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Todas as manhãs aqui na Rádio Observador analisamos e pontuamos os debates presidenciais. Hoje olhamos para os que ocorreram ontem. Marisa Matias com André Ventura na SIC, Tiago Maia Gonçalves com Ana Gomes na TVI 24, Vitorino Silva com Marcelo Rebelo de Sousa na RTP3. Para essa análise e para essa pontuação temos conosco, como de costume, José Manuel Fernandes, também Miguel Pinheiro, Rui Pedro Antunes e Miguel Santos Carrapatoso juntam-se à equipe das manhãs 360, Judite França, Paulo Ferreira e Carla Jorge de Carvalho.
Bom dia, mais um dia, mais três debates. Houve revelações, houve acusações. Vamos a eles, a começar pelo mais aceso entre Marisa Matias e André Ventura. O vencedor é José Manuel Fernandes?
Bem.
Suspiro.
Apesar de tudo, tenho que dizer que o vencedor é André Ventura, mas é um vencedor por 5 x 4.
5 para André Ventura, 4 Marisa Matias. Desculpa, eu sou contabilista de serviço.
Fazes bem. Sim, eu também estava. Obrigada por verificar. Muito baixo.
Muito baixo. São notas muito baixas. Aquilo foi um debate travado todo na lama. E evidente, quando é travado todo na lama, a vantagem é para André Ventura. Eu diria que pela primeira vez Marisa Matias acordou, não esteve a dormir, mas naquele nível de lamaçal não conseguiu ter grande vantagem, até porque André Ventura levava muitos argumentos. Ela continuou nas questões mais substantivas a não conseguir sair da sua conversa habitual sobre o SNS, a pele do SNS de Arnaut e...
E João Semedo.
E João Semedo, portanto, é a sua ladainha. E depois, evidente, que trouxe os seus casos e casinhos, o outro respondeu com outros casos e casinhos e não saímos disso durante o tempo todo. Ficamos lá embaixo, numa nota muito negativa. Eu admito que tenha provavelmente sido um dos debates mais vistos de toda esta campanha eleitoral.
Mas isso é como os desastres de automóvel na estrada, não é? Também toda mundo para pra ver.
É como os desastres de automóvel na estrada, as pessoas ficam a ver para ver o espetáculo.
Miguel Pinheiro, também estás pouco generoso para este debate.
Não sou tão pouco generoso. Agora, acho que Marisa Matias tem que ter consciência de que aquilo que ela fez ontem é que é normalizar André Ventura. Ela queixa-se muito das pessoas e das forças que normalizam André Ventura. Ora, quando Marisa se transforma num André Ventura, está a normalizá-lo. O que ela está a dizer ali é que é normal um político chamar a outro vigarista, é normal um político chamar a outro cobarde. Tudo isso é normal. E portanto, a partir do momento em que Marisa Matias chama vigarista a André Ventura, passa a ser normal André Ventura chamar de vigarista a Marisa Matias. O tom, tudo aquilo lhe saiu mal. Aliás, até chegamos a momentos em que André Ventura se transformou no moderado do debate, quando diz: "Eu daria posse a um governo do bloco, se essa fosse a opção dos portugueses". André Ventura .
Estamos com dificuldade, de facto, na ligação do Miguel Pinheiro. Agora, sim, Miguel, perdemos-te outra vez. E continuamos a perder.
Estão a me perder?
Sim, agora sim, agora já te ouvimos. Podes dar a pontuação antes que desapareças outra vez?
Ventura 14, Marisa sete.
E com essa vantagem, ainda assim, para André Ventura, que como dizes, conseguiu ser moderado neste debate. É assim. Rui Pedro Antunes, que avaliação é que fazes deste debate entre Marisa Matias e André Ventura?
Parecida com a que foi feita até aqui. Eu acho que Marisa Matias, nos outros debates, foi o Dalai Lama e agora deixou cair o Dalai e ficou apenas na lama. Depois, acho que ao debate não faltou nada, talvez só o Otávio Machado ali no meio para ficar mais parecido com um espetáculo televisivo.
