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Ontem foi dia de confronto entre Marcelo Rebelo de Sousa e André Ventura na SIC. Já na TVI 24 assistimos ao debate entre João Ferreira e Tiago Maia Gonçalves. Vitorino Silva e Ana Gomes estiveram juntos na RTP3. Para análise e pontuação a estes três debates temos, como de costume, José Manuel Fernandes, também Miguel Pinheiro, Rui Pedro Antunes e Miguel Santos Carrapatoso juntam-se à equipa das manhãs 360, Judite França, Paulo Ferreira e Carla Jorge de Carvalho.
Muito bom dia a todos. Mais três debates para analisar, em que se foi do paraíso ao inferno e onde se voltou a discutir o que é ser de direita. Comecemos então pelo frente a frente que opôs Marcelo Rebelo de Sousa a André Ventura. José Manuel Fernandes, e o vencedor é?
Acho que o vencedor é Marcelo Rebelo de Sousa. Finalmente acordou, esteve melhor. Apesar de ter tido alguns momentos em que tremeu, por assim dizer, mas deixou-se da posição senatorial, de avôzinho. E eu dou-lhe a vitória. Acho que houve no momento em que ele sobretudo disse: "O senhor está aqui numa pessoa muito diferente de quando vai a Belém. Vem para aqui dizer coisas diferentes." No fundo, tentando mostrar que aquele André Ventura é um André Ventura, também ele feito para campanha eleitoral, um André Ventura fictício, que se veste de maneiras diferentes para agradar o eleitorado, ou então para se apresentar de licor doce nas audiências em que se apresenta em Belém. Mostra que estava preparado para responder ao adversário que tinha pela frente, designadamente também para o mandar calar quando ele estava a interrompê-lo. Portanto, foi um debate animado. Sobretudo, teve um aspecto que eu acho muito importante e do ponto de vista da eficácia, talvez o mais eficaz de todos, foi quando ele recordou que é católico e que se inspira no Papa Francisco, tocando naquilo que é uma das bases do comportamento de André Ventura. André Ventura deixa-se filmar a rezar e passa a vida a apelar à sua base religiosa e desse ponto de vista, o presidente não quis deixar de se posicionar nesse campo e não deixou de dizer que era de direita, mas de uma direita diferente. Desta vez não deixou abandonado esse campo, ao contrário, por exemplo, do que tinha feito quando debateu com Tiago Maia.
E quanto à pontuação?
Quanto à pontuação, eu dou 16 a Marcelo Rebelo de Sousa e 12 a André Ventura.
As primeiras notas desta manhã. Miguel Pinheiro também dá a vitória a Marcelo Rebelo de Sousa neste debate?
Também. Tinha ficado no ar, no debate entre André Ventura e Tiago Maia Gonçalves, que poderia dar-se o caso de ser André Ventura quem, em Portugal e talvez no mundo ou no universo, decidia o que era a direita e não era a direita, e que qualquer pessoa que não pensasse rigorosamente como ele era um perigoso esquerdista, maoísta, marxista, leninista e outros istas. E Marcelo Rebelo de Sousa veio lhe explicar que não. Há direitas diferentes e a direita de Marcelo não tem nada a ver com a direita de André Ventura. Aliás, ele disse textualmente: "Eu não tenho nada a ver com a sua direita". E portanto, ficou claro. Acho que convinha, nesta altura, todos percebermos que há direitas diferentes. E por isso Marcelo acho que conseguiu um 18 e ganhou ao expor isso e ao expor também aquilo a que chamou de demagogia barata de André Ventura, quando André Ventura disse que tinha ido muitas vezes a Pedrógão e Marcelo respondeu: "Ai foi? Imagina." Enfim, foi um momento interessante. Apesar de tudo, André Ventura começou muito bem-educadinho, muito caladinho, muito calminho, nem parecia o mesmo. Depois foi ganhando mais à vontade e claramente conseguiu complicar as coisas para Marcelo Rebelo de Sousa na questão do bairro da Jamaica. Marcelo Rebelo de Sousa não conseguiu dar uma resposta suficientemente eficaz ao discurso insistente de André Ventura. E portanto, para o eleitorado de André Ventura, houve ali algumas coisas que lhe correram bem e por isso eu dou a André Ventura um 14.
