Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Todas as manhãs na Rádio Observador, às 08h30, analisamos e pontuamos os debates entre os candidatos presidenciais. Hoje vamos olhar para aqueles que ocorreram ontem à noite: João Ferreira com Ana Gomes na RTP1, Tiago Manhan Gonçalves com André Ventura na Sic Notícias e Vitorino Silva com Marisa Matias na RTP3. Para essa análise e para essas pontuações, temos conosco José Manuel Fernandes, também Miguel Pinheiro, Rui Pedro Antunes e Miguel Santos Carrapatoso. Juntam-se à equipe das manhãs 360, Judite França, Paulo Ferreira e Carla Jorge de Carvalho.
Bom dia a todos. Três debates para analisar, com convergências à esquerda ou não e diferenças entre a direita liberal. Não vamos perder tempo, há muito trabalho para fazer nesta meia hora. Vamos começar pelo frente a frente entre João Ferreira e Ana Gomes. Judite de França, queres começar? O vencedor é...?
O vencedor é Ana Gomes, não destacada, porque foi um debate bom para os dois, temas importantes com tempo e espaço para debatê-los. E isso, de facto, é uma novidade, sobretudo para João Ferreira, que ainda não tinha tido a hipótese de dizer ao que vem, e dizer ao que vem de uma forma clara, sem interrupções. Houve muitos momentos em que João Ferreira falava e Ana Gomes acenava com a cabeça, concordando. Agora, claro, Ana Gomes tem aqui uma diferença grande e aproveitou-a no caso da Europa para dizer que é europeísta, ao contrário de João Ferreira, que quer acabar com o euro, para dizer que se não fosse o euro, não teríamos apoios nem bazuca, para dizer que se não fosse o euro, também não tínhamos vacina, para dizer que não há uma divisão de soberania, há uma soberania reforçada. E já agora, aproveitou para acusar João Ferreira de ter votado contra o imposto para as transições financeiras, sobre as empresas poluidoras, do relatório feito por Elisa Ferreira. Vinha com essa armadilhada e João Ferreira acabou também sobre o escândalo LuxLeaks, sobre o relatório dirigido por Elisa Ferreira, faltava-me acrescentar este ponto. E tinha mesmo a quinta diretiva, a quarta diretiva, João Ferreira que absteve-se ali, não se absteve, ali votou contra. E dada altura, João Ferreira respondia e ela com o à vontade de quem esteve 10 anos no Parlamento Europeu com o candidato do PCP, dizia: "Ó João". Enfim, o João Ferreira não teve grande hipótese de defesa aí, utilizou aquela máxima contra os alemães marchares, mas foi isto que animou o debate.
Já a parte final.
Sim.
Vamos à pontuação, Judite. Quanto é que dás a cada um?
A pontuação eu dou 15 a Ana Gomes, para mim a vencedora do debate, que aproveitou este espaço para fazer essa diferença, e 14 a João Ferreira, que teve a hipótese de empunhar a bandeira do tributo do PCP no orçamento de Estado, sobretudo nas áreas laborais e salariais.
15 e 14. José Manuel Fernandes, quem foi o vencedor para ti deste debate?
Bem, eu também acho que o vencedor foi Ana Gomes, mas foi um debate muito virado para o chamado povo da esquerda. Portanto, foi um debate em que não se falou muito para outros eleitorados, em que tiveram boa parte do debate a discutir se, no fundo, desistiam um para o outro. Voltaram ao tema da véspera, um tema conhecido, conversado entre Ana Gomes e Marisa. No fundo, questão de saber se Ventura assusta assim tanto esses candidatos, que eles acham que é necessário um esforço, como é óbvio, qualquer um deles acha que é o candidato da convergência. O PCP sempre achou isso, e Ana Gomes, como vai à frente nas sondagens, sente que esse é o seu lugar legítimo. Simplesmente, com isso foi praticamente um terço do debate, talvez até um bocadinho mais. E acabámos por ter uma primeira parte em que não se falou de muita coisa, com muitos pontos em que se mostraram grandes convergências e com João Ferreira, mais uma vez, a centrar-se muito nas questões laborais e ficar muito preso a esse ponto. O debate verdadeiramente só animou nos cinco minutos finais, quando eles divergiram nas questões europeias.