Uma coisa séria.
Sim. Eles tiveram ali taco a taco nesse nível de debate. Eu tinha dito aqui no início que aquele debate de João Ferreira com o próprio André Ventura, que eu gostava porque era vivo, ao contrário da maioria. Mas, de fato, aqui está a diferença. Uma coisa é falar da Coreia do Norte, do West, disto e daquilo. Outra coisa é ir para coisas específicas de: o teu gabinete é um vigarista, é um cobarde. E foi isso que se passou ontem. Depois, também reparei que André Ventura já saltou e titula de mauzão, o que eu acho sempre bom quando alguém se intitula de mauzão. E até sugeri ao Miguel Pinheiro que me desse o nome da rubrica dele para o bom, o mau e o mauzão. Também é tão assíduo o André Ventura lá. Depois, mais um argumento que é irrebatível, que é: "Vossa pensa que vinha bater comigo ou vinha de frontal ao Rato Mica". De fato, é um argumento novo e que isso é sempre de louvar.
Não é a primeira vez que a Disney entra no discurso político em Portugal, mas enfim.
Não é. Para resumir, dou nota negativa aos dois, ainda assim uma ligeira vantagem para André Ventura, porque de facto neste registo ele sente-se mais à vontade e vai ganhar sempre que o levarem para aí. Daí André Ventura nove, Marisa oito.
Muito bem. Miguel Santos Carrapatooso, e tu, como é que olhaste para o debate?
Também com um longo e pesado suspiro terei de dizer André Ventura. Foi uma coisa muito feia de se ver. E a primeira vez nesta campanha, podemos dizer que não foi André Ventura que começou a brincar na lama, o que é revelador. Marisa Matias levou, a meu ver, uma estratégia incompreensível para o debate e num piscar de olhos já estava a falar da PJ e do gabinete de André Ventura. E também foi Marisa Matias quem primeiro puxou pelos insultos pessoais mais básicos, o que mais uma vez digo, é revelador. Eu até consigo perceber o objetivo da Marisa Matias, mostrar um lado mais combativo, que agrada ao eleitorado de esquerda, que não suporta André Ventura. Mas esta estratégia de Marisa tem dois problemas. A grande força de Marisa há cinco anos foi precisamente como conseguiu consolidar a imagem de moderação, apesar de ser do Bloco, coisa que neste último debate atirou borda fora. E por outro motivo, que é se há alguém no Bloco que entraria naquele lamaçal e sairia por cima, não é certamente Marisa Matias, não é esse o seu perfil, mesmo dentro do partido. Esteve irreconhecível e tentou ser uma cópia de Ventura. E já se sabe que entre a cópia e o original, resulta sempre melhor o original. André Ventura teve um momento de clarividência ao expor o disparate de Marisa Matias sobre a questão de não dar posse a um governo com o Chega. E depois também ficou por aí. Continuou sem responder a nada do que é relevante, a mentir descaradamente em muitos momentos e a comportar-se como a bully do recreio. Tudo muito infeliz, tudo muito pouco digno, tudo muito dispensável.
E com negativa também para os dois candidatos?
Sim, André Ventura sete, Marisa Matias seis.
Paulo Ferreira, e as tuas notas?
Não desalinho desta avaliação. É de facto estranho. Marisa Matias estava ali a desempenhar um papel que não era o dela. Ela não tem feitio para aquilo, para aquele nível de debate, para aquela luta na lama. Isto é um elogio para ela. E quando ela trouxe o debate para esse terreno, obviamente que André Ventura ganha, porque ele vive daquilo. Ele tem longos anos de debate futbolístico, que muitas vezes não passa disto. E portanto, o que é estranho aqui, de facto, foi o caminho escolhido voluntariamente por Marisa Matias. E já agora, um balanço aqui à esquerda, porque já temos dois debates de candidatos de esquerda, Marisa Matias e João Ferreira. A esquerda está com muito mais dificuldade em combater nos debates André Ventura, em expor aquilo que ele é, do que a direita. André Ventura sete e Marisa Matias cinco.