Um 14. Mais quatro pontos para Marcelo do que para André Ventura. Rui Pedro Antunes, caminhamos para a unanimidade em relação ao vencedor deste debate?
Do que depender de mim, podem contar com o meu contributo para isso. Para mim, tivemos um Marcelão a fazer marcelices. Eu acho que toda a forma como envolveu o debate, até a forma como comunicou o teste, ajudou a condicionar um bocadinho André Ventura. Não estou a dizer que houve nenhum artifício aí, mas mesmo a forma como comunicou ajudou a condicionar, provavelmente, a preparação de André Ventura do debate. Mas acho que Marcelo Rebelo de Sousa, de facto, venceu de uma forma bastante clara Contudo, o que o Miguel e o José Manuel já disseram, porque a todos os níveis, desde isso que o Miguel disse de imagina, imagino, desde dizer esta distinção que faz, diz tudo de si. Depois, há um lado que é a primeira vez que Marcelo Rebelo de Sousa, se nos recordarmos quando estava com a Marisa Matias, quase parecia do mesmo partido, com João Ferreira também, ou pelo menos muito próximo. E agora que estava perante um candidato da direita, foi a primeira vez que disse de uma forma clara: "Eu sou da direita social". Ele disse a palavra "eu sou da direita". Nunca tinha ouvido nestes debates, nem nesta pré-campanha, essa expressão. E portanto, aí acho que Marcelo Rebelo de Sousa foi bastante eficaz. Depois, acho mesmo uma nota de Marcelo, como o Mercel disse, esta história das audiências em Belém. Por quê? É impossível provar se isso aconteceu ou não. Não estou a pôr a caso a palavra do presidente André Ventura, mas de facto é uma audiência em Belém que ninguém pode comprovar se aquilo é verdade ou não. E entre Marcelo e Ventura, as pessoas vão acreditar mais em Marcelo e por isso é que essa jogada foi bem jogada por parte do presidente. Ninguém vai dizer: "Ok, então prove lá que André Ventura é mansinho em Belém ou o contrário." Portanto, aí é que a jogada foi bem jogada. Só discordo de uma coisa, quando o Miguel Pinheiro estava a dizer que não correu bem a parte das fotografias a Marcelo. Eu acho que essa parte não correu bem a André Ventura também. Foi a melhor jogada de André Ventura, mas mesmo assim não correu bem, porque a certa altura, tentar apertá-lo com o lado dos polícias e ter tirado uma foto ao lado dos bandidos. E Marcelo Rebelo de Sousa disse: "Normal, para mim não há os portugueses puros e impuros, não há os que moram no bairro social, não há os que são condenados e não são. Eu também sou o presidente de todos os bandidos, também sou o presidente de todos os corruptos, também sou o presidente de todos os ladrões." E isso é o que se pede a um presidente, não é que seja só o presidente de quem se comporta bem, porque o presidente é de todos os portugueses, isso não há dúvida nenhuma.
E Rui Pedro, dito isto, quanto é que vale o teu Marcelão?
O Marcelão tem um 18 e André Ventura, por não ter conseguido contrariar isso, tem um nove. Uma negativa alta.
Uma negativa alta. Miguel Santos Carrapatoso, consegues ser mais generoso que o teu editor Rui Pedro Antunes? Que notas dás a estes dois candidatos?
