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Todas as manhãs na Rádio Observador analisamos e pontuamos os debates dos candidatos presidenciais e hoje olhamos para o confronto entre Ana Gomes e André Ventura na TVI, Marisa Matias e João Ferreira na RTP, e Vítorino Silva e Tiago Maia na RTP3. Para fazer esta análise, juntam-se, como é habitual, com José Manuel Fernandes, publisher do Observador, o diretor Miguel Pinheiro, o editor de política Rui Pedro Antunes e o editor adjunto de política, Miguel Santos Carrapatoso. Também estão presentes os comentadores Judite França e Paulo Ferreira, que integram o painel das manhãs 360, de segunda a sexta-feira. Começa aqui o programa e o vencedor é a partir de agora conduzido pela jornalista Joana Carvalho Reis.
Bom dia a todos. Começamos este programa com o debate entre Ana Gomes e André Ventura, um debate com direito a viagens ao passado e com o fantasma de José Sócrates a pairar dos dois lados. José Manuel Fernandes, bom dia. Quem é que venceu este debate?
Bem, eu acho que este debate venceu Ana Gomes. Foi o debate em que ela esteve melhor, porque conseguiu, pela primeira vez entre os concorrentes da esquerda, não se enervar com André Ventura, portanto, não ir no jogo de André Ventura. André Ventura também esteve num registo mais calmo, mas foi trazendo os seus casos. Portanto, André Ventura terá sido eficaz junto do seu eleitorado, mas apenas isso, mais nada do que isso. E o único ponto que marcou foi no fim, quando respondeu não àquele debate, mas a um debate anterior com Marcelo Rebelo de Sousa, relativamente à questão de ele ter revelado as suas conversas em Belém. Talvez o momento em que Ana Gomes esteve melhor, eu acho que foi o momento em que ela se mostrou mais humana e mais razoável, foi quando lembrou a André Ventura que era uma avó com sete netos e, portanto, despindo aquele lado às vezes mais radical que ela tem, de uma pessoa igual a nós todos. Nessa altura, ela terá chegado a mais gente. E, portanto, dou a vitória a Ana Gomes, apesar de não ter sido um debate que me tivesse entusiasmado particularmente. Não posso dar notas altas, dou 12 a Ana Gomes e não dou também uma nota demasiado baixa a André Ventura, porque acho que ele junto do seu eleitorado marcou pontos e, portanto, dou-lhe nove.
12 a nove, a vencer Ana Gomes. Miguel Pinheiro, quem é que vence este debate?
Alinhado com esta frase da Ana Gomes: "Sou mãe e sou avó de sete netos", isso desarmou completamente André Ventura. De facto, André Ventura tem que ter alguma cautela, porque ele está a adotar um estilo fanfarrão exagerado. Ele parece que está no Parque Mayer a dada altura. A forma como ele gesticula, como ele fala, tudo aquilo é uma caricatura de si próprio. E se ele não tem cuidado, as pessoas começam a olhar pra ele como uma figura do humor e não como um político a sério. Além disso, as estratégias dele, nenhuma delas resultou, uma atrás da outra. Colar Ana Gomes a José Sócrates, ele já devia ter percebido que não resulta. Ninguém olha pra Ana Gomes como alguém que protege o José Sócrates, por mais fotos que ele mostre. A tentativa de acolá à declaração de um dirigente do PAN que ninguém sabe quem é, ninguém faz ideia, ninguém o viu falar e alguém achar que Ana Gomes pensa o mesmo que disse aquela pessoa, não se sabe onde, também não tem nenhum sentido. Aquela foto que ele mostrou do MRPP é uma foto onde se lia: "Morte aos traidores, saída do euro e da União Europeia". Quando Ana Gomes esteve no MRPP, não havia euro, não havia União Europeia, nem fazia nenhuma ideia de que fosse alguma vez haver euro ou União Europeia. Tentar colá-la a uma frase que se transformou num slogan do MRPP 30 anos depois dela sair do partido, não faz nenhum sentido. Eu acho que o momento em que ele foi mais eficaz foi quando, a propósito da prisão perpétua, disse que a maioria dos partidos da Europa tem prisão perpétua. Há muitas democracias que têm prisão perpétua e é um dos problemas das pessoas que contestam algumas das propostas de André Ventura, é que ele depois pode lhes dizer: "Olhe, mas isto há em muitos países democráticos". Apesar de tudo, correu muito mal a André Ventura, que apostava tudo neste debate. Ana Gomes 14, Ventura 7.