Queres dar a pontuação, José Manuel?
Em relação à pontuação, eu dou uma vitória a Ana Gomes. Acho que Ana Gomes tem estado melhor nos debates do que esteve durante todo o resto da campanha até agora. Dou-lhe 14 contra 10 para...
Para João Ferreira. Muito bem. Miguel Pinheiro, e a tua pontuação e o teu vencedor deste debate?
O vencedor é o mesmo, mas discordando. Não me parece que Ana Gomes e João Ferreira tenham que nos animar a nós. Eles têm que animar os eleitores deles. E acho que aqui conseguiram evitar aquela armadilha que vimos no debate Ana Gomes Marisa Matias, em que parecia que estavam ali a tentar se sentirem forçadas a arranjar diferenças entre elas, quando não têm que procurar nada disso. O inimigo da Ana Gomes, de facto, é Marcelo Rebelo de Sousa. Ela tem que levar os seus eleitores às urnas e convencê-los, primeiro, que Não é um exercício fútil e ela esteve bem ao dizer que acredita numa segunda volta e disse: "Aí tudo é possível." Ela tem que animar as pessoas, tem que lhes dizer: "Vão votar porque vale a pena, é possível chegar lá." E depois mostrando as diferenças em relação a Marcelo. Ela pra levar os eleitores às urnas, tem que lhes dizer: "É preciso derrotar este homem, porque o que fez foi mau para nós." E ela concentrou-se nisso e acho que fez muitíssimo bem. Atacou Marcelo Rebelo de Sousa em vários temas, no trabalho, na banalização do estado de emergência, como lhe chama, na questão dos desafios climáticos. Mostrou convicção e energia. João Ferreira, eu pensei que ele tinha saído para ir pôr moedas no carro, porque desapareceu pura e simplesmente. E depois na parte final, acho que esteve absolutamente desastroso na questão europeia. Ana Gomes fez a defesa da União Europeia pela esquerda, dizendo que é através da União Europeia que foi criado o imposto sobre as multinacionais. Houve a questão dos escândalos fiscais do LuxLeaks, a questão do combate à hegemonia das multinacionais, já para não falar da questão da cooperação das vacinas e das offshores. Portanto, Ana Gomes confrontou João Ferreira com aquilo que a União Europeia pode significar de bom para esta esquerda e João Ferreira ficou com aquele discurso patriótico e de esquerda, como gosta de dizer o PCP, agarrado àquilo e sem conseguir sair muito dali. Portanto, eu diria Ana Gomes 15, João Ferreira 10.
Muito bem, 15 para Ana Gomes, João Ferreira com 10. Rui Pedro Antunes, vamos à tua análise e à tua generosidade na atribuição dos votos, ou não. Quem venceu o debate?
Vou ser mais generoso para Ana Gomes do que para João Ferreira. Concordo genericamente com o que foi dito até aqui. Eu acho que ela é a única candidata que parece poder ganhar alguma dinâmica de crescimento e tem mostrado isso nos debates. Não digo que é suflar, mas está a crescer um bocadinho, mesmo na forma como encara os outros candidatos. E está um bocadinho naquilo que eu chamaria em modo "quem quer casar com a Carochinha?", porque cada vez que um candidato da área política dela aparece, diz: "Junte-se a mim, desista." Ontem o João Ferreira foi o João Ratão, não é que ele estivesse muito pra aí virado, mas ela de fato elogiou o PCP isto na primeira metade. E teve ali num debate muito amigável. No fim, quando estava neste tom pacificado entre ambos, ela fez o ataque final, que eu acho que foi muito bem preparado, quando leva de fato aquelas votações que são um bocadinho incomodativas para o PCP, porque sem uma justificação, assim descontextualizadas, parece de facto mau. Então o PCP não vota relatórios que apertam o cerco a paraísos fiscais, que apertam o cerco a branqueamento fiscal e outro tipo de situações, que apertam o cerco às multinacionais. E de fato, estas votações, abstenção e contra, foi um trabalho de casa que Ana Gomes levou feito e que foi bastante eficaz naquele momento em que João Ferreira quando viu não conseguia reagir.
