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E todas as manhãs na Rádio Observador, às 8h30, analisamos e pontuamos os debates presidenciais. Hoje olhamos para aquilo que ocorreu ontem à noite e que opôs Marcelo Rebelo de Sousa a Tiago Mealha Gonçalves, candidato presidencial apoiado pela Iniciativa Liberal. Para essa análise e para essa pontuação temos conosco José Manuel Fernandes, também Miguel Pinheiro, Rui Pedro Antunes e Miguel Santos Carrapatoso. Eles juntam-se à equipe das manhãs 360, Judite França, Paulo Ferreira e Miguel Cordeiro.

E Nelson, vamos olhar precisamente para esse debate que aconteceu ontem entre Marcelo Rebelo de Sousa e Tiago Mealha Gonçalves. Nem sempre é fácil, mas ao longo dos próximos minutos vamos detalhar o que se passou e definir quem foi o vencedor deste frente a frente e com este vasto painel. Começo desde já por José Manuel Fernandes. José Manuel, mais uma vez bom dia. Quem venceu este debate?

Bem, pesando bem, eu acho que acabou por vencer Tiago Mealha. E dou a vitória a Tiago Mealha por um aspecto: pela surpresa. Porque Tiago Mealha entrava naquele debate como o novato, o inexperiente, aquele que não tinha espaço. Alguém que está na televisão como peixe na água e de repente surpreendeu, conseguindo ser contundente, fazer críticas duras a Marcelo Rebelo de Sousa, não se deixar intimidar e sem ser mal-criado, sem se portar como, por exemplo, Ventura se tinha portado na véspera no debate. É evidente que depois Marcelo Rebelo de Sousa, na segunda parte do debate, recuperou talvez da surpresa e eu diria que praticamente equilibrou o debate e mostrou as debilidades de Tiago Mealha, até porque contou em algum aspecto com a colaboração do moderador, que transformou parte do debate numa entrevista. Mas seja lá como for, eu acho que Tiago Mealha surpreendeu e por esse lado de surpresa, faz com que eu coloque Tiago Mealha como vencedor e daria-lhe um 15 contra 14, ou talvez mesmo um 16 contra 15 para Tiago Mealha neste primeiro debate, que considero, até o momento, o melhor dos três debates a que assistimos.

Sim, dos três debates que já tivemos nestas eleições presidenciais que começaram neste fim de semana. Miguel Pinheiro, quem venceu este debate?

De longe, Tiago Mealha Gonçalves. Acho que isto foi uma desgraça completa para Marcelo Rebelo de Sousa. Enfim, nós sabemos que Marcelo Rebelo de Sousa não é espetacular em debates. Ao longo da carreira política dele, os debates correram quase sempre muito mal. Já perdeu eleições muito por causa de debates, como aconteceu na Câmara de Lisboa, e aquilo ontem foi uma desgraça completa e absoluta. Temos que ter noção que vamos ter 21 debates. Ninguém vai ver 21 debates, exceto nós. E suspeito que alguns de nós até vão dizer que viram, não tendo visto.

Só por obrigação profissional, Miguel.

Sim, atenção, estão a pagar-nos para isto. As pessoas normais que têm uma vida não vão estar a ver 21 debates. E portanto, as pessoas que vão estar a ver cada debate são pessoas que se interessam ou por um ou por ambos os candidatos. Eu imagino que ontem quem esteve a ver aquele debate com mais atenção terão sido eleitores de direita que podem estar a pensar como é que vão votar, como é que não vão votar. Enfim, sendo que aquilo que interessa também para esta interpretação são os indecisos. Se as pessoas já decidiram, então o debate não leva a lado nenhum. E então Marcelo Rebelo de Sousa não se lembrou de nada mais inteligente para dizer do que essa coisa do liberalismo não tem nada a ver com isto. Portanto, Marcelo está a falar para eleitores com simpatias liberais e a tratá-los como se fossem uns defensores do fim do Estado e que querem deixar as pessoas entregues a si próprias. Em vez de dizer: "Eu sou de direita, vocês podem estar irritados com algumas coisas que eu fiz e que eu disse, mas se querem um país mais liberal, se querem um país com menos Estado, se querem alguém que ponha travão à geringonça, sou eu. Eu sou a direita que pode pôr travão à geringonça." Não, o que ele veio fazer foi um ataque à ideia do liberalismo.

E achas que surgiu quase a defender o governo socialista também?