Julieta de França, só faltas tu. Que notas é que dás e quem é que vês aqui como vencedor?
Ora, o vencedor é André Ventura, mas muito à tangente. Têm os dois nota negativa. E eu ainda tentei contar o número de vezes que a palavra mauzão foi dita no debate. Perdi a conta, porque entretanto fiquei: por que quis entrar na luta da lama com André Ventura? Aquele final diz muito sobre o que foi o debate, quando Clara de Sousa disse qualquer coisa como: "Eu peço-vos para concluírem, de outra forma, eu vou pedir para vos desligarem os microfones." Acho que essa frase diz tudo sobre o nível de conflitualidade e de luta rasteira que foi o debate. Acho que, na verdade, não ganha ninguém. E acho que Marisa Matias mostra uma faceta que não é a sua e que pode até de alguma forma afastar alguns dos seus eleitores clássicos. Mas dito isto, querer jogar à André Ventura, no terreno de André Ventura, é um erro crasso.
Posto isto?
Posto isto, eu vou dar um oito a Marisa Matias e um nove a André Ventura.
E portanto, André Ventura fica com 51 pontos, Marisa Matias com 38. Paulo Ferreira?
Mas são os dois corridos a negativa, 8,5 para André Ventura e 6,3 para Marisa Matias.
Vamos passar para o próximo debate entre Tiago Maia Gonçalves e Ana Gomes. José Manuel Fernandes, como é que viste o vencedor deste frente a frente?
Ora, este debate foi muito interessante, porque foi um debate com uma componente ideológica, mas relativamente civilizado e que começou com uma declaração que eu diria quase inesperada de Ana Gomes. Talvez a frase do debate tenha sido o ataque de Ana Gomes às declarações da tarde de António Costa. Portanto, relativamente àquilo que ainda há pouco o Miguel referia, quando António Costa sugeriu que as críticas ao governo eram próprias de traidores à pátria, praticamente, e Ana Gomes comparou António Costa com Viktor Orbán.
E ela fica vencedora por isso?
Eu dou-lhe a vitória por isso. Uma vitória tangencial, porque eu acho que de resto tiveram muito. Se não fosse isso, eu daria um empate. Portanto, eu acho que foi um debate que desse ponto de vista correu bem aos dois. Eu acho que inclusivamente Tiago Maia continua a subir debate por debate.
Apesar de, neste debate, em alguns aspectos, até se ter surpreendido a Ana Gomes, eu só não lhe dou o voto, vou dar a vitória por esta surpresa que a Ana Gomes trouxe para o debate e que lhe abre as portas para outros eleitorados. E por isso é que eu sou mais generoso nas notas com a Ana Gomes. Eu dou 16 a Ana Gomes e 15 a Tiago Maia.
Miguel Pinheiro, vamos ver se a tua ligação já recuperou. Quem foi o vencedor deste frente a frente?