Já tinha o rótulo, não é?
Já tinha ido. E eu acho que o João Ferreira, desta vez, também cometeu outro erro que tem vindo a cometer um pouco, que é ser um bocadinho Calimero. A certa altura, o moderador tenta mudar de tema e ele diz: "Estou ali a ver que os tempos ainda não estão equilibrados, deixe falar acabar." Ninguém lhe estava a tirar a palavra, quem simplesmente queria avançar no tema. E este tipo de se queixar do árbitro, normalmente não é bom sinal.
Rui Pedro, ainda deu pra Ana Gomes dizer: "Deixe-o acabar", que está muito na moda nestes debates.
Pois é, agora dizem todos aos outros: "Força, então fala, estava a falar tão bem."
Rui, sem te querer acelerar, mas acelerando a votação.
Acelerando, Ana Gomes 15, João Ferreira 10. Isto é igual ao diretor executivo, mas eu prometo que já tinhas escrito e que não andei a mudar pra ficar igual ao diretor.
Fica-te sempre bem.
Vamos acreditar.
Miguel Santos Garrapatosa, e a tua votação e o teu vencedor.
A minha vencedora também é a Ana Gomes. Acho que conseguiu mais uma vez, tal como no debate com a Marisa, acentuar o facto de ser a candidata de esquerda. E isso é dramático para João Ferreira e para Marisa, no caso para João Ferreira. Não teve uma prestação negativa, conseguiu marcar os seus pontos, mas para os adversários à esquerda de Ana Gomes, a vida não está muito facilitada, de fato, porque Ana Gomes tem conseguido provar dois pontos. Um, que de fato consegue agregar aquele eleitorado mais à esquerda. Dois, tem tido ou tem conseguido manter um registo muito ponderado, muito calmo, que ninguém perspectivava antes destes debates. Ana Gomes chegou a esta fase, se calhar, mais em queda do que João Ferreira e Marisa Matias, e tem conseguido inverter um bocadinho esse registo. Temos visto Ana Gomes muito sólida nos debates, ao contrário de Marisa e João Ferreira. E portanto, mais uma vez, Ana Gomes conseguiu vencer o debate à esquerda, o que é, para Ana Gomes, um resultado muito bem conseguido. João Ferreira conseguiu manter-se mais ou menos coerente. Não teve uma prestação negativa, nem uma prestação desastrosa, mas ficou um bocadinho aquém do que era expectável. Portanto, Ana Gomes mais uma vez
Conseguiu marcar os seus pontos junto do eleitorado de esquerda.
Deixo-me adivinhar 15 pontos também para Ana Gomes do teu lado, Miguel.
Vou dar 16. 16 a Ana Gomes, João Ferreira 12.
Muito bem. Aqui fica então a votação do Miguel Santos Carrapatoso. Paulo, só faltas tu.
Só falto eu. Antes de mais, gostava de ter tido esta malta toda como professor, porque são generosos a dar notas. Está aqui 15, 16 para todo lado. Ana Gomes, eu acho que venceu também este debate. Resumindo, eu acho que ontem ficou claro que há um país que os une, claramente, Ana Gomes e João Ferreira, e há uma Europa que os separa. E o país que os une, no fundo, é uma contaminação do espírito da geringonça nas presidenciais. Há aqui muitas concordâncias. O ponto alto foi quando o João Ferreira, tentando dar uma bicada, disse que os problemas laborais do país já vêm muito trás, até antes da troica, e até têm responsabilidade de antigos governos do PS. E a Ana Gomes disse: "Isso é verdade e não posso deixar de prestar tributo ao seu partido pelo trabalho que tem feito na área laboral." E portanto, a crítica ao PS aqui, com fundações antigas. Diria só que, obviamente, aqui a grande diferença está na Europa e Ana Gomes aí marca pontos, consegue colocar em cima da mesa uma esquerda, que não é uma esquerda moderada, é uma esquerda com voz contra aquilo que são os grandes interesses, o grande capital, como ela gosta também de dizer, mas que é profundamente europeísta e que vê na Europa uma possibilidade até de, no fundo, mitigar esses desequilíbrios que são apontados. E depois só uma nota muito final sobre a convergência à esquerda. É óbvio que não vai haver convergência de candidaturas à esquerda nesta primeira volta. Quando muito, haveria, obviamente, numa segunda volta, se Ana Gomes conseguisse lá chegar. Notas, abreviando, Ana Gomes ganha, 13 para Ana Gomes, 12 para João Ferreira.