Muito bem. Rui Pedro Antunes, estás alinhado com esta ideia?
Completamente. Eu acho que quando a Ana Gomes diz que é avó, etc, quer dizer isso mesmo: "Ó meu rapazola, não digas tudo o que pensas e a forma como falas, porque a mim não me intimidas e eu já ando cá há muito tempo e vê lá como é que falas comigo, porque também tenho família", etc. E portanto, aí pôs logo o tom. E foi sempre tendo resposta pra tudo, ou seja, mesmo na preparação, não é só no improviso, mas na preparação, parece-me que preparou muito bem o debate. Ela já sabia que André Ventura viria com o José Sócrates, então disse: "Li o artigo na revista Saturday em que André Ventura, como inspetor da Autoridade Tributária, ajudou o patrão de Sócrates, Lalanda Castro, a fugir ao Fisco". Depois, quando ele te chamou antidemocrata, lembrou, nunca o tinha ouvido lembrar isto, pelo menos nos debates, que apanhou uma vergastada de um PIDE que lhe deixou uma marca. E depois ainda foi menorizando André Ventura aqui e ali. Eu lembro-me daquela altura em que ela vai buscar Marcelo Rebelo de Sousa, o que ele disse que André Ventura tinha uma cara em Belém e outra nos debates, e diz que, a utilizar a palavra, já sabemos que é um coelhinho em Belém, depois vem para aqui e é um gatarão. E mesmo aí ela menoriza um pouco o André Ventura, porque já conhecíamos conceitos como a coelhinha Acácio ou a coelhinha da Playboy, agora temos o coelhinho de Algueirão-Mem Martins, que é André Ventura. E ela mesmo aí foi muito eficaz na maneira como menorizou André Ventura. Como isto era um debate pelo segundo lugar e eles estão muito renhidos, até segundo a sondagem do Observador e da TVI, André Ventura tinha que ter ganho este debate, pelo menos nesta luta era importante. Daí que eu dê uma boa nota a Ana Gomes e uma nota negativa a André Ventura, que é Ana Gomes 16, André Ventura 9.
Muito bem, Miguel Santos Carrapatoso, como é que pontuas estes dois candidatos neste frente a frente?
Acho que foi uma vitória clara da Ana Gomes e pegava precisamente neste último ponto do Rui Pedro. Este era o debate em que André Ventura teria necessariamente de vencer e de ser uma vitória claríssima e não conseguiu. Não conseguiu porque repetiu estratégias já gastas. Não conseguiu, como dizia o Miguel Pinheiro, porque usou três argumentos, MRPP, a questão de José Sócrates e outros argumentos que não colam, a questão do PAN também, argumentos e tipo de acusações que não colam com a Ana Gomes. E depois Ana Gomes, ao contrário de Marisa Matias e João Ferreira, conseguiu manter alguma calma, o que é difícil. Creio que exagerou um bocadinho também na dose dos casos, levou alguns casos a mais, não levou o debate tanto para o plano das ideias, o que é difícil com o André Ventura, também reconheço. E tem frases como a questão da vergastada da PIDE, por exemplo, e a frase em que lembra que é avó de sete netos, que são frases que ficam deste debate. Acrescentava outro pormenor, André Ventura, que já tem mostrado muito do seu programa neste debate, lançou uma nova ideia, que é cortar mãos a ladrões. Esta não a conhecíamos e portanto diz muito também de André Ventura e da forma como ao improvisar em determinados debates consegue ir mais longe ainda daquilo que é o programa do Chega e daquilo que defende André Ventura. Ana Gomes cometeu mais uma vez o erro de defender a ilegalização do Chega e aí fica sem resposta, porque de facto ninguém percebe como é que se pode defender a ilegalização do Chega, como é que se pode impedir que um partido que é reconhecido pelo Tribunal Constitucional não possa integrar o governo e depois andaríamos em eleições sucessivas. Esse argumento e essa defesa constante da ilegalização do Chega faz com que Ana Gomes perca pontos, mas ainda assim foi uma vitória clara de Ana Gomes, sem dúvida, e André Ventura saiu do debate de cabeça baixa.
Miguel, vamos à pontuação.
Eu dou um 16 a Ana Gomes e dou um sete a André Ventura.