Eu acho que foi a Ana Gomes. De facto, a frase sobre o Viktor Orbán marcou o debate. A Ana Gomes, o eleitorado potencial dela é aquele eleitorado do PS que desconfia de Costa, o eleitorado fora do PS que não gosta de Costa. Mas além disso, há vida para lá das eleições. Ana Gomes tem que continuar a ser Ana Gomes e não pode de maneira nenhuma ficar agora presa à imagem de alguém que vende as suas ideias por votos. E, portanto, acho que era aquilo que se esperaria da Ana Gomes. Tiago Maia Gonçalves, eu acho que teve três problemas. Primeiro, nesta tentativa de colar Ana Gomes a José Sócrates, isso não resulta. Não há ninguém que ache Ana Gomes alguém que esteja próximo de corruptos, simpática para com corruptos, permeável a corruptos ou, neste caso, alegados. Atenção, alegados, ainda não há um julgamento. E, portanto, tentar colá-la não resulta. Depois, Tiago Maia Gonçalves está a deixar-se encurralar no discurso de que o liberalismo é utopia. Ele realmente devia concentrar-se em dar exemplos práticos daquilo que poderiam ser medidas liberais. Ele já fez isso num dos debates, deu exemplos de vários países, mas é nisso que ele devia insistir para não circular a ideia de um ET que quer umas coisas quaisquer absurdas. E depois, finalmente, só um conselho para Tiago Maia Gonçalves. Atenção, as câmaras filmam tudo, incluindo quando estamos a revirar os olhos ao ouvir o adversário. Portanto, tentar controlar essa coisa, porque a dada altura nós só o víamos a revirar os olhos cada vez que a Ana Gomes falava. Ana Gomes, 13. Tiago Maia Gonçalves, 11.
13, 11. Rui Pedro Antunes, e tu, pontuação e vencedor?
Bom, antes do vencedor, eu queria dizer o derrotado, que foi António Costa. O vencedor foi Ana Gomes, também de uma forma tangencial. O Miguel e o José Manuel já falaram desta questão do Viktor Orbán. Não vou insistir nisto, mas de facto acabou por ser o momento do debate e eu imagino que António Costa tenha que ter amarrado Carlos César e Augusto Santos Silva para se defender os submarinos e a defender Paulo Portas. Não estou a dizer que não é meritório e que ele não tenha razão na forma como a crítica que faz a Ana Gomes, mas a certa altura ele estava ali a defender uma guerra que não era dele. Depois, a associar Ana Gomes a Sócrates também, que foi das primeiras a romper com Sócrates, também não faz sentido, como o Miguel disse, e, portanto, uma vitória tangencial para a Ana Gomes, porque mesmo assim esteve melhor do que Maia Gonçalves. 13, 11.
13 para Ana Gomes e 11 para Tiago Maia. Miguel Santos Carrapatoso, e tu, nota e apreciação rápida?
Eu vou ter que discordar dos meus camaradas de painel. Eu acho que a vitória foi de Maia Gonçalves, uma vitória muito tímida, mas explico porquê. Foi uma prestação muito fraquinha de ambos. E não se pode dizer que Maia tenha vencido o debate, antes que não o perdeu. Não esteve incrível na forma, sequer foi o pior debate em termos televisivos de Maia Gonçalves, nem no conteúdo, e foi bastante infeliz na forma como tentou colar a Ana Gomes a José Sócrates e à falta de empenho no combate à corrupção. Acho que isso não casa com a imagem pública de Ana Gomes. Mas aqui é o meu ponto de discórdia. Acho que Ana Gomes, com aquela frase, com aquela comparação entre António Costa e Orbán, cometeu um erro grave junto do seu eleitorado. Ela que tinha vindo a fazer um percurso de alguma moderação nos debates anteriores, especialmente para oposição a João Ferreira e Marisa Matias. Acho que aqui se excedeu na comparação. Acho que não há ninguém que acredite que António Costa seja sequer um sósia de Orbán. E, portanto, aí pode ter perdido muitos votos junto do eleitorado do PS, que estaria a começar a apreciar Ana Gomes. E por isso, por esse erro, que eu considero um erro, apesar da opinião dos meus camaradas, acho que Ana Gomes acaba por perder por pouco o debate. Daria 13 a Maia Gonçalves, 12 a Ana Gomes.
É portanto à tangente. Paulo, e tu, que apreciação fazes?
