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Vamos agora para a conferência de imprensa da Polícia Judiciária, à boleia da TVI, sobre o caso da menina que foi encontrada morta.

De uma criança na região de Peniche. A Polícia Judiciária esclareceu, hoje de manhã, as circunstâncias em que o desaparecimento ocorreu. Desde já lamentamos o desfecho desta situação, a morte da criança desaparecida, e queremos, sobretudo, realçar que o trabalho desenvolvido pela Polícia Judiciária não teria tido este desfecho não fosse a excelente colaboração da Guarda Nacional Republicana, da Proteção Civil, das autarquias, dos escoteiros, de populares, que contribuíram em muito na realização das buscas, na tentativa de encontrar a criança. Ao nível da investigação, ela resulta de uma permanente troca de informação entre, sobretudo, estes dois órgãos de polícia criminal. E quando digo permanente, é noite e dia, a sua troca de informação, a sua análise em tempo real, o que nos permitiu estabelecer as estratégias que levaram ao desfecho desta investigação. Esta correlação foi, sobretudo, aquela que nos permitiu, nas entrevistas e inquirições às pessoas, fazer a correlação entre todos os dados que tínhamos em cima da mesa, no sentido de colocarmos todas as hipóteses que seriam possíveis, até encontrarmos indícios de condutas criminosas. Como devem saber, começamos pela investigação de um desaparecimento e essa investigação levou-nos ao cometimento, por dois autores, que estão fortemente indiciados, dos crimes de homicídio e ocultação de cadáver, entre outros. Não queria deixar de dizer que estes autores, que estão fortemente indiciados, têm, como claro é, a presunção da sua inocência, e irão ser presentes às autoridades judiciárias competentes para a aplicação das medidas consideradas necessárias de coação. Como disse, foram detidas duas pessoas que estão fortemente ligadas à criança desaparecida, estamos a falar no meio familiar, e que se logrou agora apurar a sua responsabilidade. Eu não queria deixar de aproveitar a oportunidade para que fossem aqui referidos os aspetos relativos à procura, à busca da criança em si. Pedia, em primeiro lugar, ao senhor capitão, que com muito mais propriedade vos poderá dar algumas indicações do trabalho desenvolvido. Quero, no entanto, referir que sem esse trabalho de buscas, de procura, a Polícia Judiciária não conseguiria recolher informação pertinente e útil para desenvolver o seu trabalho e chegar a este resultado.

Quando fala de sua família, é o pai e a madrasta?

Sim.

Que idade é que têm?

Que idade têm?

Estamos a acompanhar a conferência de imprensa da Polícia Judiciária de Leiria, a esclarecer todas as questões sobre a descoberta do corpo de Valentina.

32 o senhor e 38 anos a senhora.

32 anos o senhor, 38 anos a senhora. Quando diz que tem fortes indícios, que indícios é que estão a referir?

Os crimes que tenho a dizer são o crime de homicídio e certamente ocultação de cadáver. Os fortes indícios, não estamos ainda na altura de estar aqui a referir coação, mas a polícia considera, no seu trabalho, que está fortemente indiciado o cometimento destes crimes por estas pessoas, senão não o diria.

Essa acusação está afirmada ou confirmada por algum dos testemunhos? Essa versão está confirmada com algum dos titios?

Não lhe vou responder isso. Os titios têm o direito ao silêncio e, como sabe, têm o direito à sua defesa, não vou entrar por aí. Os indícios que falo são relativos à análise e correlação da informação que a polícia fez e que levaram à certeza que temos dos indícios que nos permitem afirmar uma detenção.

Na sexta-feira de manhã, quando a Polícia Judiciária fez buscas à habitação, nessa altura ficou clarificada essa pista de que se teria tratado de um crime?

Não lhe vou responder se foi nesse momento ou noutro. A informação a este caso e a outros vai chegando, às vezes, minuto a minuto. E é essa análise que se faz repetidamente que nos permite, de facto, desenvolver outras.

A importância dessa perícia?

Tudo é importante. Estava a falar no exame local. Claro que sim, claro que é importante o exame local. Claro que é importante recolher os vestígios que possam de algum modo indiciar. Mas estamos a falar ainda de um desaparecimento, ainda nessa altura.

Como é que conseguiram chegar a este local específico onde foi encontrado o corpo da menina? Partiu de algum dos titios?

Partiu, como disse, da análise dos interrogatórios, das entrevistas e das inquirições que fizemos a várias pessoas.

Estas detenções aconteceram esta manhã? Aconteceram durante a madrugada?

Já foram durante o dia.

Durante a manhã de hoje?

Sim, a manhã de hoje.

Pode precisar finalmente quando?

A hora? Meio da manhã, sensivelmente.

O pai e a madrasta desde a participação do desaparecimento, encontravam-se em casas diferentes.

Como?

O pai e a madrasta encontravam-se em casas diferentes desde o desaparecimento da menina. Estavam os dois ainda na casa de onde a criança desapareceu ou estariam na casa de um familiar nas proximidades?

Não tenho essa informação.

Havia mais ocupantes?

Sim.

Havia mais ocupantes nessa casa na altura em que aconteceu o crime?

Havia os filhos.

Quantos?

Eram quatro crianças com a criança desaparecida.