Pior, surgiu como se fosse socialista propriamente. Na pobreza: "Você acha que os privados resolvem a pobreza?", disse Marcelo Rebelo de Sousa a Tiago Mealha Gonçalves. Nos lares, pergunta-lhe: "Como é que o sistema liberal enfrentava a situação nos lares, que são setor social financiado pelo Estado? Porque nós não temos mecenas privados." Mas o que é? Ele acha que um liberal quer deixar os velhinhos na rua a apanharem frio e a morrerem? Isto não entra na cabeça de ninguém. Portanto, Marcelo Rebelo de Sousa, em vez de se apresentar como o candidato que consegue unir a direita, quando a direita não tem quem a una nos partidos, e então é ele que une a direita para fazer algum travão à geringonça, ao Bloco, ao PC e à sua influência nefasta. No PS, aparece como o candidato que renuncia a uma parte da direita e trata uma parte da direita com os argumentos que normalmente são usados pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP. Achei isto uma coisa inconcebível. Não entendo mesmo o que estava na cabeça de Marcelo Rebelo de Sousa. Caiu naquela tentação fácil de achar que tinha ali um principiante, que tinha, e estender-lhe cascas de banana que se viraram contra ele próprio. Isso aconteceu em dois momentos. Um diz-lhe: "Então, mas diga-me uma lei que teria vetado. Já que me está aí a criticar tanto, diga-me uma lei." Azar, Tiago Mayan Gonçalves disse-lhe uma lei e atirou-lhe com as eleições fajutas para as CCDR, que foram obviamente uma farsa, e Tiago Mayan Gonçalves atirou-lhe com isso. E depois, na segunda vez, diz-lhe: "Eu fui autarca, o senhor foi autarca?" Azar outra vez. Tiago Mayan Gonçalves disse-lhe: "Sim, eu sou autarca." E Marcelo Rebelo de Sousa ficou ali sem saber o que dizer.

Desculpa, Miguel. Ia dizer sobre a questão de ser autarca, disse: "Mas foi autarca no interior? É que não é a mesma coisa ser no Porto e em Lisboa."

Não, ficou claramente sem pé. Só aqui uma nota, é que Tiago Mayan Gonçalves, na entrevista que nos deu aqui no Observador, não lhe dava jeito dizer que era autarca e então enfatizou que era suplente numa assembleia municipal, enquanto ali envergou orgulhosamente o seu papel de autarca. Enfim, tudo isto foi uma desgraça para Marcelo Rebelo de Sousa. Tiago Mayan Gonçalves saiu-se muitíssimo bem, não vacilou. Aquilo é uma posição complicada para alguém que está a fazer o seu primeiro debate, estar à frente do presidente da República, uma figura como Marcelo Rebelo de Sousa, conseguir dizer-lhe à frente dele aquilo que tem dito em entrevistas e noutros locais, é uma coisa que exige coragem e capacidade de se aguentar. Por isso, eu daria 17 a Tiago Mayan Gonçalves e nove a Marcelo Rebelo de Sousa, que depois teve ali algumas coisas em que conseguiu, apesar de tudo, recuperar um bocadinho, mas enfim, a substância disto acho que foi uma desgraça completa.

E vamos olhar para outras análises a este debate. Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador. Bom dia, Rui. Como é que olhaste para este debate? E quem é o vencedor?

Bom dia a todos. Em primeiro lugar, eu acho que vimos, de facto, um Marcelo, não sei se socialista, mas social-democrata. Mas também não podemos esquecer, e acho que dá para perceber isso, que Marcelo Rebelo de Sousa não tem Twitter. E, portanto, escapa-lhe um pouco esse fenómeno.

É o único candidato que não está no Twitter, tem que resolver isso.