Eu vou discordar de todos, porque eu acho que eles tiveram ao nível um do outro, um debate relativamente ideológico, disperso nos argumentos. Foi difícil seguir ali um fio condutor. Acho que ninguém ganhou ali. Foi quase uma segunda volta do debate que Tiago Maia Gonçalves tinha feito com João Ferreira, no mesmo tom. E depois andou-se ali entre o neoliberalismo, acusações de neoliberalismo para um lado e de neosocialismo para outro, com os argumentos de sempre. Eu noto também, e o debate começou por aí, que o assunto do estado de emergência e da epidemia queima. Queima porque fugiram os dois como o diabo da cruz a responderem se devia ou não esta eleição ser adiada. E curiosamente, isto foi um tema que tinha sido trazido na véspera para cima da mesa, uma sugestão de Vitorino Silva, e nenhum se atravessou a dizer: "Não, não faz sentido, a duas semanas de um ato eleitoral marcado, estar a adiá-lo por causa dos números da epidemia." Ninguém se atravessou. Nem Ana Gomes, nem Tiago Maia Gonçalves disseram que não tinham dados para responder a isso. Bom, um empate para ambos. Cumpriram o calendário, 11 para cada um.
Judite, faltas tu.
Eu dou aqui uma nota também tangencial entre os dois candidatos. Ainda assim, considero que Tiago Maia Gonçalves é o favorito. Isto porque eu não acredito que a frase de Ana Gomes sobre António Costa, mesmo que António Costa tenha dito o impensável ontem, possa ser comparado a Orbán. E aqui não sei se não parece que Ana Gomes ainda está aborrecida com a falta de apoio do PS. Eu acho que o eleitorado socialista pode ter pensado que isto foi uma espécie de vingançazinha por esta pedra no sapato. Ora, é certo que pouco eleitorado está dividido entre os dois, mas Ana Gomes não perde ou ganha, tal como Tiago Maia Gonçalves na comparação. Ganha e perde também com quem vê em casa. Eu tinha escrito precisamente que Ana Gomes estava cheia de genica, está a ganhar uma espécie de momentum e, portanto, tem ido em crescendo. A acusação de que Ana Gomes não deu conta do caso Sócrates não faz sentido absolutamente nenhum, porque se há pessoa que publicamente se tem batido contra a corrupção é precisamente Ana Gomes. Ainda assim, considero que aquela frasezinha do Orbán foi exagerada, excessiva e marcou o debate quando pensamos no que Ana Gomes fez ou disse. E vai daí, dou a Tiago Maia um 14 e a Ana Gomes um 13.
Ana Gomes um 13, portanto, 78 para Ana Gomes, 75 para Tiago Maia. Confirmas, Paulo?
Confirmo. E taco a taco. Ana Gomes fica com uma média de 13 e Tiago Maia Gonçalves de 12,5.
E agora temos quatro minutos para olhar para Vitorino Silva e Marcelo Rebelo de Sousa. José Manuel, peço-te já uma pontuação e uma frase para este debate.
Bem, eu acho que o vencedor do debate entre Vitorino e Marcelo foi o caderno do Tino, aquele caderno que ele mostrou com as suas notas, com os seus apontamentos. De resto, foi uma entrevista ao nosso presidente, que aproveitou para explicar como é que era o estado de emergência e como é que era o próximo hospital de Penafiel. Naturalmente, tendo que escolher um vencedor, o vencedor foi Marcelo, mas apenas por isso. A prestação como debate foi fraca dos dois e por isso eu dou 12 a Marcelo e 10 a Tino.
Miguel Pinheiro, e tu?
Sete para cada um. Eu só fiquei com uma dúvida, que tem a ver com a revelação de Marcelo Rebelo de Sousa de que decidiu recandidatar-se quando foi da pandemia. Eu não percebi. Mas então por que quando foi dos fogos, Marcelo disse que um eventual segundo mandato dependeria da não repetição da tragédia? Se já tinha decidido e o objetivo era não se recandidatar, e só a pandemia é que o levou a tomar esta decisão de se sacrificar pelo país, não entendi muito bem, fiquei na dúvida, mas enfim, ainda falta muito este debate.
