldo. Acho que o Newcastle daqui a seis meses, depois de ter o Alexander Isak recuperado, pode contratar um grande ponta de lança jovem e não tem interesse nenhum em meter um jogador que ainda tem contrato até 2030 com a Arábia Saudita, de 40 anos, no meio do plantel. Portanto, acho que o Cristiano Ronaldo foi acabar a carreira dele, uma carreira brilhante, mas que está no fim. Acho que as portas dos Estados Unidos fecharam-se depois daquele caso que ele lá teve. A China também, entretanto, fechou os cofres aos rios de dinheiro que saíam e sobra mesmo as Arábias e, portanto, o Cristiano Ronaldo foi para lá. O impacto social que ele pode vir a ter, não sei se é o impacto social que a Arábia Saudita quer que o Ocidente veja, se é o impacto social que riem. Mas acho que do ponto de vista do Cristiano Ronaldo, vai jogar futebol quase amador, comparado com aquilo que ele jogou a vida toda. E depois nós vamos ver cá os jogos, vamos ver o Talisca, vamos ver este e o outro jogador também e vamos perceber que estão lá grandes jogadores, mas que não estão bem a jogar a bola. Aliás, basta ouvir aquilo que alguns treinadores dizem quando lá vão treinar e que depois voltam, dizem: "Não sei como é que hei de motivar aquela gente que chega toda de Bentley a correr". Portanto, acho que é uma coisa diferente. É o fim. É o fim de Cristiano Ronaldo.
Vamos olhar para o campeonato nacional, para as contas nacionais e para o mercado nacional. Júlio Magalhães, começo por ti, não em questões de mercado, mas quanto à questão da lesão de Pepe. Afinal, teve mesmo que ser operado. Ainda estamos a falar daquela lesão que ficou em destaque no jogo contra Marrocos, no pulso de Pepe. Afinal, vai ter que ser operado e isto pode atrasar aqui um pouco mais o regresso do jogador ao Futebol Clube do Porto.
Sim, mas vamos lá ver. Isto já era esperado. É evidente que isto é uma lesão diferente de todas as outras. Mas é evidente que o Pepe, com a idade que tem, eu lembro que aconteceu quase o mesmo com o Jorge Costa na altura, é um jogador que tem que ser gerido, tal como o Cristiano Ronaldo. Já não podem jogar os jogos todos, já não podem jogar uma época inteira e as lesões são mais fáceis de aparecer. Aqui o problema é que o Pepe é um jogador muito importante para o Porto, e sobretudo a partir de fevereiro, não sei qual vai ser agora o tempo de recuperação do Pepe, mas a partir de fevereiro, onde o Porto volta a ter Liga dos Campeões, volta a ter competições europeias, volta a ter o campeonato, está a discutir o campeonato. O Pepe nesses jogos e nessa fase é muito importante e, portanto, não é problemático isto agora. É problemático é que o Pepe já tem que ser gerido desta forma, já foi gerido para o Campeonato do Mundo desta forma, não jogou quase antes do Campeonato do Mundo, agora também não. É isto, é a idade dos jogadores que vai avançando, vai provocando estas lesões. Ainda assim, é um jogador que ainda tem um ano de contrato com o Porto e pode renovar, porque não jogando os jogos todos, é muito importante nos jogos que joga. E se estiver a partir de fevereiro apto a dar o contributo ao Porto, acho que não é problemático nesta altura para o Futebol Clube do Porto, julgo eu.
Sim. João Pinto, quanto a Enzo Fernández, continua a discussão, continua a novela. Ontem falámos aqui um bocadinho do impacto desportivo que isto pode ter. Pergunto se achas que Enzo Fernández vai a jogo na sexta-feira.
Acho que vai a jogo na sexta-feira, até porque é um jogo em que o Benfica não tem o Rafa, é um jogo que é importante ganhar, porque o Benfica vem de uma derrota e porque a seguir há jogo com o Sporting. Acho que só se já estiver a caminho de Inglaterra é que não joga. Se estiver disponível, mais multa, menos multa, acho que vai acabar por ir a jogo. Acho que isto não diz nem deixa de dizer sobre a disciplina do clube. Há muitas maneiras de matar pulgas. Outra coisa é dizer-se que o Enzo já não está fora. Eu acho que ele já está fora. Agora é uma questão, já são águas passadas, resta perceber é quando é que elas acontecem. Sinceramente, já não vejo o Benfica a jogar, como estava a dizer o Júlio, na Liga dos Campeões ou nos jogos que aí vêm. Acho que o Benfica está a tentar tudo para que o Enzo ainda jogue o derby e depois logo a seguir sai. Mas é uma teoria muito minha.
Mas nestas condições, parece-te importante o Enzo jogar o derby?
Nestas condições, eu acho que o Enzo é um jogador determinante, é um grande jogador e o Benfica não tem um substituto à altura para aquela posição. Acho que as contas se fazem facilmente. Desportivamente, o Benfica não tem como, a não ser que o Enzo faça uma birra descomunal, deixe de ir a treinos, faça declarações públicas, ou seja, que estique a corda até ao ponto em que o problema disciplinar passe a ser a presença dele e, portanto, ele tem que ir treinar para a praia. Acho que não estamos nesse ponto. Acho que estamos num ponto em que ele ainda está com um amarelo, ainda não tem o vermelho, mas rapidamente vai mudar para azul, aparentemente para o Chelsea.
Muito bem. Vamos então às nossas notas de campeão. Ainda tenho aqui um destaque que Pedro Henriques, vimos as imagens de Messi a regressar ao PSG ainda antes da nota. Estamos a ver Messi consecutivamente em diferentes homenagens. Como é que viste essa chegada ao Paris Saint-Germain, aplaudido por todos os jogadores ali como uma guarda de honra, quase?
