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Para a análise e pontuação temos conosco José Manuel Fernandes, Miguel Pinheiro, Rui Pedro Antunes e Miguel S. Carrapatoso, que se junta à equipe das manhãs 360, Judite França, Paulo Ferreira e Miguel Cordeiro.

E hoje temos uma tarefa difícil. Vamos analisar e avaliar os três debates de ontem. Foram seis dos sete candidatos que estiveram nestes frente a frente e vamos seguir pela ordem que tiveram esses mesmos debates, por isso começamos pelo frente a frente entre Marcelo Rebelo de Sousa e João Ferreira. Hoje começo por Miguel Pinheiro. Miguel, bom dia novamente. Quem foi o vencedor?

Bom dia. Este debate acho que acabou num empate, como seria de esperar, estando em causa dois camaradas do mesmo partido. Marcelo Rebelo de Sousa e João Ferreira claramente estão de acordo em relação a tudo, pelo menos acreditando na versão de Marcelo Rebelo de Sousa. O atual presidente da República esteve a tentar convencer os eleitores comunistas que é um deles, que não vai ameaçar o partido, nem a esquerda no seu segundo mandato, concorda com tudo aquilo que João Ferreira dizia. E João Ferreira, coitado, esteve ali a tentar naquela meia hora mostrar que são pessoas diferentes, que pensam de maneira diferente, mas não foi fácil, foi difícil. Por isso, um 14 pros dois, que é também pra ninguém ficar chateado.

Muito bem seguimos para José Manuel Fernandes. Vamos olhar para este debate entre Marcelo Rebelo de Sousa e João Ferreira. Quem venceu, José Manuel?

Eu, apesar de achar que eles andaram a nadar nas mesmas águas e a falar pro mesmo eleitorado, acho que apesar de tudo, João Ferreira precisava de afastar um bocadinho Marcelo Rebelo de Sousa da sua praia. Era esse o objetivo que ele tinha naquele debate. Precisava de sacudir um bocadinho ali a água daquele capote e não conseguiu. Ou conseguiu muito liminarmente, porque cada vez que procurava ir às questões laborais, talvez fosse o único terreno em que ele pudesse conseguir alguma coisa, era impedido disso. E Marcelo Rebelo de Sousa passava o tempo a entrar nas áreas mais preservadas do PCP pra dizer que era fofinho e queridinho pra aquele eleitorado. Foi um debate muito morno, muito amigável, nada parecido com o primeiro debate de João Ferreira, que aliás desta vez se apresentou de gravata, ele não tem sempre o mesmo posicionamento nos debates. Vamos ver como é que ele se apresenta nos próximos, se mantém o posicionamento sem gravata ou com gravata.

Tem a hipótese do laço, não é?

Fazemos apostas. Tem também a hipótese do laço ou da camisola de gola alta. Há sempre várias hipóteses. Ou T-shirt, sei lá. Seja lá como for, eu dou uma vitória tangencial, 14-13 a favor de Marcelo.

Vitória para Marcelo Rebelo de Sousa, na opinião de José Manuel Fernandes. Seguimos com a análise. Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador. Quem é o vencedor deste debate?