O engraçado é tu ainda andares à procura de uma boa justificação para isso.
É exatamente isso. É curioso andares à procura de coerência. Diz.
Achei estranho. Tu adivinhaste?
Sim.
Tino é o típico voto de protesto humorístico e eu não gosto de votos de protesto humorísticos, portanto, sete para cada um.
Assim ficou sete para cada um. Rui Pedro Antunes, e tu? Rápido, gênero bula, por favor.
Sim, eu defensor Tino, queria só dizer que o Tino, o tonto, como aqui foi apresentado ontem.
Foi a grande frase do Tino neste debate.
Não, sabes qual foi a frase do Tino? Foi nos debates anteriores, em que falou no adiamento de eleições e forçou que todos os debates do dia de ontem tivessem começado com o assunto que ele pôs na agenda.
Precisamente. Rui Pedro, estou contigo e não abro.
O tonto. Volto a dizer que ele é uma espécie de mistura entre António Aleixo e Bruna Aleixo.
Dás quanto a Vitorino Silva?
Eu compreendi na elite urbana, o nosso Tino.
Tal e qual.
Dou 16 a Marcelo, que foi com quem tirou mais prazer da conversa com Tino, apesar de ter dado aquela, desculpem a expressão, não é muito presidencial, tanga, a dizer que decidiu na pandemia. Na campanha de 2016, ele já falava antes de ser eleito, na reeleição, quanto mais a seguir à pandemia. E 12 a Tino, porque continua a ser muito digno no momento em que fala, mesmo que seja claro, não dê mais do que aquilo e seja exatamente aquilo que é. Que é uma figura tali para não perder a sua posição pública ou a sua presença pública.
Miguel, rapidamente, desculpa. Notas.
Ficamos a saber que Tino tem um caderno gigante com ideias. Se aquelas que traz para os debates são as melhores, eu temo pelo caderno. Tino já tinha dito que era o candidato do povo, agora disse que é o candidato do Norte. Não, o povo não é Tino, o Norte não é Tino, deixem o povo e o Norte em paz. Marcelo, como já dissemos, teve aquele momento a arregalar os olhos quando disse que só se candidatou por causa da pandemia. Eu tenho ideia de ter ouvido o mesmo Marcelo dizer que só se seria recandidato se estivesse bem de saúde, mas se calhar também ouvi mal. Portanto, Marcelo um 11 e Vitorino Silva cinco.
Judite, e tu?
Ora, eu dou como vencedor deste debate Vitorino Silva.
Com quanto?
Com 13. Marcelo Rebelo de Sousa sai com 12. Isto porque Vitorino Silva mantém aquela ingenuidade muito refrescante e Marcelo Rebelo de Sousa teve que fazer de conta que quer saber aquilo que Tino de Rans pensa sobre seja o que for.
Professor Paulo Ferreira, termina a dar as notas e a fechar rapidamente.
Termino. E contar uma coisa desagradável. Ontem tive que anular o teste a dois alunos que foram apanhados indecentemente a copiar. Aquilo era um debate e por mais condescendência que os últimos debates com Vitorino Silva tenham presenciado, aquilo ontem não foi condescendência. Aquilo foi de facto um conluio entre duas pessoas que estavam ali para debater e não debateram nada e acabaram a trocar apontamentos, até, como se viu, com um enorme caderno A3. Portanto, anulei as provas, zero para cada um.
Ai, ai, ai, que professor tão mau. Portanto, 58 pontos para Marcelo Rebelo de Sousa, Vitorino Silva com 47. Qual é a média?
A média, Marcelo Rebelo de Sousa com 9,7, portanto, fica à beira da positiva, e Vitorino Silva com 7,8.
Muito bem. Está feita a ronda e a pontuação dos debates televisivos de ontem entre os candidatos presidenciais. Hoje voltam a encontrar-se. Amanhã há uma nova avaliação dos nossos comentadores.