Vou estar muito em linha com o que já foi sendo dito. Finalmente vimos um Marcelão, para citar Rui Pedro Antunes. Foi refrescante ver Marcelo debater pela primeira vez nesta campanha, a esquecer aquele lado delicO doce irritante que tem levado para todos os debates, a ser impositivo, a traçar claramente um cordão sanitário entre aquilo que representa e o que defende André Ventura. Marcelo foi muito eficaz na forma também como usou os legados de João Paulo II e de Francisco Sá Carneiro, que Ventura diz serem as suas grandes inspirações. Quer dizer, Marcelo provou que estes dois homens estão nos antípodas do que defende Ventura. Depois, como já falamos aqui, aquele momento Vichy Soisse delicioso, quando Ventura acusa Marcelo de ser manipulado pelo governo e o presidente e candidato engrossou a voz e sugeriu que Ventura era um impostor, que se comporta de uma forma muito mais mansa nas audiências com o presidente. Foi momento Vichy Soisse muito assinalável para quem gosta de política, mas também não foi uma prestação sem falhas, ainda assim. Marcelo continua sem uma resposta sólida na questão de Joana Marques Vidal e André Ventura explorou mais uma vez esse tema. Usou alguns argumentos infantis, como: "Eu não ando com a esquerda ao colo porque até dei posse à direita nos Açores." Ora, não é essa acusação que se faz. Quando se diz que Marcelo está colado ao governo, não é exatamente porque permite que uma maioria de esquerda governe, não é essa a crítica. E depois, discordo do Rui na questão do bairro da Jamaica. Aí a crítica não era tanto a foto, era o facto de Marcelo não ter-
Discordas do Rui, concordas com o diretor.
Exato.
É assim que eles vêm. Eu cheguei onde cheguei por algum motivo. Porque aí a questão não era exatamente ter tirado a foto ao lado daquelas pessoas. Obviamente, um presidente é um presidente de todos, sejam bandidos ou não, isso é indiferente. A crítica que foi feita a Marcelo na altura foi o fato de não ter estado ao lado da polícia ou não ter visitado, não ter tido a mesma atenção que teve com a polícia, do que teve com aquela comunidade, que merece toda a atenção. Aliás, o ponto não é esse. E quando Marcelo responde à provocação de Ventura dizendo: "Bom, eu não fui à esquadra do bairro da Jamaica, mas fui a outras." Isso não é um argumento, isso é um argumento infantil. Ventura, muito rapidamente. Ventura, curiosamente, também teve a sua melhor prestação até o momento. Controlou o tom trolliteiro e conseguiu encurralar aqui e acolá o adversário, não sendo monotomático, mas depois cometeu um erro, que foi tentar colar Marcelo aos incêndios de 2017, quando esse foi o momento em que Marcelo foi mais duro com o governo, foi um exemplo um bocadinho incompreensível por parte de André Ventura. Ele que está cada vez mais radical à medida que os debates vão avançando, e isso terá certamente efeitos junto do seu eleitorado, mas acho que não muito mais do que isso. E ontem foi eficaz a fazê-lo. Marcelo, esse, provou finalmente aquilo que o distingue junto do eleitorado de direita. É o único que, apesar de todos os seus erros e contradições, agrega verdadeiramente, não divide e tem autoridade moral. E isso, nos tempos de hoje, já é muito.
Traduzindo por números, Miguel, quanto dá a cada um?
Marcelão 18, Ventura 13.
Aqui ficam as contas e a atribuição de pontos do Miguel. Paulo Ferreira, vamos a ti agora.
Vamos, e já sem tempo.
Pois, já estás habituado.