Pra mim também é Marcelo Rebelo de Sousa, de forma muito tênue também. Já direi a nota, mas de fato, eu concordo que Marcelo Rebelo de Sousa não é só a questão de ser uma espécie do presidente da geringonça, mas de fato tudo que ele tem dito mostra que ele está cada vez mais colado à esquerda. Já com o Maia Gonçalves tínhamos visto isso, ou seja, ele convictamente é mesmo um social-democrata naquilo que diz. Não acho que seja uma espécie de um intelectual do comitê central ou o Paul Pot de Cascais, alguma coisa desse gênero. Mas parece-me que Marcelo Rebelo de Sousa, de fato, é o verdadeiro, personifica o catch-all, e ele quer tudo, quer comer tudo, tudo que é voto, inclusivamente os do PCP, e por isso a estratégia foi essa. Se repararem bem, aquilo que Marcelo Rebelo de Sousa concordou não são coisas como a nacionalização de todas as empresas. Não, é salário mínimo mais alto. Concordo. Mais direitos pros trabalhadores. Concordo. Foi só isto que ele disse que concordava com João Ferreira, mais coisa menos coisa. Não foi assim coisas muito grandes que o tornem num czar vermelho. Ainda assim, teve um momento drop the mic que eu me lembro, que é quando ele diz para João Ferreira que: "Como sabe, eu queria também isso tudo, mas o ótimo é muitas vezes diferente do possível. E quem sabe isso muito bem é o PCP, que viabilizou cinco orçamentos, três deles do presidente do Eurogrupo". Ora, foi mesmo ali ao osso e acho que por isso há uma ligeira vantagem para Marcelo Rebelo de Sousa, porque conseguiu, nesse aspecto, estar um bocadinho acima de João Ferreira. As notas, Miguel?

É isso, vamos dar os valores dessa vantagem.

13 pra Marcelo e 12 pra João Ferreira.

13-12, aqui a avaliação de Rui Pedro Antunes. Seguimos com a nossa editoria de política, subeditor Miguel Santos Carrapatoso. Quem venceu este debate entre o atual presidente da República e o candidato do PCP?

Terei de dizer Marcelo Rebelo de Sousa. Marcelo conseguiu impor mais uma vez aquele estilo meloso que quer levar e que está a levar pra todos os debates, mas conseguiu passar três mensagens que pra ele são importantíssimas nesta campanha: o de se afirmar como o único garante de estabilidade, afastar o papão de que no segundo mandato está mortinho pra pôr a direita no poder

E o de dizer que não será um candidato de fação, algo que nenhum outro candidato neste momento pode afirmar com propriedade. Mas também não deixa de ser curioso e de causar alguma estranheza, como já fomos dizendo neste fórum, que um debate entre um campeão da direita, que é Marcelo Rebelo de Sousa, que tem o apoio dos dois maiores partidos de direita e um candidato comunista, neste debate Marcelo não fale uma única vez para o seu eleitorado clássico. Faz lembrar aquele filme do Moretti, mas ao contrário: "Oh homem, diga alguma coisa à direita". Enfim, João Ferreira, de facto, teve algumas dificuldades em desfazer-se do abraço de Marcelo, mas teve ainda assim uma prestação mais positiva do que no debate contra André Ventura. Também não era difícil tê-lo. Conseguiu marcar alguns pontos junto do seu eleitorado, na questão das leis laborais, por exemplo, e nas desigualdades salariais entre homens e mulheres, mas também não foi muito mais além do que isso. Acho que também não era este o debate de João Ferreira. Os debates de João Ferreira serão com Marisa Matias e Ana Gomes. São elas que estão a disputar o seu eleitorado mais à esquerda, mas teve, no fundo, uma prestação razoável e positiva, ainda assim.

E que avaliação dás a este debate?

Marcelo 15, para ser um bocadinho generoso, e João Ferreira 13.

15 para Marcelo Rebelo de Sousa e 13 para João Ferreira. Vamos às duas últimas avaliações. Paulo Ferreira, olhando para este debate, quem é o vencedor?

O vencedor, eu estou em desacordo aqui com os camaradas, já que estamos aqui a falar do debate entre dois comunistas, com os camaradas de painel de comentário. E por uma razão muito simples: Marcelo Rebelo de Sousa, parece que é uma constante, entra em cada debate para fingir de morto. Entra com o seu vestido preto, eu nunca me comprometo, e se pudesse dá a ideia que ele ficava calado o tempo todo, só a acenar e a sorrir para a pessoa que está à sua frente a debater. E ele é o único, de facto, na história dos debates políticos em que pede ao moderador para dar a palavra ao adversário que está ali à sua frente. E portanto, Marcelo está claramente naquela estratégia de não se comprometer rigorosamente com nada e isso ontem ficou claríssimo. Ele é capaz de concordar com uma coisa com o seu contrário, sim, aumenta-se o salário mínimo, mas é preciso ter cuidado, a mesma coisa com os orçamentos. E portanto, ele entra para o dez, para passar à rasca, sem se comprometer, sem correr riscos. E por isso eu acho que ele merece um 10. João Ferreira tentou marcar algumas diferenças, obviamente, perante este candidato de plasticina que está à sua frente. Assumiu riscos das propostas próprias do PCP, o clássico lei laboral, o Serviço Nacional de Saúde versus o Sistema Nacional de Saúde, que eu acho que as pessoas nem entendem muito bem a diferença, a questão das microempresas, e por isso eu acho que ele cumpriu e leva 12.