Judite França, vens aqui desequilibrar estas contas ou nem por isso?
Não. Estamos todos muito alinhados, de facto, porque Ana Gomes eu também considero que ganhou claramente este debate por ser a mais razoável dos dois. Já se via que Ventura vinha com a história de Paulo Pedroso e Ana Gomes estava completamente preparada para isso. E portanto, quando Ventura decidiu explanar-se sobre o que Paulo Pedroso disse ou não disse, ou o que fez e não fez nas escutas, a Ana Gomes não entrou propriamente pelo campo do pormenor, mas respondeu que tinha idade, não digo para lhe dar um açoite, mas pelo menos para o pôr no lugar e para dizer que não lhe admitia determinados comentários ou determinadas insinuações. A história da PIDE, eu concordo, eu também nunca tinha ouvido, é mais uma história de currículo. Em vez de currículo, a Ana Gomes mostrou que afinal de contas, também André Ventura tem cadastro, porque foi a primeira nos debates, pelo menos que eu tenha reparado, que foi buscar esta história de Lalande de Castro, que é uma história que passou um pouco despercebida, que é da revista Sábado do ano passado, saiu o ano passado, e também é pouco conhecido que André Ventura foi inspetor tributário, o que também não é propriamente um emprego de sonho. E esta questão de Lalande de Castro, que está no processo dos bichos gold e que foi revelada na Sábado do ano passado, é uma história que encosta Ventura a esta ideia de, afinal de contas, Ventura não tem o tal registo completamente limpo. E portanto eu também acho que Ana Gomes ganhou de largo e dou 14 a Ana Gomes e a André Ventura nove, provando que afinal de contas ele não consegue tirar do sério todos os candidatos e Ana Gomes foi bem preparada e bem calma para um debate que conseguiu ganhar.
E agora, Paulo Ferreira, fechamos aqui a análise deste debate, Ana Gomes, André Ventura, o vencedor é?
O vencedor é Ana Gomes. Não vou destoar nem no vencedor, nem na amplitude da vitória. Só duas notas para não estarmos aqui a repetir-nos. Ana Gomes, de facto, foi a melhor dos debatentes de esquerda, dos candidatos de esquerda contra André Ventura. Pôde também, certamente, aprender com aquilo que se passou nos debates com João Ferreira e Marisa Matias. Ela, de facto, adotou a estratégia de alguma forma desprezá-lo durante o debate. Ela não se referiu a ele pessoalmente, utilizava o moderador, Pedro Mourinho, como, se quisermos, intermediário daquela conversa a dois. E percebemos, de facto, do lado de André Ventura, há um certo esgotamento dos recursos discursivos e de debate Vai tentar buscar pequenos casos que nem têm a ver com o próprio opositor que tem à frente, mas com amigos dos conhecidos do primo da tia. O Miguel já falou aqui há pouco da frase atribuída a um militante do PAN, que ninguém sabe quem é, e ele queria que a Ana Gomes se distanciasse do PAN, que a apoia por causa disso. E depois a história da militância no MRPP. Alguém que diga a André Ventura que uma boa parte ou alguns símbolos importantes do que é hoje a direita em Portugal militaram no MRPP, em 74, 75, na ODP e andaram por esses partidos que na altura eram já de extrema-esquerda. Alguém tem que ensinar essa história, alguém tem que lhe mostrar alguns vídeos que há no YouTube de Durão Barroso com discurso fantástico em 75, porque há ali alguma falta de cultura, ou então não há falta de cultura, mas há falta de honestidade na utilização destes argumentos. Notas: Ana Gomes, 13; André Ventura, sete.
E agora, por favor, faz-nos as contas, tu que és o homem da calculadora.
Já estão aqui feitinhas. Média, Ana Gomes claramente vencedora aqui neste debate, 14,2 e André Ventura com 7,8.
E passamos para o segundo debate da noite de ontem, um frente a frente entre Marisa Matias e João Ferreira, um debate à esquerda. José Manuel Fernandes, houve vencedores?
Eu dou uma vitória tangencial a Marisa Matias, por 11, 10, porque Marisa Matias esteve pela primeira vez um bocadinho melhor. Não foi um debate interessante, foi um debate em que não houve agressões. Eu estive muito tentado a dar um empate, portanto, a dar um 10 aos dois, mas apesar de tudo, vou dar uma ligeira vantagem a Marisa Matias, que falou de alguns temas que são mais comuns à maior parte dos portugueses, enquanto João Ferreira acabou por ficar em temas mais do núcleo duro daquilo que são os eleitores do Partido Comunista.