Escapa-lhe um pouco esse fenómeno da chamada direita liberal e dos liberais. E essa percentagem parece tê-la dado um bocadinho assim por perdido. Mas eu também tive dúvidas, aqui não acho que seja uma coisa tão arrebatadora, por causa de um ou outro pormenor. Acho que Tiago Mayan Gonçalves também teve uma melhor prestação, mas não foi uma grande abada. Não terá sido uma grande abada, estou a utilizar uma expressão de Marcelo Rebelo de Sousa, quando se referia à diferença entre ele e Mário Soares. Mas eu acho que lhe correu bem o pitch. Eu imagino sempre Tiago Mayan Gonçalves ali a representar os liberais, ele é advogado, mas vejo sempre como alguém que representa aqueles liberais das startups e que está se a vender como se estivesse quase num pitch da Web Summit. E eu acho que não lhe correu mal. A certa altura, ele é da direita do Twitter. Portanto, estava só a atirar 140 caracteres para cima de Marcelo. "É o candidato que não diz tudo, hashtag no estoril com Salgado. É o ministro da propaganda, hashtag Marcelo Xuxa. O mandato foi um falhanço, hashtag visto num cartaz da IL. Fala com outras viúvas com muita facilidade, hashtag SEF." Às vezes já era um pitch. E chegou ao ponto de dizer: "Não, senhor presidente, é que anda a partilhar minis, bolas de Berlim e a arranjar esquemas para ir pra praia." E isso, de facto, sim, foi um menino, até acho que no bom sentido, um menino mal-comportado, um menino pequeno-burguês. E aí eu acho que sim, que arriscou irreverência e sendo ele um desconhecido, teve essa vantagem. De pôr-se no mapa e ainda destacou ali umas coisinhas da vacinação da gripe, a não recondução da PGR, que eu acho que Marcelo Rebelo de Sousa safou-se um bocadinho mal. Começou ali a dizer que a procuradora Joana Marques Vidal, ela própria reconheceu que era um mandato único. Quer dizer, a discussão já não está sequer nesse ponto. Depois, Marcelo ainda disse assim, e disse isto sem se rir, atenção: "É-me indiferente a popularidade." Disse isto sem se rir e continuou sem se rir outra vez. Vetei a lei do financiamento dos partidos contra todo o Parlamento, vetei as regras de transparência pública dos fundos europeus. Ora, estes são precisamente dois exemplos de diplomas altamente impopulares. Mesmo que o Parlamento todo tivesse vetado estes diplomas, que não vetou, mesmo que isso tivesse acontecido, são precisamente exemplos de casos em que Marcelo Rebelo de Sousa vetou, porque, de facto, não só por convicção, que também acredito que tenha, mas precisamente porque eram diplomas muito impopulares. E depois, de facto, é claro que eu acho que ele até foi bom na confrontação direta a Tiago Mayan Gonçalves quando pergunta: "Então, mas que coleira que vetaria? Diga lá." Ou quando disse: "Está a ver, você é muito vago, quando põe com as ideias, você é muito vago." E é verdade, Tiago Mayan Gonçalves, quando está a tentar expor uma ideia, as ideias são todas muito vagas, são os tais 140 caracteres e depois não sai dali. Mas de facto foi eficaz neste caso. E Marcelo, de facto, mostrou que precisa de fazer uma espécie de um update. Ele, de facto, não tem Twitter, não tem Facebook, etc. Está a escapar-lhe aqui uma parte do eleitorado. A primeira referência que ele faz é que é um liberal vindo do Porto. Não sei se está a fazer uma piada. Aliás, estava mesmo com a questão do século XIX, mas claramente Tiago Mayan Gonçalves é um liberal e Marcelo Rebelo de Sousa é absolutista, não só porque tem quase um poder absoluto junto do eleitorado, mas quer dizer, este tipo de piada já não cola muito bem. É preciso aqui um refresh de Marcelo Rebelo de Sousa. Acho que tem que perceber isso. Mas pronto, neste aspecto, apesar de tudo, se formos analisar bem, Marcelo Rebelo de Sousa não saiu daquela postura testada, institucional, e aí também foi um bocadinho mais provocador e também não acho que tenha sido um desastre pra ele, principalmente fora da direita do Twitter.

Sim, Rui, e notas para este debate?

Precisamente por não achar a diferença muito grande, eu te sugiro um 15 pra Tiago Mayan Gonçalves. Também estava muito nervoso, não é propriamente uma estrela televisiva. E um 13 pra Marcelo Rebelo de Sousa.

Todos muito generosos.

Já tu, com 17.

Não, certo.

Uma nota que Marcelo nunca deu, seguramente, moral.

Sim, na faculdade de Direito não estavam essas notas. Pelo menos eu nunca as tive.

E vamos continuar a olhar pra este debate entre Marcelo Rebelo de Sousa e Tiago Mayan Gonçalves, debate que aconteceu ontem na RTP3. Miguel Santos Carrapatoso, subeditor da política do Observador, o que achaste deste debate? E claro, quem é o vencedor?