Portanto, 10 para Marcelo Rebelo de Sousa. 12 para João Ferreira. Última análise a este debate. Temos ainda mais dois para passar em revista. Judite França, quem foi o vencedor neste frente a frente?

Ora, Marcelo Rebelo de Sousa, mas por pouquíssimo, porque eu valorizo os exclusivos e as primeiras mãos e o presidente da República deu uma caixa e portanto, de facto, eu acho que isso deve ser valorizado. Além disso, usou aquele argumento muito expectável, mas muito eficaz do PCP fala, mas depois não o vejo a fazer nada, ou seja, depois aprova os orçamentos todos do Partido Socialista, de quem já disse que tinha uma política de direita, de não defesa dos trabalhadores, mas depois o que é certo é que ou aprova ou deixa passar. João Ferreira, por seu turno, teve hipótese de falar, o que é uma vantagem em relação a sábado. E portanto, saiu daquele ringue de boxe onde naturalmente não se está bem, nem ninguém se pode dar bem. Logo após o debate de sábado, muita coisa aconteceu, como se lembram na internet do PCP. O site do PCP foi abaixo, o site do João Ferreira foi abaixo. As redes sociais agitaram-se para insultar Ventura, como é normal na política habitual do PCP. Mas houve aqui uma coisa muito interessante. Houve um trabalho de filigrana feito por um militante comunista que João Ferreira partilhou no seu Twitter, está disponível no YouTube, que transformou o debate com André Ventura numa espécie de monólogo de nove minutos de João Ferreira. Ora, não tinha as perguntas da moderadora, não tinha as intervenções de Ventura, os apartes, aquela coisa raivosa de não permitir o oponente falar. E partilhou isso mesmo a dizer: "Agora para algo diferente, João Ferreira sem interrupções." O vídeo é muito interessante, está todo escortanhado, aquilo foi um trabalho difícil, de certeza, de montagem, mas é muito interessante porque dá para ouvir o que o João Ferreira disse. Disse muito mais coisas do que eu imaginei, porque não se conseguia ouvir com o André Ventura a falar por cima, muito na linha do que defende para estas eleições, claro. E portanto, de alguma forma, aqui virou apenas o discurso para o presidente da República, como era absolutamente normal. E enfim, Marcelo reagiu, respondeu dizendo que é o presidente de todos os portugueses, que um presidente não pode ser um elemento de fação e que não deve ser, aliás, um candidato de um partido, que coabitou naturalmente com o governo de esquerda, apesar de vir da direita. E portanto, acho que aqui cada um assumiu o seu papel, sendo que Marcelo tem outra experiência, outra postura e lá está, deu aquela caixa a dizer que o primeiro-ministro não demitia Van Dunam e que isso mesmo iria dar conta em breve. Portanto, Marcelo outra vez o jornalista a dar notícias em primeira mão.

E Judite, temos que olhar para as pontuações, notas para este debate.

Ora, Marcelo 14 e João Ferreira 13, porque lá está, teve hipótese de falar e tem coisas interessantes para dizer.

E temos aqui uma vitória neste debate para Marcelo Rebelo de Sousa com 70 pontos neste debate e João Ferreira com 76. Paulo Ferreira, vamos olhar para a média destas notas

Agora sim, com o microfone. Média Marcelo Rebelo de Sousa 13,3, à frente João Ferreira 12,8. Aqui meio ponto a separá-los.