Claro, habituadíssimo. Não vou discordar do tom geral. Marcelo finalmente chegou aos debates. Até agora ele entrava em campo a ganhar cinco zero, estacionava o autocarro à frente da baliza e ficava ali à espera. E desta vez teve que ir a jogo para traçar muito bem aquela linha entre a direita dele, que é social segundo o próprio, e a direita securitária de André Ventura. E esteve muito bem no debate a reagir. Desmentiu várias vezes André Ventura e deixou muito bem clara a diferença de posicionamento entre os dois. E André Ventura parece, de facto, ter esgotado o seu argumentário. Críticas à comunidade cigana, RSI, menos deputados, prisão perpétua, parece que se esgota um pouco neste menu e já vai começando a ficar gasto. Mas parece que André Ventura anda também, não aqui a participar em debates presidenciais, mas a fazer um curso rápido de direitas sobre as direitas, porque ele vai aprendendo de debate para debate que a dele não é a única, ou provavelmente a dele nem será a direita, verdadeiramente, e que há mais direitas com outros valores muito diferentes daquilo que ele defende. Só uma nota de discordância sobre aquele argumento, quando Marcelo Rebelo de Sousa revela que não admite, senhor deputado, que diga aqui o que não diz nas audiências em Belém, porque lá usa outro tom. O argumento é eficaz, atenção, demonstra também que André Ventura pode ser uma coisa e o seu contrário, mas eu tenho sérias dúvidas sobre a legitimidade de Marcelo Rebelo de Sousa candidato utilizar as audiências privadas do Marcelo Rebelo de Sousa presidente para ganhar um ponto num debate. É eficaz, mas tenho muitas dúvidas sobre isso. Notas: 16 para Marcelo, nove para Ventura, porque cada vez vai compreendo menos os mínimos.
Judite França, vais experimentar o sabor de ouvir dizer: tens muito pouco tempo para a tua análise e para a tua pontuação.
E vou fazer isto num lápis. Ora, o vencedor é claramente Marcelo Rebelo de Sousa, não deixa margens para dúvidas. André Ventura saiu derrotado em toda a linha. Grande vantagem para o presidente da República, que começou o debate tranquilo, com enorme sangue frio, com paciência de Jó, mostrou-se um verdadeiro cristão, como ele disse, mas as armas estavam para André Ventura. Não mediu bem as palavras. Marcelo perdeu a paciência e acabou por tentar civilizar Ventura. Eu acho que já não víamos, de facto, um presidente da República tão combativo desde, e agora não sei se alguma vez vimos nos últimos anos, talvez nos incêndios de 2017, já depois da segunda tragédia e quando ao todo os mortos superaram uma centena. E já vamos falar dos incêndios de 2017. Duas notas breves. André Ventura foi tocar em duas feridas bastante expostas do presidente da República. Marcelo Rebelo de Sousa sentiu-se, porque quem não se sente não é filho de boa gente. Exatamente sobre os incêndios de 2017, mostrou uma fotografia de Marcelo abraçado com Manuel Nascimento, uma fotografia, aliás, do nosso jornalista João Porfírio, uma foto que de alguma forma imortalizou aquela tragédia. Problema: Manuel Nascimento morreu antes de ter a casa reconstruída como lhe tinha prometido o presidente da República. Dito isto, Marcelo perdeu as estribeiras, disse que André Ventura era pura demagogia e depois disse-lhe aquilo que já ouvimos: "O senhor esteve lá, esteve?" E Ventura respondeu que sim, várias vezes, e ele disse: "Ah, imagino".
Deixa-me imaginar a tua pontuação, quanto é?
A minha pontuação é 17 para Marcelo e oito para André Ventura.
E oito para André Ventura. Paulo Ferreira, ajuda-me nas contas. Claramente aqui um vencedor.
Sem qualquer dúvida. Eu penso que é a maior diferença neste momento, de média 17,2 para Marcelo e 10,8 para André Ventura neste debate ontem.
Porque Marcelo Rebelo de Sousa teve no total, de acordo com a pontuação, 103 pontos e 65 para André Ventura. Uma enorme diferença. Vamos agora ser, peço-vos, mais telegráficos nos dois debates que falta analisar. João Ferreira contra Tiago Maian Gonçalves. José Manuel, o vencedor.
Bem, este é um debate em que o vencedor nós vamos dar mais por aquilo que podemos considerar a nossa aproximação a cada uma das posições dos dois candidatos.
Estão a falar para eleitorados diferentes, não é?