Eu queria discordar, mas não vou conseguir. Diria que foi Tiago Mayan Gonçalves. E dizer isto não é dizer que o candidato da Iniciativa Liberal é mais indicado do que o Marcelo para ser presidente da República, não é isso que está em causa, mas é avaliar só o que foi o debate e feito o balanço, ainda que não ache que tenha sido uma catástrofe pra Marcelo Rebelo de Sousa, acho que feito o balanço entre expectativas e o desempenho efetivo no debate, o candidato da Iniciativa Liberal teve uma prestação francamente positiva e chegou a embaraçar, e muito, Marcelo Rebelo de Sousa. Marcelo, por sua vez, voltou a entrar no debate, e isto faz-me alguma confusão, não consigo perceber qual é a estratégia, com alguma condescendência, alguma aquela sobranceria do: "O senhor vem do Porto, é liberal do Porto", e esteve bastante desorientado em muitos momentos. Esteve ali metade do debate a justificar posições que não consegue justificar, como é o caso da não recondução de Joana Marques Vidal. Fazia lembrar aquelas grandes equipes de futebol, que quando vão jogar na Taça de Portugal, sofrem dois gols do clube da terra e não sabem bem como, e portanto ficam ali meia às aranhas e a procurar voltar a equilibrar o jogo. Houve, aliás, um momento muito engraçado, quando Marcelo ensaiou aquela jogada a Manuel Serrão e atirou um: "Diga-me uma lei que tivesse votado." Mayan lá disse que votaria a questão das CCDR, e Marcelo acaba desconfortado e dizer: "Mas eu fui autarca 20 anos." Quer dizer, como se isso fosse argumento. Ainda por cima, com todo o respeito por Lurdes Bastos, não é exatamente um conselho que esteja nas notícias pelos melhores motivos.

E atenção, presidente da assembleia de freguesia.

Exato. É aquela coisa, eu é que sou presidente da junta, mas aplicado ao eu que sou presidente da assembleia, não faz muito sentido. E depois, na segunda metade do debate, aí Marcelo foi mais eficaz, porque agitou lá os fantasmas do liberalismo e tentou colar isso ao SNS e à visão que diz ou que se alega que a Iniciativa Liberal tem do SNS. E depois apontar aí sim algumas incoerências dos liberais quanto à questão das restrições a aplicar em contexto de emergência. Um aspecto que Mayan Gonçalves, já na entrevista ao Observador, não conseguiu driblar e teve algumas dificuldades em justificar. Depois, vimos de facto Mayan começar a perder alguma capacidade de resposta e de improviso. Ficou preso a alguns chavões. Eu não desvalorizo a questão do Twitter, ao contrário do Rui Pedro, acho que aquelas frases soltas, aqueles slogans têm algum efeito e têm alguma eficácia, mas também não pode ser só aquilo.

Não deu 1% nas legislativas, não é?

Pode valer mais nas próximas, não sabemos. A política também é feita de slogans e de soundbites. Mas depois também é preciso mais substância e Mayan Gonçalves teve muita dificuldade. E eu estou a iniciar esta tradição de eleger um momento nonsense em cada debate e gostei particularmente do final de Marcelo Rebelo de Sousa, quando o mesmo Marcelo Rebelo de Sousa que diz que faz sempre questão de separar as águas e dizer que não pode comentar determinados assuntos porque é presidente da República, geralmente são assuntos que o embaraçam, desta vez reservou a parte final da entrevista para falar sobre a variante do coronavírus no Reino Unido e os contatos com as autoridades da Madeira, como se isso fosse um tema daquele debate, que não foi, foi Marcelo que o introduziu. Portanto, é sempre muito curioso ver estas mudanças entre Marcelo, o presidente, e Marcelo, o candidato.

Miguel, e que notas para este debate?

Eu vou ser generoso com Mayan Gonçalves, porque acho que dificilmente vai conseguir repetir uma prestação destas. Portanto, vou dar um 17 e a Marcelo um 14.

17, 14, as notas pra este debate aqui por Miguel Santos Carrapatoso. Vamos saber se continuamos com esta toada. Quatro zero neste momento para Tiago Mayan Gonçalves. Judite França, que notas para este debate? E também a começar, claro, pela avaliação, quem é que é o vencedor?