12 para João Ferreira, o que significa que Ana Gomes tem 88 pontos e João Ferreira 68. É assim, Paulo, confirmas?
Confirmo, médias. Aqui feita a média, então 14,7 para Ana Gomes e 11,3 para João Ferreira.
Vitória clara para Ana Gomes. Vou fazer de moderadora a sério e pedir-lhes para serem muito sintéticos na análise aos próximos dois debates que ainda temos. Tiago Meihã Gonçalves, André Ventura. Judite, vou começar por ti novamente, pedindo também essa capacidade de síntese. Quem foi o vencedor deste debate?
O vencedor aqui foi claramente Meihã Gonçalves. Para mim, por larga margem, foi o debate que eu considerei mais interessante até agora, sobretudo do ponto de vista da eficácia. Acredito que nas próximas sondagens isto se reflita nas intenções de voto, não só porque a exposição mediática dos últimos dias é muito favorável a Meihã, que não era conhecido do grande público, mas Tiago Meihã aproveitou mesmo a oportunidade, utilizou a estratégia do ser agressivo logo a abrir, teve a sorte de começar por primeiro e, portanto, marcou o tom do debate. André Ventura ficou um bocadinho baralhado com a estratégia. E depois Tiago Meihã Gonçalves disse que Ventura era racista, xenófobo, que era 30 por uma linha, e sempre que Ventura tentava falar e interromper, Meihã calava-se. Esperava que ele dissesse lá o que tinha a dizer, mesmo que fosse entre dentes, pra não haver sobreposição, porque aí, já se sabe, quem grita mais é Ventura. E Meihã foi buscar tudo. Disse que Ventura mandou uma deputada negra pra sua terra, que queria confinar uma etnia no início da pandemia. E depois Ventura parecia completamente desesperado a dizer coisas incompreensíveis como: "Mas ser de direita é estar ao lado da Joacine? É defender as minorias. Isso é ser de direita?" Era muito tarde pra quem se levanta tão cedo e, portanto, eu admito que quando ouvi esta frase, tive de andar pra trás e voltar a ouvir. E acho que foi um péssimo comentário, porque o rótulo que André Ventura finge que rejeita, mas sabe que o seu eleitorado se revê nisso. Na agressividade contra os opositores do Chega. Só pra terminar, a dada altura disse que não quer ser o presidente de todos os portugueses. Pronto.
E pontuação, Judite.
Sim, e pontuação. O Tiago Meihã vai subindo na minha consideração e na minha pauta, e tem um 17. E dou a André Ventura um 11, porque consegue dizer as coisas mais inacreditáveis com uma cara que se utilizaria uma expressão que é cara de pau, e isso merece pelo menos uma positiva.
Merece 11 valores para a Judite. João Manuel Fernandes, e para ti, que pontuação dás neste debate?