Estão a falar para eleitorados muito diferentes. Foi um debate de posições ideológicas. Eles praticamente não falaram um com o outro. Um falou de comunismo, outro falou de liberalismo. Portanto, foi um debate em que foi muito difícil. Quase não debateram e houve pouco tempo também para explicarem as suas posições. Portanto, eu acho que foi um debate, desse ponto de vista, sinceramente, não muito esclarecedor. Estavam posições muito diferentes, portaram-se os dois muito bem, muito civilizadamente. Eu acho que também nenhum deles foi particularmente brilhante. Eu vou dar 14 ao Tiago Maian e 13 ao João Ferreira.
Quatorze para Tiago Maian e 13 para João Ferreira. É isso, José Manuel?
Sim, é isso mesmo.
Miguel Pinheiro, que pontuação dás tu?
Onze para cada um, um empate. Nenhum esteve especialmente bem, nenhum esteve brilhante e acho que nenhum dos dois ganhou ou perdeu votos com aquilo.
Muito bem. Rui Pedro Antunes, e para ti, quem foi o vencedor e quantos pontos dás?
Não houve vencedor também para mim. Um empate a 10 entre João Ferreira e Maian Gonçalves. E para mim aquilo foi também um debate muito ideológico, fazendo-me lembrar um bocadinho, aqui para resumir
Talvez um ato do lado da barca do inferno, uma coisa deste gênero. Maian, à direita do palco, diz: "Quereis entrar no meu paraíso liberal, camarada João Ferreira?" Ele respondeu: "Jamais, mas pensardes vós que iria para esse inferno dos povos, meu anjo investidor?". Fim do primeiro ato. E foi isto, foi entre o paraíso liberal, a utopia comunista, discutiu-se aqui utopias, dois processos que nem o comunismo foi aplicado ainda verdadeiramente como foi pensado, nem o liberalismo. Ambos têm muitos defeitos e eles esforçaram-se por expor esses defeitos, mas não acho que tenha sido um debate sequer ideologicamente rico no sentido de ter trazido algo novo. Ficou sempre à volta dos mesmos chavões.
Beza Des.
Exatamente. Carla, eu sei que temos pouco tempo.
Estamos com muito pouco tempo. Miguel Santos Carrapatoso, agora tu, por favor.
Sorte a nossa de termos um Rui Pedro Antunes que na véspera cita "Dragon Ball" e hoje traz-nos Gil Vicente.
Não é para todos.
Não é para todos.
18 para Rui Pedro Antunes.
18 para Rui Pedro Antunes. O meu vencedor é João Ferreira. Foi um debate ideológico entre dois seres de planetas totalmente diferentes. Acabou por perder algum interesse à medida que foi avançando, porque os dois candidatos começaram a trocar cromos caricaturais um do outro e a repetirem preconceitos gastos sobre o que é o comunismo ou o que é o liberalismo. E aí perdeu-se um pouco. Mérito para Tiago Maia Gonçalves, que mais uma vez, apesar de ser profundamente inexperiente, bateu-se bem contra João Ferreira. Não foi humilhado, nem foi uma derrota em toda a linha. O debate correu bem a ambos, porque marcaram pontos juntos dos seus eleitorados, aliás, só falaram exclusivamente para eles, mas João Ferreira esteve objetivamente mais sólido, menos hesitante do que Maia Gonçalves, e por isso a minha vitória para João Ferreira. Notas: João Ferreira 14, Maia Gonçalves 13.
Muito bem. Paulo Ferreira, e tu? Tens Gil Vicente para citares?
Não, não tenho Gil Vicente para citar, mas é um empate, claramente, aqui. Para mim, 14/14 para ambos. O debate ideológico, duas visões completamente distintas, sobretudo daquilo que deve ser a economia. Falou-se pouco ou nada da função presidencial, obviamente, e isto podia ser perfeitamente um debate para umas legislativas. Foi muito programático também. Acho que foram ambos claros sobre os pontos principais, tanto quanto se pode ser num debate de 30 minutos. Foram dignos, elevados, respeitosos, foram combativos e por isso 14 para cada um.
Muito bem. Judite de França, quanto dás a cada um dos candidatos?