Meio ponto de vantagem para Marcelo Rebelo de Sousa. Vamos ao seguinte debate que aconteceu na SIC Notícias. Marisa Matias esteve frente a frente com Ana Gomes, duas candidatas com candidaturas semelhantes. Inverto agora a ordem de análises. Judite França, para ti, quem foi o vencedor deste debate?

A vencedora deste debate foi Ana Gomes. Já se sabia que ia ser um debate muito ameno, muito simpático, uma conversa entre duas amigas. São BFFs, como se diz agora na linguagem jovem. Não fariam nada que pudesse magoar a amiga de longa data. Ainda assim, foi Ana Gomes que pôs um pouco as manguinhas de fora nesta relação. No fundo são amigas, mas eleições à parte. Ana Gomes sabe que o seu adversário direto não é Marisa Matias. Esta questão da divisão da esquerda já se percebeu que não é bem assim, porque o Bloco de Esquerda saiu muito fragilizado do último orçamento de Estado. Ainda não conseguiu recuperar. O PCP continua, de alguma forma, a cavalgar a onda do que fez, do que conseguiu fazer e do que conseguiu introduzir no orçamento do Estado, que foi aprovado, que passou no Parlamento, apesar do voto contra do Bloco de Esquerda. Ana Gomes sabe que Marisa Matias está nas sondagens com metade dos votos do que teve há quatro anos. Portanto, não há aqui grande perigo. E o que Ana Gomes fez foi apontar baterias a Marcelo, como é suposto, e aproveitar para empunhar a bandeira de resistência contra o fascismo iminente.

Judite, e notas para este debate?

Dou um 15 a Ana Gomes e um 13 a Marisa Matias.

Seguimos com a análise. Paulo Ferreira, como viste este debate?

Da mesma forma em relação à posição das duas debatentes. Acho que de facto Ana Gomes deu um pontapé, esteve melhor do que Marisa Matias deu um pontapé. E esteve melhor por quê? Porque entre duas quase irmãs gêmeas políticas, Ana Gomes tentou marcar algumas diferenças em relação a Marisa Matias, à procura do seu espaço próprio, porque ela não tem nenhum partido oficialmente a apoiá-la. Tentou referir-se ao euro, que merece grandes críticas do Bloco de Esquerda e Marisa Matias, à aprovação do último Orçamento Estado, que foi rejeitado, foi chumbado, teve voto contra do Bloco de Esquerda. Ana Gomes também criticou e também nas questões de defesa. Não conseguiu marcar muitas diferenças, porque Marisa Matias tentou disfarçá-las de alguma maneira. Mas de qualquer maneira, por essa tentativa, Ana Gomes marcou alguns pontos. Só uma nota, falou-se mais de André Ventura naquele debate do que de Marcelo Rebelo de Sousa e as duas candidatas tentaram não ir por aí nas perguntas colocadas pela Cláudia Sousa, e fizeram bem. Deixaram o debate com André Ventura para o momento em que estiverem frente a frente e não para aquele. Notas finais, as minhas: Ana Gomes 14, Marisa Matias 12.

E seguimos com Miguel Santos Carrapatoso. Neste momento vantagem para Ana Gomes. Miguel, concordas também com este posicionamento de vitória para a candidata Ana Gomes?