Portanto, só um ponto de diferença. Miguel Pinheiro, e tu, quem venceu este debate?
Ao contrário do José Manuel, eu cedo sempre às tentações, portanto eu vou dar um 10, 10. É um empate. A grande frase definidora do debate foi de João Ferreira, quando disse: "Não vale a pena cavar diferenças onde elas não existem." Podiam nos ter avisado um bocadinho mais cedo, porque estávamos a ter perdido meia hora da nossa vida. Só um ponto, porque é o número fetichista da esquerda e estão sempre a insistir nisto, e portanto, eu já agora também insisto. Marisa Matias repetiu o número de Ana Gomes, 41% do orçamento da saúde é desviado para os privados. Grande escândalo. Só lembrar, grande fatia disso é para pagar medicamentos nas farmácias, talvez nacionalizar farmacêuticas e farmácias. A outra grande fatia é para consultórios médicos. Portanto, o Bloco de Esquerda também quer acabar com os consultórios médicos. Toda a gente a ir em bandos para os hospitais para ter consultas, para acabar com estes 41% chocantes desviados para os privados.
E assim sendo, Miguel? Em termos de 10, 10, tudo empatado. Rui Pedro Antunes.
Também achei um debate muito próximo do empate, embora tenha dado um vencedor, que já direi qual é, só para manter as pessoas em suspense.
Em suspense.
Mas isto é um debate que eles têm quase semanalmente, quer dizer, aquele programa "Eurodeputados" que passa na RTP3 e mesmo os programas todos da Europa, eles estão constantemente a debater uns com os outros. Não é novidade nem para um, nem para outro.
Sentiste aqui uma repetição.
É isso, não acrescenta muita coisa. Ainda assim, eu vou dar uma ligeira vantagem à Marisa Matias, porque acho que mesmo assim esforçou-se por explicar aos eleitores que eles partilham, que há de ser uma fatia dos jovens de esquerda, etc, que o Bloco é um pouco mais progressista e deu exemplos das touradas, despenalização da eutanásia, da paridade entre homens e mulheres. Depois, João Ferreira tentou contrariar isso quando disse a frase que o Miguel agora referiu e lembrou que, por exemplo, no casamento entre pessoas do mesmo sexo, esteve ao lado do Bloco de Esquerda. O PCP também votou a favor há 11 anos, mas mesmo assim não conseguiu combater toda essa enumeração que Marisa Matias fez e ela conseguiu explicar que o Bloco, de facto, para esse eleitorado, fala mais do que o PCP. E não vale a pena também o João Ferreira esconder isso, porque o PCP nesse aspeto é, diríamos, mais ortodoxo. E outra frase que eu também acho que passou um pouco despercebida, mas que favoreceu Marisa Matias, é que a certa altura estão a falar do SNS e ela diz: "Se toda a esquerda tivesse sido mais firme, teríamos mais condições." O que ela quis dizer com isto? Se o PCP não tivesse negociado com o governo e tivesse feito finca-pé como o Bloco de Esquerda no Orçamento de Estado, havia hoje mais condições para o SNS porque tinham conseguido mais orçamento para o SNS. Isto foi uma farpa direta ao PCP por ter dado demasiado cedo, no entender de Marisa Matias, a mão ao PS na questão do Orçamento de Estado. Portanto, ela quis colar, o PCP é que são os que estão com o PS e com o governo. Acho que houve uma ligeira vantagem para Marisa Matias.
Acaba lá com o suspense.
11.
Muito bem. Miguel Santos Carrapitoso, e daqui vamos para onde?