Ora, cinco zero, então. Estamos a cinco zero, porque claramente o vencedor é Tiago Mayan Gonçalves, que surpreendeu. Parecia que ia ocupar aquele lugar do aluno, que ainda está muito verde. Aliás, eu devo dizer que depois da entrevista que deu ao Observador eu achei que ia correr mal para Tiago Mayan Gonçalves, que o Marcelo ia fazer aquela volta no parque com grande facilidade. Não havia a expectativa de que Mayan fizesse o que fez. Em compensação, Marcelo foi o aluno que desiludiu. É melhor preparar-se pra próxima, não achar que isto é tudo fácil e que de repente a sua notoriedade, a sua facilidade de comunicação, a sua experiência de 40 anos de política, de 20 de televisão, que vai resolver tudo, porque de repente o miúdo lá de 30 anos, do Porto, liberal, que aliás, Marcelo falou disso como se fosse um insulto, o que deve ter chateado aquela ala liberal dos que sobreviveram ao cerco do Porto. Não é uma coisa muito agradável de se dizer e portanto deve ter ali também ostracizado, como diz o Miguel, um setor do eleitorado que, e eu acho que o Rui Pedro Antunes, se percebi mal corrige-me, não estavas a desvalorizar o Twitter. O Twitter é um bom medidor destas coisas, mais do que o Facebook, aliás, portanto, não era mau de todo que Marcelo ou alguém por ele desse lá uma espreitadela.

Judite, e já que me permites só pra já que estamos numa-

E o Twitter não correu bem ao Marcelo ontem à noite.

O Twitter não correu nada bem ao Marcelo.

O Twitter nunca corre bem ao Marcelo

Eu ia falar do Facebook precisamente. Muitas pessoas que eu sigo e que são do PS e de esquerda a elogiarem francamente a prestação de Marcelo Rebelo de Sousa e aquilo que dizem ter sido um desastre de Maia. Portanto, aí também se vê que Marcelo não estava a falar para essa parte do eleitorado.

Digamos que os líderes do eleitorado de esquerda estão a torcer por Marcelo Rebelo de Sousa. Portanto, vão tentar influenciar as redes sociais a dizer que Marcelo fez e aconteceu. Agora, Marcelo não se pode esquecer que o eleitorado do PSD está com ele. E o eleitorado do PS pode ser móvel. Não sabemos. Há essa facilidade de ser móvel, pode de repente pensar: "Bom, Ana Gomes ideologicamente é mais próxima de mim." O eleitorado do PSD, apesar de ter o Maia Gonçalves e eventualmente o Chega, se quiserem ir mais para a direita do que eventualmente deviam. Mas, de facto, Marcelo não pode esquecer o eleitorado do PSD, porque esse é o mais importante.

Judite, olhando para aquilo que foi este debate, tendo que dar uma nota aqui ao que foi a prestação dos dois candidatos, como é que faz essa distribuição?

Tiago Maia Gonçalves, para mim, é claramente um 16. É aquele aluno que tem potencial para subir depois no terceiro período, porque de facto surpreendeu a aula. E Marcelo achava que o teste era fácil e não se preparou bem, foi demasiado relaxado, sem respostas na ponta da língua e portanto acabou fintado.

E qual é a nota para Marcelo?

Marcelo tem um 13 e se não melhora no terceiro trimestre, não vai além dos 50 e muitos por cento quando se estava a esperar uma verdadeira abada.

Portanto, pior nota para o professor do que para o aluno.

Claramente.

Paulo Ferreira, para fechar, quem é o vencedor deste debate? Temos seis-zero?

Nós temos seis-zero. Eu vou destoar aqui desta tendência geral, vou dar um empate já. E explico porquê. Primeiro, o meu grande protesto aqui com o Miguel Santos Raposo, que eu tinha aqui preparadíssima a metáfora do futebol da Taça de Portugal e ele-

Desculpa, Paulo, não volta a acontecer.

Miguel, espero bem. Há aqui uma nuance.

Isto não fica seis-zero, fica cinco e meio.

Fica, exatamente. Vou já. 14 anos e por quê? Miguel Santos Raposo, eu acho é que neste caso não foi Marcelo Rebelo de Sousa, o experiente da primeira divisão, candidatíssimo ao título, que foi jogar fora. Não, ele recebeu em casa o inexperiente, o desconhecido, clube da segunda ou terceira divisão, que ninguém conhece, ou pouca gente conhece, que neste caso é Tiago Maia Gonçalves. Não é que a idade aqui seja um posto, não é de todo, mas a experiência é muito importante. E nós temos que perceber que Marcelo, neste momento, é dos políticos ativos, o que tem mais experiência política. E Tiago Maia Gonçalves, há meio ano ninguém sabia dele, ninguém sabia quem era enquanto político. E, portanto, quando ele nasceu, já Marcelo Rebelo de Sousa andava nos parece para chamar Lélia Diniz, Balsemão, por exemplo, e estas coisas contam.