Bem, eu começo pela pontuação. Eu dou 16 a André Meihã e dou nove a André Ventura. Acho que Tiago Meihã voltou a surpreender. Eu acho que ele já tinha surpreendido nos debates anteriores, particularmente com o Marcelo. Portanto, vinha bem preparado, foi muito claro a distinguir a iniciativa liberal do Chega, que era uma coisa importante para o eleitorado que estava ali em disputa. Era também muito claro, pra ficar claro que entre as pessoas que possam eventualmente, digamos, no espaço à direita, não querer votar em Marcelo, há duas alternativas e que essas alternativas são muito diferentes, portanto não é apenas uma espécie de massa indistinta, e deixou ficar ali algumas ideias mais claras sobre o que é a iniciativa liberal. Teve até a oportunidade de responder a coisas que tinham ficado no ar do debate com Marcelo, relativamente à utopia liberal. Esteve bem e desta vez a tática de Ventura não funcionou. Ele soube conter-se com a sua calma e Ventura esteve sem funcionar, a repetir sempre o mesmo modelo. Só não lhe dou uma nota mais baixa porque acho que apesar de tudo esse modelo vai funcionando para recolher o eleitorado que é a sua base de apoio. É evidente que isso tem muitos limites, porque dá para aquele eleitorado, mas não dá para mais nada, portanto tem limites no crescimento possível. Isto mostra quais os limites e qual a forma de combater André Ventura. Aquilo foi muito mais eficaz do que, por exemplo, os candidatos de esquerda que até agora enfrentaram André Ventura, muito mais eficaz do que, por exemplo, tinha sido João Ferreira.
Miguel Pinheiro, também destacas a estratégia que Tiago Maia Gonçalves teve ontem no frente a frente com André Ventura? Qual foi o teu vencedor?
Fica provado que não é preciso cortar o microfone a André Ventura para o disciplinar. Os candidatos a pouco e pouco começam a perceber como é que podem lidar com André Ventura. Primeiro houve um choque com aquela coisa nova e agora começa a aparecer um caminho. Se todos lidarem assim com André Ventura, percebe-se que ele fica desarmado. Além de tudo mais que o José Manuel Fernandes disse, com absolutíssima razão, mais um ponto em que Tiago Maia Gonçalves conseguiu ferir André Ventura, que foi quando lhe atirou à cara que ele já se transformou num político do sistema, que anda a negociar lugares, já a pedir ministérios, a querer isto e a querer aquilo. Ele, de facto, transformou-se no peão do sistema. E André Ventura também ontem naquele debate, foi forçado a transformar-se numa caricatura de si mesmo. Aquilo era um exagero de teatralidade. Ele parecia um daqueles atores do teatro de revista dos anos 50, que até quando dizem bom dia parece que estão a declamar "Os Lusíadas". Estou a dizer que quer a alma portuguesa, o que ele quer é a alma portuguesa. Imaginem lá. Enfim, correu pessimamente e realmente querer convencer-nos que a verdadeira direita o que quer é fiscalizar as minorias e que quem não quer fiscalizar as minorias não é de direita. Enfim, nota-se que está ali com um problema. Portanto, acabando já, Maia 16, Ventura sete.
E Rui Pedro Antunes, já evocando aqui o teu poder de ler em tom de bula, que avaliação e que vencedor é que encontraste aqui?
O vencedor foi o media training do Maia Gonçalves. Acho que é daqueles que começam a ser alvo de bullying. "Ah, tem a voz de desenho animado." Eu, que sou da geração Dragon Ball, acho que ele se estava a transformar em Super Guerreiro, que é quando eles ganhavam força.
E lançavam as bolas, não é?
Completamente.
Deixa explicar a referência ao Miguel Pinheiro.
Esteve muito bem contra André Ventura. Depois, em termos de postura corporal, também foi eficaz, porque André Ventura tem ali uma marca e Maia Gonçalves também tem. Quando diz as coisas, depois fica quase sem olhar, fica assim a meia esquadria, quase quem está a dar um beijinho no ombro ou a sambar na cara das inimigas. E, de facto, foi a temas muito sensíveis para André Ventura. Benfica, TAP, esta coisa que o Miguel falou relativamente a estar no sistema e já a pensar no governo e ser ele próprio do sistema. E, portanto, foi muito eficaz na maneira como atacou André Ventura. Ventura também é combativo, também tinha os seus apartes muito bem definidos e continua a ser eficaz junto do eleitorado dele, mas de facto aqui Maia Gonçalves foi surpreendentemente muito eficaz na maneira como enfrentou André Ventura. Eu acho que eles forçaram-se os dois por não perderem o eleitorado. Maia quis provar que Ventura não era liberal e o Ventura quis provar que o Maia não era de direita. E aí eu acho que eles até tiveram relativo sucesso os dois.