Daqui vamos para a vitória de João Ferreira. Muito tangencial e eu já explico por quê. Porque o debate foi muito fraquinho, de facto Os dois candidatos apostaram numa posição, num estilo muito sonso. Se Marisa Matias é verdade que disse que se a esquerda toda tivesse sido mais firme, era possível melhores condições no SNS, e isso foi um dos momentos do debate, João Ferreira antes tinha dito que "nós não desistimos de lutar, nós PCP", sugerindo que o Bloco desistiu a meio do caminho. Quando questionado pelo moderador se era uma crítica à Marisa Matias: "Não, isso é uma interpretação sua". E Marisa também fez o mesmo, ou seja, nenhum dos dois se quis atacar, o que é um bocadinho incompreensível quando eles têm, de facto, de marcar a diferença, uma vez que disputam uma grande parte do eleitorado. É verdade que Marisa Matias levou temas mais progressistas, um ponto fraco do PCP, mas também não explorou de forma muito brilhante. E agora a vitória do João Ferreira, por quê? Porque Marisa Matias tem estado francamente mal nos debates. Este era um momento importante pra ela. Já não terá muitas mais oportunidades pra deixar uma primeira boa impressão e, portanto, desperdiçou mais uma. E de facto, João Ferreira foi mais sólido e mais articulado na forma como defendeu as suas ideias. E apesar de ter sido um debate fraquinho, insisto, diria um 12 para João Ferreira, um 11 para Marisa Matias.
Judite França, vamos pra ti em passe de corrida. Quem venceu?
Quem venceu foi João Ferreira, também por pouco, 13, contra Marisa Matias, 12. Aqui pra mim só interessava, de facto, a questão do orçamento. E João Ferreira vinha com superávit e acabou por elencar aquilo que o PCP tinha conseguido, aprovando ao lado do governo o orçamento de Estado. E é uma pedra no sapato de Marisa Matias, que ainda assim tinha a frase ensaiada pra responder a João Ferreira, dizendo que também não gostava de quem desistia a meio, dando a entender que o Bloco de Esquerda atirou a toalha ao chão e concordando com isso, mas dizendo também que não gosta de quem desiste no fim, e era aquilo que o Pedro Antunes dizia, de facto, se o PCP tivesse feito finca pé, talvez então fosse possível ter conseguido um orçamento maior para o Serviço Nacional de Saúde.
E assim sendo, Judite, a tua pontuação é...
Portanto, 12 para Marisa Matias e 13 para João Ferreira.
Paulo Ferreira.
Ora bem, eles entraram em campo para um jogo amigável, e ainda perceberam que havia uma causa social para apoiar esse jogo, portanto impunha-se ali não haver grande competição. Jogaram claramente para o empate, jogaram à defesa e garantiram que nenhum marcava um gol de uma forma um pouco involuntária. Portanto, foi uma conversa entre irmãos políticos, não siameses, mas a conversa foi por aí, que não quiseram atacar-se. Eu só fiquei espantado no início do debate, logo quando ambos estranharam muito que o encerramento da refinaria de Matosinhos pudesse causar ou viesse causar perdas de emprego. E portanto, aí percebeu-se, de facto, alguns dilemas em que a esquerda por vezes navega, que é querer uma coisa, mas não querer o impacto dessas coisas. Estamos aqui a falar, obviamente, das questões ambientais. Um empate para ambos, notas baixas, 11 para cada um.
E quanto à média?
A média, um empate também. 11,2, 11,2.
E vamos acelerando até o último debate da noite. De um lado, Vitorino Silva, do outro, Tiago Maian. José Manuel Fernandes, quem venceu? José Manuel Fernandes?
Sim, estou aqui. Tinha aqui um problema com o microfone. Este debate deu uma tentação de, pela primeira vez, dar um zero a Vitorino Silva, mas apesar de tudo, não vou dar, vou dar cinco. Mas acho que o Tiago Maian venceu. Tiago Maian eu dou-lhe um 13, porque apesar de tudo, tem vindo a tentar afinar o discurso no sentido de explicar um pouco melhor as ideias liberais. Talvez pudesse ter aproveitado melhor essa oportunidade, porque verdadeiramente aquilo não foi um debate, foi uma conversa, quase uma entrevista dupla, e ele ainda teve mais tempo do que Tino, porque Tino literalmente não tem nada pra dizer, apesar dos esforços do Carlos do Mial pra que ele diga alguma coisa. E ontem isso ficou muito claro, porque mesmo aquelas notas todas que ele tinha trazido naquela enorme caderneta que ele mostrou na véspera, já não conseguem encher tantos debates.
E assim sendo, Tino tem cinco pontos, Tiago Maian 13. Daqui, Miguel Pinheiro, quais são as tuas notas?