Empate também, 15/15. Ninguém ganhou, também ninguém perdeu. Cada um a falar da sua, a aproveitar para explicar ao que vêm, o que acreditam, mas como não disputam o mesmo eleitorado, estão nos antípodas e, portanto, concordam algumas coisas por coincidência, nunca pelos mesmos motivos.
E aqui está, 77/77. Muito fáceis estas contas, Paulo.
Um empate aqui, 12,8 as médias iguais para ambos.
Vamos ter ainda mais telegráficos agora. Vitorino Silva, Ana Gomes, José Manuel Fernandes, que pontuação dás?
Bem, eu acho que aqui ganhou o moderador, porque conseguiu fazer aquilo durar meia hora.
Caros Manuel, dez pontos.
Eu acho que estava a ser difícil ter temas para durar meia hora, porque a certa altura ele já claramente tinha dificuldade em arrancar coisas novas de Vitorino Silva. Eu não sei se ele vai ter coisas novas para dizer até ao fim. Neste debates já se começa claramente a repetir, a ter frases feitas. E ali tinha ao lado Ana Gomes, que apesar de tudo tem assunto, mas que não queria divergir muito Vitorino Silva. Portanto, eu acho que naquele debate ficou muito claro que Vitorino Silva tem muito pouco para dizer. Ana Gomes não chegou a debater com ninguém. Podemos dizer que ela ganhou, mas ganhou por falta de comparência.
Como é que isto se traduz em pontuação?
Como é que isto se traduz em notas? 12/6.
12 para Ana Gomes e 6 para Vitorino Silva. Miguel Pinheiro, e tu?
O maior festival de populismo a que nós assistimos nesta campanha, um espetáculo lamentável, a meia hora mais lamentável da campanha até agora, a abraçarem-se num populismo oportunista a que raramente assistimos até hoje. Ana Gomes a dizer que 41% do orçamento da saúde é desviado para os privados. Convinha explicar, por exemplo, que a maior fatia disso é para medicamentos em farmácias, por exemplo. Não sei se Ana Gomes quer nacionalizar as farmacêuticas e as farmácias, podia ser uma hipótese. Outra fatia vai para consultórios médicos. Não sei se Ana Gomes quer nacionalizar os consultórios dos médicos todos, ou se quer que as pessoas deixem de ir a consultórios e vão para hospitais. Enfim, uma coisa realmente absurda. E tino de rãs, como não, a chamar a atenção para esse grande flagelo em Portugal que são os políticos que estão em prisões com jacuzzis. Como toda a gente sabe, as prisões estão cheias de jacuzzis, eles recebem todos de manhã charutos para fumarem e flutes de Moët & Chandon.
Podia ser um argumento do André Ventura, não é?
Nem André Ventura se atreva tanto, mas como é Vitorino Silva, muitos sorrisos, Ana Gomes diz: "Concordo muito consigo, dê cá um abraço, venha para o meu partido, estamos todos de acordo". Enfim, isto já começa a ser uma coisa que eu-
Desculpa, vais entrar na pontuação negativa? Estou a olhar para isso.
Quase. Vou dar três a cada um, mas acho que já começa a ser tempo de pararmos com esta condescendência para com Vitorino Silva, que diz este tipo de coisas. E depois isto, de fato, é que mina. Acham que o povo é isso? As pessoas acham que o povo, coitadinho, acha isto? Não, o povo não acha nada disto. O povo é muito mais do que isto, era o que mais faltava. Enfim, infelizmente ainda vamos ter muitas autoestradas abertas para Vitorino Silva, infelizmente, nesta campanha.
Rui Pedro Antunes, vamos para ti mesmo rápido.
Mesmo rápido. 10 a cada um. Debate muito divertido. Não concordo nada que Tino seja um diabo, e que seja muito desrespeitador. Há outros candidatos que mandam botadas para a Terra, não sei o quê, e outras coisas, de outras formas, e há muita condescendência com essas coisas.