E quanto à pontuação, Rui Pedro?
16 para Maia Gonçalves e oito para Ventura. E só muito rapidamente, Carla, para responder ao Paulo. Muitas vezes o próprio Marcelo em 93, quando estava no exame com o Emídio Rangel, também dava notas assim muito altas. As pessoas já não se lembram, depois quando dava baixa, as pessoas ficavam muito chateadas. E é um exemplo do Marcelo ter tido oito e ficou muito chateado.
Muito bem, professor Rui Pedro Antunes.
Eu também vou armar em Marcelo neste caso.
Já lá vamos, Paulo, peço-te só um bocadinho para ouvir o Miguel Santos Carrapatoso ainda, mas estou-vos mesmo a pedir para serem muito rápidos na análise.
Não vou a Dragon Ball, não posso, o Rui Pedro roubou-me a metáfora, mas de facto Tiago Maia Gonçalves mais uma vez conseguiu, de forma surpreendente, ter uma belíssima prestação no debate. O momento em que cita ou que usa o exemplo de Luís Filipe Vieira foi não diria de génio, que é uma fragilidade há muito anotada no caso de André Ventura.
Ele ficou atrapalhado, eu achei.
Muito atrapalhado, sem resposta, e Maia Gonçalves, de facto, conseguiu embaraçar aqui e acolá Ventura, que na altura do debate só dizia: "Bom, mas isto não é um candidato de direita, é um candidato de esquerda." E acho que André Ventura ficou o debate todo a repetir isso como se isso fosse um argumento válido. E debater alguma coisa e trocar ideias. Não. Ventura tentou sempre dizer: "Isto não é um candidato de direita, é um candidato de esquerda." E Maia Gonçalves marcou, conseguiu marcar a diferença entre o que é um candidato liberal e o que é um candidato iliberal. E nesse caso, Maia Gonçalves conseguiu vencer o debate.
Com quantos pontos, Miguel?
Atalhando um pouquinho. Sinto-me um pouco constrangido neste meu comentário, mas diria que Maiã Gonçalves teve 15 e Ventura 10.
Muito bem, Miguel. Obrigada. Paulo Ferreira, também não vais ter muito mais tempo. Quanto é que dás?
Sobra agora pra mim.
Sobra sempre pra ti.
Muito rapidamente. De facto, Tiago Maiã ganhou por larga escala. Tinha três objetivos. Primeiro, conseguir debater e conseguiu, calando-se quando André Ventura tentava saltar, passe a expressão, para cima do debate, atropelando. Depois traçar, sem margem para dúvidas, a linha que separa um partido liberal de direita de um partido que é de extrema-direita, que é xenófobo, que é populista e que é demagogo. E depois conseguir colocar em cima da mesa algumas das ideias liberais. E ele conseguiu com enorme eficácia todas, para um novato perfeito. Desmontou ali a demagogia, a xenofobia e o populismo de André Ventura. Vamos às notas. 17, cá está a minha generosidade marceliana. 17 para Tiago Maiã Gonçalves e sete para André Ventura.
Ora bem, então assim, uma clara vantagem para Tiago Maiã Gonçalves, 87, André Ventura, 52. Confirmas as contas, Paulo? E vamos à média.
Confirmo. Maior diferença de médias de todos os debates até agora, 16,2 para Tiago Maiã Gonçalves e 8,7 para André Ventura.
Um claro vencedor. E agora, meus caros, é mesmo telegraficamente que vamos analisar o frente a frente entre Vitorino Silva e Marisa Matias. Judite, queres dar a pontuação e dizer unicamente quem foi o vencedor pra ti?
Em relação à pontuação, Vitorino Silva sai a ganhar com 16, Marisa Matias com 14.
Ora bem, um claro vencedor também para a Judite França. José Manuel Fernandes, e pra ti, quem foi o vencedor deste debate? Estamos com dificuldade em ouvir o José Manuel Fernandes.
Desculpa.
Agora sim, vamos lá então.