Acho que foi uma entrevista interessante a Tiago Maian Gonçalves. Acho que ele realmente tem vindo a evoluir. Falta-lhe dar exemplos mais concretos. Acho que se ele for mais concreto a explicar em que país e de que forma é que as ideias que defende são aplicadas na prática lá fora, pode ser muito mais eficaz. Ele, por exemplo, na questão da saúde, referiu a Alemanha, mas foi muito vago. Acho que ele podia perder um bocadinho mais de tempo pra explicar: "Olha, na Alemanha é assim, assim e assim, por que nós não somos desta maneira?" Isso podia tornar tudo mais eficaz. Portanto, eu dou-lhe um 12.
E para o Tino?
Ai, ele estava lá? É que eu por acaso não dei por isso, eu pensei que ia ser só entrevista ao Maian. Então dou-lhe um zero.
É um zero redondo?
É um zero. Eu não dei por ele.
Rui Pedro Antunes, e a tua avaliação?
O Miguel teve a coragem que eu não tive de dar zero, mas enfim.
Eu cedo sempre às tentações, José Manuel.
Rui Pedro Antunes, e a tua avaliação deste debate muito pouco debatido?
Eu também estou em processo de destinização.
O quê, Rui Pedro? Explica-nos lá.
A sério?
Ouviste isto, Miguel Pinheiro?
Acabei de me aperceber que Tino de Rans, afinal, não era bem a pessoa que eu pensava nos primeiros debates
Tiveste uma surpresa?
Tive. Um homem é ele e a sua circunstância, não tinha tanto contexto como tenho hoje. E ontem, na "Vixi Suave", o programa da Rádio Observador, percebi que Vitorino Silva não era bem a pessoa que parecia ser nos debates. Dito isto, mais uma vez, fiquei mais atento àquilo que ele disse, que não foi muita coisa, de facto. E não é uma pessoa que diga sempre a verdade. Recordam-se quando ele falou dos jacuzzis nas prisões? Ontem, na Rádio Observador, disse que nunca disse isso. Portanto, a partir daí, também fica bem dito sobre a veracidade de algumas das coisas que Tino diz, eu deixei de acreditar.
E, portanto, quanto anotas?
Deixa-me só dizer isto rapidamente, Joana, para ver o exemplo do absurdo que são algumas das declarações de Tino, quando eles estão a falar da TAP, ele diz a certa altura: "E quantos aviões da TAP é que caíram em 50 anos de atividade?" Como se isso fosse definidor do que é a saúde de uma empresa. É definidor da competência, mas não é da saúde da empresa. Dito isto, Tino três, Maía 12.
Não houve aqui a coragem de Miguel Pinheiro para o zero. Miguel Santos Carrapatooso, Rui Pedro Antunes está numa destinização. E tu?
A mim não me apanham nessa, sempre estive do lado bom da barricada, portanto, o Rui Pedro é que se converteu. Ao contrário do Miguel Pinheiro, um dia tinha de acontecer, tenho de discordar ligeiramente do meu excelso diretor e dizer que a ausência de Tino é boa. Portanto, eu vou ter que lhe dar uma nota superior, porque o facto de ele ter estado mais ausente fez com que a sua prestação fosse melhor. Não foi tão tiririca, o que é bom, é sempre bom para o debate. Quanto a Maía Gonçalves, foi uma belíssima entrevista, continua um bocadinho trapalhão a explicar as ideias liberais, portanto, vou lhe dar um 12, porque ao contrário de quase todos, ou de todos mesmo, todos os adversários de Tino, foi o único que não foi condescendente com o próprio Tino, portanto, só por isso já merece um ponto. Mas por ter sido um bocadinho trapalhão a explicar as suas ideias, um 12. Tino, um seis.
Judite, é a tua vez. Quem é que venceu?