Mas chamou-lhe a atenção para isto, mas Tino de Rans não, é só abraços e beijinhos. André Ventura pelo menos leva respostas, ao menos.
A condescendência com ele é óbvia.
Um dos grandes temas que propôs foi a violência doméstica. O que ele diz não é nada parvo, nas coisas que diz, se formos analisá-las bem. Mas mesmo assim, acho que Ana Gomes conseguiu.
Prisões com jacuzzi.
Por isso é uma candidata. Mas não é uma pergunta escrita por ti.
É uma imagem. É uma metáfora.
Podes concordar ou não, mas ele não acredita que haja jacuzzis nas prisões. Também não é exagero.
Não é uma metáfora, é uma mentira.
Ele também não acredita, mas ninguém acredita.
Metáforas foram os pés dos peixes.
É para alimentar a nossa secção de fact-checks. Não é?
É fácil. Rui Pedro, de 10 a 10, 10 para cada um, não foi?
Dei 10/10. Exactamente.
Muito bem. Miguel Santos Carrapatoso, e tu, quanto dás?
Eu não podia estar mais de acordo com o nosso excelso diretor, Miguel Paris.
Haja alguém.
A sério. Então dás quanto? E já me explicas numa frase.
Por simpatia dou 11 a Ana Gomes e dou mais um ponto a Vitorino, que dei oito, dou um seis, precisamente porque ele falou de questões de género, alterações climáticas e um pouco sobre a geringonça. Mas terminou, e só uma crítica a Ana Gomes muito rapidamente. Irritou-me profundamente o tom condescendente que usou com Vitorino Silva. Acho que é uma péssima postura para se ter num debate, seja com Vitorino Silva, seja com qualquer outro candidato. E Vitorino Silva terminou a comparar-se com a Rainha de Inglaterra, dizendo que se ela conseguiu ser rainha, Portugal também pode ter um presidente calçadeiro. E com isto termino.
E terminas assim. Paulo, como é que tu terminas? Numa frase.
Eu termino numa frase ou duas. Só este ponto: a um determinado ponto, Tino de Rans queixava-se do Hospital Penafiel não ter uma ressonância magnética e disse o seguinte: "Amanhã vou estar com o Marcelo no debate e vou dizer-lhe: 'Marcelo, mas nós os dois juntos conseguimos que o Hospital Penafiel possa ter um equipamento de ressonância magnética.'" Ou seja, meia dúzia de dias na capital e Vitorino Silva já percebeu como é que isto funciona. Basta ter pessoas influentes, conhecer alguém, meter uma cunha para as coisas acontecerem neste país. Por isso eu não trago aqui Gil Vicente, mas se calhar aquela figura da "Queda de um Anjo", do Camilo Castelo Branco, que veio da província cheio de grandes esperanças para mudar o regime e acabou perdido ali nas teias de todos os vícios. Era o Calisto Elói, não era? Bom, pela rapidez de aprendizagem.
O Tino é o problema do país.
É isso.
Meu Deus.
10/10 para os dois, aqui no caso de Tino de Rans, precisamente porque aprendeu rapidamente como é que isto funciona.
Judite, e tu mesmo para terminar, pontuação e uma frase.
Vitorino Silva 16, Ana Gomes 15. Ninguém quer ganhar um debate a Vitorino Silva, isso não interessa a ninguém. Ninguém se importa que Vitorino cresça eleitoralmente e acho que há muito potencial de merchandising e T-shirts com as frases de Vitorino Silva. Não nos esqueçamos que só nós é que vemos os debates todos. Sabe Deus, às vezes, com que sacrifício, só nós. E portanto, frases repetidas é coisa que não há problema para quem vê insertos nas televisões.
A ideia das T-shirts vem de ontem, continua a pegar. Ana Gomes teve 61 pontos, Vitorino Silva 51 nas médias, Paulo.
Médias, Ana Gomes 10,2, uma positiva ali à tangente, Vitorino Silva lá perto, 8,5.
Estamos também numa tangente. Muito obrigada. Até amanhã para mais três debates.