Eu neste debate não sou capaz de distinguir um vencedor. Acho que estiveram os dois muito apagados. Marisa Matias não se consegue perceber bem o que se está a passar com ela. E o tino de ranch já começa a ser apenas o senhor Vitorino. E, portanto, eu dou 12 aos dois. Acho que é a desilusão desta campanha eleitoral. Apesar do tino com Ventura ainda deu um ar da sua graça, desta vez, dizer apenas que é o homem que vem do povo já começa a ser curto.
Começa a ser pouco. Mesmo assim, um empate a 12, generoso, José Manuel. Miguel Pinheiro vai ser também tão generoso?
Não. Vou dar 10 à Marisa Matias, que começou por felicitar a RTP, porque é importante debater com Vitorino Silva, e depois passou o tempo todo a debater com Marcelo Rebelo de Sousa. Fez muito bem, mas podia ter nos poupado à falsa lição moral logo no início. Nesta campanha, ninguém quer escrutinar ou confrontar Vitorino Silva, já percebemos. Portanto, vamos andar nisso o tempo todo. Houve ali 20 segundos de debate no fim sobre a geringonça. Enfim, Marisa Matias, 10. Vitorino Silva, que quer perguntar a todos os candidatos se têm médico de família, porque há 700 mil portugueses sem médico de família e quando lhe perguntam se tem, ele diz: "Eu tenho". Enfim, o homem da frase: "A natureza não pensa, ainda bem que não pensa", pra mim, um três.
Um três para Vitorino Silva. Rui Pedro Antunes, e tu, que notas dás?
Marisa Matias 11, Vitorino Silva 10. E uma frase de justificação: Marisa Matias está muito apagada, de facto, mas em comparação com Vitorino Silva, consegue articular alguma estratégia política e neste caso resolveu dois equívocos. Disse que afinal não combinou com Ana Gomes uma candidatura única e atacou Marcelo de uma forma mais vincada do que tinha feito no primeiro debate, que pareciam quase duas pessoas. Aliás, quase que sugeriu que podia também votar nele, embora nunca votaria nele, mas ele sugeriu que votava nele. E aí foi importante. Mesmo assim, muito apagado em um debate muito mortiço.
Miguel Santos Carrapatoso, e tu, que pontuação e que vencedor é que encontraste neste debate?
Marisa Matias, porque conseguiu dizer qualquer coisa. Vitorino Silva articulou uma ou outra frase, mas não tem grande substância para apresentar. Portanto, Vitorino Silva, cinco. Marisa Matias, que tentou debater com Marcelo Rebelo de Sousa, tendo faltado à primeira chamada, voltou agora a aparecer para debater com Marcelo Rebelo de Sousa, que não estava ali à sua frente. Mas enfim, disse qualquer coisa de política e teve uma prestação mais ou menos digna. Só isso é de valorizar. Portanto, cinco Vitorino Silva, 11 Marisa Matias.
Miguel Santos Carrapatoso aqui a dar uma grande distância à Marisa Matias. Paulo Ferreira, vamos acertar contigo os tempos e a avaliação destes candidatos.
Muito rapidamente. Não foi um debate, foi uma conversa amena, foram duas entrevistas paralelas. Basicamente, entraram os dois em campo para um jogo amigável, para uma causa social. Portanto, pra cumprir ali 90 minutos, não é o caso do jogo de futebol. Neste caso, eram 30. Cumpriram, cada um à sua maneira. Ninguém brilhou, ninguém perdeu. 12/12.
12/12 e, portanto, aqui um empate. Isto quer dizer que Vitorino Silva teve 58 e Marisa Matias 70? É assim, Paulo?
É isso mesmo. Em médias, Marisa Matias 11,7 e Vitorino Silva, résvés camporica a passar pra positiva, 9,7.
Ora bem, fica feita a ronda pelos três debates. Amanhã vamos voltar a falar. Tivemos também 30 minutos para analisar três debates. Muito obrigada.
E o vencedor é todas as manhãs na Rádio Observador, às 08h30. Amanhã estamos de volta com esta análise, com estas votações.