Deixa-me só interromper, porque eu acho exatamente por isso, por esse historial tão forte de Marcelo, tão pungente, por essa experiência tão grande, por ter uma notoriedade, segundo disse a penúltima sondagem do Observador, de 100%. Toda a gente conhece Marcelo Rebelo de Sousa, Marcelo candidato, Marcelo presidente, Marcelo amoroso. Ainda no Zoom da semana passada recuperávamos os brasileiros que fizeram uma entrevista na Praia do Alvor a Marcelo Rebelo de Sousa, só para o YouTube e Marcelo superdescontraído.

Esta é a rock que nós temos na política portuguesa.

É um one man show.

Sim, sem dúvida.

E ontem deixou-se...

E acontecendo taça, como se diz. Mas eu acho que não aconteceu. Por quê? Porque, de facto, o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal entrou ao ataque, claramente. Tinha algumas jogadas preparadas, que correram bem. Os tais soundbites que já falamos aqui, os hashtags, correram-lhe bem. A crítica, a acusação de Marcelo de só buscar a popularidade. E nós todos sabemos como isso é verdade. Marcelo alimenta-se de popularidade, alimenta-se do carinho e da forma como ele sente que é gostado pelo povo de uma forma genérica, obviamente, e faz muito para ter popularidade, faz quase tudo para ter popularidade. As acusações que ele foi fazendo sobre as colagens ao governo, como é evidente. Ele acusou-o de ser o ministro da propaganda do governo e acaba com aquela tirada forte que é o senhor é o candidato dos donos disto tudo, a fazer-nos lembrar, de facto, Ricardo Salgado. E isto correu-lhe bem. E Marcelo aí percebeu que tinha que acelerar e tinha que colocar a sua experiência e o peso institucional do seu cargo também ao serviço deste debate e ele aí acelerou. E eu diria que foi surpreendido até ao intervalo e depois acelerou e facilmente também conseguiu equilibrar as coisas quando ele pergunta: "E quando é que Marcelo vira o jogo?" Para mim, ele vira o jogo, de facto, quando devolve a pergunta a Tiago Maia Gonçalves e diga: "Então diga-nos lá que decretos, leis é que eu aprovei, que teria vetado." E Tiago Maia Gonçalves sai-se com aquela lei que é importante, de facto, da eleição para as CCDRs, mas que eu acho que a maior parte das pessoas que estava ouvindo não percebe o que é que está em causa. É difícil explicar porque é que aquilo é perverso e altamente perverso. E depois eu acho que Marcelo acaba por equilibrar muito bem as coisas quando pergunta qual era a alternativa então da Iniciativa Liberal ou de Tiago Maia Gonçalves aos sucessivos estados de emergência e às medidas que têm sempre de estar em cima da mesa. E Tiago Maia Gonçalves, de facto, não respondeu, não conseguiu dar um contributo positivo. Eu acho que depois de ter surpreendido ao intervalo, Marcelo acelerou e acabou por equilibrar o jogo. Fosse isto futebol, ele teria que ir a uma segunda volta, um segundo jogo para desempatar.

Ou prolongamento. Mas olhando para as notas neste debate, para terminar, que notas é que atribuis, Paulo?

14, 14. Dois 14.

14, 14 nesta avaliação ao debate aqui por Paulo Ferreira. E olhando aqui para o somatório do que foi a votação do nosso vasto painel, claramente tivemos Taça de Portugal com vitória para Tiago Maia Gonçalves. De acordo com a avaliação aqui pelo nosso painel, 79 pontos para Tiago Maia Gonçalves e 65 para Marcelo Rebelo de Sousa. Está feito e o vencedor é... sim, Paulo.

Miguel, deixa-me só fazer aqui a média rápida, já agora, destes totais. Marcelo Rebelo de Sousa sai com uma média deste painel de 13 pontos e Tiago Maia Gonçalves uma média de 15,8 pontos.

Portanto, vitória para Tiago Maia Gonçalves neste debate. Fica aqui feito e o vencedor é... amanhã estamos de regresso para analisar os debates de Logo à Noite.