E que o Luís Campos entregasse um troféuzinho. Acho bem. Se ele foi campeão do mundo, é uma forma simpática que os seus colegas e o clube têm de fazer essa homenagem. Acho muito bem que o tenham feito, é simpático e continua a ser motivante e mostra uma boa integração, no sentido que os outros colegas, mesmo com egos muito elevados, respeitam um jogador que pode ser importante para aquilo que resta para o Paris Saint-Germain. Duas notas rápidas. É só relembrar que aquilo que aconteceu ao Pepe não tem nada a ver com a idade. Tem a ver com uma fratura de um osso, de um braço. Qualquer um de nós que punha gesso e está a andar de moto, ele é um jogador de alta competição, é preciso que todos aqueles ossinhos fiquem bem alinhados. É por isso que ele fez esta cirurgia, só para ter a certeza que aquilo fica no ponto. Não é uma lesão tão limitativa assim, em termos de futuro para jogar, como seria um joelho, um tornozelo ou uma parte muscular. E em relação ao Enzo, penso que é do conhecimento, ontem o Rui Costa num hotel em Inglaterra, com o Jorge Mendes até à 01:00 a.m. Não sei se será Enzo, será outra coisa qualquer. Em pleno Londres. Não sei se sabiam isso. Penso que alguma comunicação social já tem vindo a falar sobre esta questão. Concordo com o João Pinto, se o Enzo souber que vai ser vendido e se vai embora, ainda podem explorar, no bom sentido da palavra, mais um ou dois jogos e o segundo jogo, o dérbi contra o Sporting podia ser importante se tiver o talento de cabeça posta no jogo. Obviamente, porque o Enzo é um jogador diferente e diferenciado, é uma máquina. Eu gostava que ele ficasse cá em Portugal, mas agora começo a perceber que vai ser mesmo difícil que fique até junho, como inicialmente o Benfica queria. Já agora, a nota.
Sim, podemos começar por aí, Pedro. Vamos a isso.
É rápido, fica já despachado, até porque a minha nota tem a ver com aquilo que aconteceu ontem. Nós temos que marcar em breve um almoço para levantar a moral ao João Pinto, que está andando um pouquinho desanimado, triste e pessimista. A gente vai animá-lo. Eu acho que a apresentação do Cristiano Ronaldo não tem nada a ver com as apresentações de todos os outros que vão jogar para os Eldorado. Eles jogam com uns valores já bastante simpáticos para nós todos. O que o Cristiano Ronaldo fez foi só o melhor contrato que um desportista fez no mundo até agora do desporto. Não tem nada a ver, o Cristiano Ronaldo é completamente diferente e diferenciado. Não concordo nada que ele está a acabar a carreira. Quando o Cristiano Ronaldo marcar gols pela seleção, estarei cá para chatear a cabeça ao João Pinto e dizer: "Estás a ver? Mais um gol que ele marcou pela seleção". A minha nota de destaque vai exatamente para o 18, para o Cristiano Ronaldo, para a dimensão que ele é. E repito, vamos agora ver jogos que nunca tínhamos visto. Nós e vários países, que as televisões já andam doidas para conseguir exatamente esses direitos de imagem. Por incrível que pareça, é o Cristiano Ronaldo, é o planeta Ronaldo.
João Pinto?
Eu queria dar um oito para uma estrutura do Benfica que parece exatamente feita num oito, porque não conseguiu prever esta saída do Enzo com tanta brevidade e que está a tardar em comunicar a saída de todo este imbróglio. Seja para o jogador sair, seja para ficar, seja para ser substituído, interessa rapidamente que Rui Costa dê um sinal aos benfiquistas daquilo que vai acontecer.
João, e Diego Moreira está também no meio desse oito, esta saída da equipa principal?
Diego Moreira, Cher Ndour, Luís Semedo, João Neves. Há uma série de miúdos metidos neste defeso que Rui Costa e Rui Pedro Brás provavelmente não foram estas passas que eles quiseram. Não foi isto que eles pediram na passagem do ano.
Muito bem. Júlio Magalhães, para fechar.
Eu vou dar aos treinadores portugueses. Estava a ver hoje, por acaso, os jornais. O Marco Silva vai ganhando, o Carlos Carvalhal está no Celta, disse adeus à Taça mas está no campeonato de Vigo. Jorge Jesus ganhou, Mourinho começa hoje na Roma e há sete treinadores portugueses no Campeonato Brasileiro. O Pedro Martins agora vai para o Qatar, o Carlos Queiroz é apontado à seleção. Há vários treinadores na Arábia Saudita, alguns portugueses. Acho que os treinadores portugueses estão também a espalharem-se pelo mundo e sobretudo para grandes campeonatos, grandes equipas, não estou a falar desses, mas pelo menos são requisitados, são conhecidos. Esta equipa do Ronaldo já teve dois ou três treinadores portugueses, porque são treinadores de confiança e vai um 17 para os treinadores portugueses, que para além dos que temos cá, andam estes todos pelo mundo e hoje cada vez mais a serem solicitados para quase todos os campeonatos, pela confiança que transmitem. E o Brasileirão este ano vai ser uma emoção com sete treinadores portugueses. Já vale a pena seguir o Brasileirão este ano, muito mais. Mais, na minha opinião, que a Liga da Arábia Saudita.
Miguel, temos só a agradecer. A parte melhor da apresentação do Ronaldo foram as músicas, os hinos que eu ouvi hoje de manhã tocados pelo Júlio. Júlio, muito obrigado por teres partilhado connosco.
Para ouvirmos esses três toques. Terminamos assim esta edição de "E o Campeão É..." hoje com Pedro Henriques, Júlio Magalhães e também João Pinto. Estamos de regresso amanhã, depois das 15h30.