Concordo com o posicionamento de vitória. Ana Gomes venceu o debate, mas discordo muito do Paulo e da Judite. Acho que Marisa Matias e Ana Gomes são amigas, o tom do debate foi cordato, é verdade, mas acho que foi dramático para Marisa Matias. Enquanto a bloquista ainda insistia que era muito amiga da Ana Gomes e que havia muito mais a uni-las do que a separá-las, já a socialista desmontava Marisa Matias com as contradições do Bloco de Esquerda. Mais, se o grande trunfo de Marisa Matias é vestir a pele de candidata moderada à esquerda, por oposição a Ana Gomes e a João Ferreira, ontem vimos Ana Gomes muito longe do registo trauliteiro que nos vem habituando e a marcar pontos de forma serena e clara. Este era um debate essencial para Marisa Matias, que vem de um excelente resultado nas últimas presidenciais, e que tem em Ana Gomes a sua adversária direta, porque Ana Gomes está a roubar muito eleitorado ao Bloco de Esquerda e à Marisa Matias, mas acho que Marisa Matias perdeu em toda a linha. Ana Gomes, até determinada altura do debate, deu-se ao luxo de sugerir a Marisa Matias que desistisse a seu favor. A perceção que ficou foi que de facto Ana Gomes é a candidata natural deste espaço eleitoral à esquerda e Marisa Matias não conseguiu contrariar. Foi um atropelamento seguido de fuga por parte da Ana Gomes.

Miguel, e notas?

Ana Gomes um 17, Marisa 11.

Seguimos com Rui Pedro Antunes. Rui, como é que olhaste para este debate e também as tuas notas? Temos ainda seis minutos para analisar este e o debate entre Vitorino e Ventura.

Já sem Miguel, posso pôr aqui uma voz de caso de persistência dos sintomas, consulte o médico e confirme a sample, não sei se dá jeito.

Sim, dá jeito. Depois do atropelamento do Miguel, tem que ser.

Basicamente, concordo com o que já têm dito, não vou repetir o que já disseram, mas eram claramente duas amigas, mas uma delas tentou pôr o braço por cima da outra e foi Ana Gomes, que por exemplo, a certa altura conta que tiveram para se organizar numa só candidatura: "Mas depois o partido decidiu apoiá-la", como quem diz, essa só candidatura era protagonizada por mim, Ana Gomes. Ia dizer às pessoas. E depois ainda a convida antes dia 24, ainda há muito tempo, se quiser vir pro meu lado, eu estou disponível. Ou seja, coloca-se ali numa posição de superioridade face a Marisa Matias, que de facto é o pôr o braço por cima e nesse aspecto acho que Ana Gomes venceu o debate por essa circunstância. Além disso, embora Marisa Matias seja mais nova, acho que Ana Gomes traz algo mais novo. Parece que Marisa Matias está a dar o mesmo que deu há cinco anos, enquanto Ana Gomes traz qualquer coisa nova. E nesse aspecto, acho que Ana Gomes venceu. Visto como fui bem sucinto, Miguel.

Falta-me apenas a nota

Exatamente. Notas Ana Gomes 15, Marisa Matias 13.

Miguel Pinheiro, também rapidamente olhar para este debate. Ana Gomes neste momento com 4x0 na nossa análise. Concordas também?

Sim, mas eu acho que as duas cometeram um erro fatal naquele debate. É que ambas se convenceram de que a melhor forma de disputar o eleitorado que partilham é mostrando em que é que se distinguem uma da outra. Quando o que elas precisavam era de mostrar porque é que cada uma delas será mais eficaz contra Marcelo Rebelo de Sousa. Elas estão a disputar o voto da esquerda, que não gosta de Marcelo, que desconfia de Marcelo, e para mobilizar esse voto, que não se mobiliza explicando, no caso da Ana Gomes, o que a distingue de Marisa e vice-versa. Esse eleitorado mobiliza-se mostrando: "Eu sei atacar de forma mais eficaz Marcelo Rebelo de Sousa, eu sei criticar Marcelo Rebelo de Sousa de forma mais eficaz, votem em mim, porque o meu voto tem mais força". Realmente perderam-se ali nesta tentativa de fazer com que os eleitores não se decidam no dia do voto através de uma moeda ao ar, e acho que foram tiros ao lado de ambas. De qualquer forma apesar de tudo Ana Gomes esteve melhor, conseguiu abrir um bocadinho também a um eleitorado que não seja daquela esquerda meia hippie, que também não gosta de autoridade nenhuma, fartou-se de falar das Forças Armadas e da Polícia e defender as Forças Armadas e a Polícia. Apesar de tudo, Ana Gomes 11, Marisa Matias 10.