Venceu o Maía Gonçalves, claramente. Eu acho que aqui não tem tanto a ver com o facto do que fez ou deixou de fazer Vitorino Silva. Maía é de outro país, é claramente imune àquele charme bucólico do Tino de Rãs. Eu acho que os liberais das grandes metrópoles não têm paciência para esse interior ostracizado. E, portanto, tendo-se em conta que Maía também não é uma pessoa que revele grande empatia, não é uma pessoa de sorrisos, acabou por deixar Vitorino Silva um bocadinho desamparado. Eu acho que a ideia era mesmo não demonstrar empatia, porque Tino só reage quando tem um interlocutor que sorria às suas tiradas e às suas frases. Ora, eles não competem o mesmo eleitorado e aqueles 30 minutos, de facto, não foram debate, nem era para ser. E o Carlos Daniel ainda tentou algumas táticas para que fosse possível a interação, mas basicamente a bola ia sempre ao central para distribuir jogo. E a única coisa em que concordaram foi que têm os dois o problema das sondagens e Maía Gonçalves aproveitou a deixa de Vitorino Silva, foi a única vez em que de facto aproveitou uma deixa de Vitorino para dizer que também tem esperança que aconteça o mesmo que aconteceu a Vitorino Silva há cinco anos, em que era também ignorado nas intenções de voto, não aparecia nas listas das sondagens e depois as sondagens enganaram-se. E isso, como disse Maía, dá-me esperança que isso também me aconteça. Portanto, eu dou a Tino uma nota negativa, dou-lhe um nove, e a Maía Gonçalves dou-lhe um 11, porque esperava que tendo tanto palco, pudesse, de facto, como dizia há pouco o Miguel Pinheiro, explicar melhor aquilo que pensa. Já conseguiu fazer, acho eu, mais pela iniciativa liberal e pelas ideias liberais do que a própria iniciativa liberal com João Cotrim Figueiredo tem conseguido fazer no pouco tempo em que consegue falar no Parlamento. E este palco é muito importante para a iniciativa liberal e eu acho que Maía Gonçalves devia ter aproveitado melhor o facto de não ter propriamente Tino presente, nem mais ninguém à sua frente.
Paulo Ferreira, fechas tu esta análise. O vencedor é...?
O vencedor é também Tiago Maía Gonçalves. Estou um bocadinho espantado, porque temos todos chegado à conclusão agora que Vitorino Silva não tem consistência política, não tem um discurso articulado, não tem propostas para o país que façam sentido num todo. Claro que não.
Não, eu não concordo nisso. Não concordo, atenção. Não ponhas isso na minha boca, porque eu não concordo.
Não, estava a falar de ti, Judite. Estava a falar de nós todos, que estamos a chegar a essa conclusão, de alguma maneira. E o engraçadismo do início de Vitorino Silva está a perder-se também, de alguma maneira. E depois, obviamente, são contradições. Eu penso, até alguma, se quiserem, humildade de Vitorino Silva se está a perder, porque ele agora já está um pouco deslumbrado, já é a segunda ou terceira vez que ele diz isso, com o facto de ser reconhecido na rua em Lisboa e dos carros passam e apitam. E ele obviamente fica vaidoso com isso, que é normal. E depois, quando se entra em temas mais concretos, como a TAP, por exemplo, ontem, é só um exemplo, há muitas contradições, porque a TAP deve ser salva, porque é um símbolo nacional, mas logo a seguir a Ryanair fez muito mais e está a fazer muito mais pelo Porto do que pela TAP. Isto dito pela mesma pessoa. Portanto, foi uma entrevista a Tiago de Maía Gonçalves, com alguns comentários à margem de Vitorino Silva, e Tiago de Maía Gonçalves devia ter aproveitado melhor a oportunidade. Há ali uma dificuldade em expor claramente o que é que é o programa, um programa liberal, com dois ou três exemplos concretos. Não se percebe muito bem como é que funciona o SNS e a relação do SNS com privados na cabeça de Tiago de Maía Gonçalves. Ele pode ter as ideias muito bem claras, mas não tem muita facilidade em expô-las, e depois na questão da reação à pandemia e os estados de emergência, também não se percebeu muito bem qual é o caminho defendido. Um 11 para Tiago de Maía Gonçalves e um seis para Vitorino Silva.
E agora, Paulo, o nosso homem das contas, peço que resumas aqui quais são os resultados de hoje.
De hoje. Começando por este último, Tiago de Maía Gonçalves 11,8 de média e Vitorino Silva a média mais baixa até agora, 4,8. Ana Gomes 14,2, André Ventura 7,8 e no outro debate, Marisa Matias 11,2, rigorosamente a mesma média de João Ferreira, 11,2 também.
E assim fechamos "O Vencedor É" de hoje. Mais logo há novos debates. Marcelo Rebelo de Sousa enfrenta Ana Gomes na RTP, Marisa Matias, Tiago Maía na Sic Notícias e, por último, Vitorino Silva num frente a frente com João Ferreira na RTP3. Na Rádio Observador, amanhã estamos de regresso para mais um "O Vencedor É", logo a seguir ao Noticiário das 10. .