E para fechar, José Manuel Fernandes, avaliação deste debate.

Eu depois deste debate fico com uma dúvida, que é saber se Marisa Matias ainda é candidata. Marisa Matias nos dois debates em que esteve presente não debateu. Confessou, confraternizou, deu palmadinhas nas costas, mas verdadeiramente não debateu. Marisa Matias não está combativa, não me parece ter energia, não parece ter stamina, claramente não está já duas vezes nos seus melhores dias e não se percebe qual é o objetivo da sua candidatura, o que vai na segunda linha destes momentos em que o Bloco de Esquerda de repente percebe que cometeu um erro, que fica fora de pé e não sabe como é que há de corrigir esse tiro. E esse erro foi a forma como conduziu o processo do Orçamento de Estado e por isso o único discurso que Marisa Matias tem é voltar repetidamente à questão da lei, que já não se pode ouvir, da Lei de Bases da Saúde de Semedo e Arnaut, Lei de Bases da Saúde de Semedo e Arnaut, Lei de Bases da Saúde de Semedo e Arnaut. É um disco rachado, não sai disto e não vai assim a lado nenhum, obviamente.

José, precisamos de seguir com os nossos.

Não foi nada difícil a Ana Gomes vencer este debate, ficar por cima e teve também outra vantagem, ela foi mais serena, não foi aquela Ana Gomes radical que nos apareceu muitas vezes nos últimos tempos, por isso dou-lhe 14 Ana Gomes e sete Marisa Matias.

E temos, por isso, 66 pontos para Marisa Matias e 86 para Ana Gomes. Paulo Ferreira.

Médias. Ana Gomes 14,3 e Marisa Matias 11.

Temos cerca de dois minutos para olhar para este debate, portanto, preciso de rapidez na vossa análise. Rui Pedro Antunes, para começar, já que tiveste esse discurso mais rápido há pouco. Primeiras notas e avaliação deste debate.

Não foi brilhante. André Ventura conseguiu destacar-se e vencer, porque provou que de facto ele não é o Tiririca. Apesar de ser populista, tem ideias e tem uma lógica para o país e Vitorino Silva não tem. Eu sei que é uma grande evolução se pensarmos que ele há poucos anos estava no "Big Brother" com a Fani, a Carolina Salgado, o Jorge Capinha ou o Edmundo dos Desert, mas mesmo assim, Vitorino Silva falta-lhe alguma coisa para que se possa levar a sério a candidatura. Claro que deu ali algumas lições de humanidade a André Ventura, mas parece-me pouco. André Ventura também teve a vantagem de mostrar que consegue passar um bocadinho de animal feroz para português suave. Esteve ali mais bem comportado. Eu acho que estarem sentados ajuda. Mas nesse aspeto, acho que fica bastante óbvio as diferenças entre um político que sabe exatamente o que quer e quem está ali quase por uma questão de marcar um ponto de popularidade. Vitorino Silva para aparecer. Por isso, André Ventura 13, Vitorino Silva 11. Não foi nada do que eu estava à espera este debate.

Seguimos com Miguel Santos Carapatoso. Avaliação deste frente a frente entre Vitorino Silva e André Ventura.

Foi um debate sobre pedras, burros e ciganos e podia ficar por aqui que ficava muito bem. Acho manifestamente exagerado, Rui perdoa-me, dizer que Vitorino Silva deu uma lição de humanidade com a sua metáfora sobre as pedras a André Ventura. Acho que ficou provado que Vitorino Silva não tem condições para ser candidato ao que quer que seja, muito menos a Presidente da República. André Ventura teve a vida facilitada, falou de todos os seus temas fetiches, sem qualquer contraditório sólido, e ainda rezou pelo regresso de Pedro Passos Coelho, que está sempre a picar ali um bocadinho no eleitorado mais à direita. Não sei se ganhou muitos votos neste debate, mas também não perdeu, certamente.

E portanto, que notas é que dás?

Vitorino Silva três, André Ventura 11.

Seguimos com José Manuel Fernandes, avaliação deste debate.

Acho que este debate mostrou-nos um Vitorino Silva que desta vez não tem objeto na sua candidatura, já é uma novidade gasta. Da outra vez ele chegou aos 3% porque conseguia trazer um voto, de alguma forma, o voto que vai buscar André Ventura, que é um voto de protesto, de desencanto. Ele não tem nada já para dizer a essas pessoas, a não ser que é do povo, mas esse povo facilmente se reconhece mais depressa em Ventura, e Ventura pôde corrigir a sua imagem um bocadinho trocadilho dito do debate anterior, explicar partes do seu programa, porque uma parte daquele debate foi uma entrevista a André Ventura, que ele pôde expor-se calmamente e dizer ao que vinha. Portanto, André Ventura 14, Vitorino Silva sete, outra vez. Repito as notas do debate anterior.

E temos ainda três análises para ouvir. Miguel Pinheiro, como é que olhas para este debate?

Não foi um debate, realmente, foram duas entrevistas, ou melhor, uma entrevista e depois outra coisa um bocadinho mais estranha, porque Vitorino Silva ou Tino de Rans, acho que vamos chamá-lo pelo nome dele, não vamos estar aqui agora a usar pseudónimos. Tino de Rans é uma espécie de Mestre Yoda desta campanha. Fazem-lhe uma pergunta e ele responde com metáforas, com imagens, com grandes ensinances.

Eu acho isso tão giro. É tão refrescante.

É muito refrescante. Aquelas frases que davam para ser estampadas em T-shirt e serem vendidas nas feiras e nos mercados. E André Silva pôde falar livremente sobre ciganos, que é o que lhe interessa. Portanto, André Ventura 14 e Tino de Rans nove.

Paulo Ferreira, temos menos de um minuto.

Numa frase só, eu acho que isto foi um debate entre dois mundos diferentes, claramente dois projetos, motivações e agenda completamente distintos. E acho que qualquer termo de comparação, são jogos completamente diferentes. Alguém estava a jogar futebol e outra pessoa a jogar basquete. Foi um debate entre o saber popular contra uma certa esperteza populista. Ainda assim, eu gostei de ouvir algumas indiretas de Vitorino Silva a André Ventura. 13 para Vitorino Silva, 12 para André Ventura.

Judite, para fechar.

O vencedor para mim é claramente Tino de Rans. Não concordo nada com o que vocês disseram todos. Eu acho que ontem, ao ouvir Vitorino Silva, para mim, a par de Tiago Mayan, a fazer fé nos últimos debates e intervenções, é a grande revelação destas eleições. Está completamente diferente daquilo que fez há quatro anos. André Ventura ontem não disse nada, não fez nada de novo, disse exatamente aquilo que costuma dizer, mas esteve educado, calminho. Foi uma conversa porreira, como disse o Vitorino Silva, que eu acho que merece mais pelo esforço. Fez as tais metáforas, as comparações, levou pedras. Podiam ter jogado ali ao berlindo ou qualquer coisa do gênero. Eu acho que foi, sinceramente, um debate em que prova que Tino de Rans é o homem do povo do resto do país e é dos descontentes, mas dos descontentes que não andam para aí aos gritos. E Ventura é o tal do povo dos meios urbanos, e esses são muito menos. E portanto André Ventura 12 e Tino de Rans ou Vitorino Silva, 14.

Temos, por isso, uma vitória para André Ventura neste debate. Paulo Ferreira, vamos olhar para a média destas avaliações.

Médias, claramente André Ventura vitorioso, aqui 12,7 média, e Vitorino Silva aqui no limiar, na primeira negativa desta série de debates, 9,5%. Dá para arredondar.

Dá para arredondar? Não preciso de exame, então.

Vai a oral.

Vai a oral.

E fechamos assim o E o Vencedor É, um bocadinho para lá da hora certa. Amanhã voltamos a fazer uma nova ronda de análise pelos debates às eleições presidenciais.