Esta criança estava referenciada pelo crime de maus-tratos pela Comissão de Proteção de Menores?

Não, não temos conhecimento.

Conseguiram apurar o que é que levou a este desfecho, com a morte da criança naquela circunstância?

Não, estamos a apurar. É claro que já temos algum apuramento, não será a altura para revelar, mas que terá sido por questões internas do funcionamento da família que levou a este desfecho. Concretamente, ainda não podemos revelar essa informação.

O facto de ela ter saído de casa ao meio tem alguma relação com os eventos deste ano ou os dois eventos não estão relacionados?

Pensamos que não estão.

Em relação às circunstâncias da morte, o que é que nos pode dizer?

Circunstâncias?

Como é que morreu a criança?

Como?

Se foi retirada com vida da habitação.

Estamos convictos que morreu na habitação.

E as outras crianças terão assistido ao crime?

Não sabemos.

Isso aconteceu naquela madrugada de quarta para quinta-feira?

Tudo indica que terá acontecido na quarta-feira.

Durante o dia de quarta-feira?

Sim. Tudo indica que sim.

E o corpo terá chegado a este local onde foi encontrada a menina, durante a quarta para quinta-feira ou num momento mais próximo da morte?

Já ao fim do dia, pensamos.

Ao fim do dia de quarta-feira?

Sim, ao fim do dia.

Tendo em conta que uma das crianças terá a idade possível de ser ouvida, ainda que seja por uma escritura, foi interrogada?

Foram recolhidas informações consideradas necessárias a uma das crianças.

Havia algum quadro de disputa entre pai e mãe da criança?

Não, não temos conhecimento que houvesse.

A informação que têm é que existia guarda partilhada da criança?

A informação que temos é que a criança estava com a mãe.

E ao pai?

Sim, nesta circunstância, de vez em quando, estava com o pai.

Estava lá neste caso?

Não sabemos o dia exato, mas teria algum tempo, até devido a esta pandemia que estamos a viver.

É possível que estivesse com o pai nestes últimos dois meses?

Não lhe posso responder se é essa a altura, se é menos.

De que forma é que o corpo foi retirado da habitação? Como é que o corpo foi retirado da habitação sem ninguém perceber, vizinho? Que meio de transporte foi utilizado?

Possivelmente carro.

Já identificaram a viatura?

Sim, estamos a fazer os competentes exames.

É tal, sei lá, uma carrinha vermelha que foi identificada por alguns vizinhos?

Não temos essa indicação.

É possível confirmar-nos a causa da morte?

Não, neste momento.

Nem há indícios nenhuns que possam levar a alguma suspeita?

Suspeita de?

Suspeita da motivação do crime.

Sim, claro que temos esses indícios, mas não os podemos revelar agora nesta altura.

A morte da criança no interior da habitação, de acordo com as informações da Polícia Judiciária, num contexto de agressão.

É precisamente essas situações que estamos a verificar. Claro que terá que acontecer num algum contexto de violência.

Não se trata de um contexto acidental, de qualquer episódio acidental no interior da habitação?

À partida, não.

Não terá sido um acidente, portanto.

À partida, não.

O corpo da criança estava enterrado? Em que circunstâncias estava?

Não estava enterrado. Estava tapado.

E quantos quilómetros de distância do local?

Distância do...

Quilómetros, não.

Era na mesma freguesia?

Sim. Para os lados da Serra Reis.

Se não é um acidente, certamente é um acidente premeditado.

Se não é um acidente, será um acidente premeditado. Das informações que foram recolhidas, que foram pensadas, deu a um confinamento.

Não me parece que tenha a ver com essa situação em concreto que está a dizer. Quando eu digo que não é um acidente, senão não estamos a falar num crime. Estamos a falar num crime de homicídio.

Em relação à mãe da criança, tendo em conta que a criança habitualmente vivia com a mãe e aparentemente estaria com o pai algum período prolongado de tempo, fruto até desta questão do confinamento. A indicação que têm é que a criança apresentava queixas recorrentes à mãe em relação ao passado, que relatava que tinha saudades da mãe. De algum modo, a criança reportou alguma situação que se levasse a recear que poderia tivesse acontecido alguma coisa?

Não tenho essa informação. Não nos parece.

A criança sabe, por exemplo, as crianças sabemos que vão ter aulas à distância.

As crianças, sabe se até ao momento do desaparecimento continuava a frequentar as aulas da teleescola?

Pensamos que sim, mas não tenho a certeza. Eu agradecia que agora que permitisse que...

Em relação aos dois detidos, o grau de culpabilidade ou de indícios são iguais?

Não poderei revelar isso.

São indiciados pelo mesmo crime.

Vamos lá ver isso. Depois a medida da intenção será depois.

A pergunta seria se está esclarecido, se houve intervenção ativa dos dois.

Se houve intervenção.

É isso que estamos a ver. Se dizemos que há dois detidos, alguma intervenção tinha que haver, claro.

Mas poderá haver mais suspeitos?

Mais suspeitos? Não. Quando é que serão presentes a juiz?

Não tenho essa informação.

Sr. Doutor, só mais uma, deixe-me voltar à questão das crianças. A idade das outras crianças?

A idade das outras crianças, os irmãos.

Das outras que estavam em casa?

Das outras crianças que estavam em casa.

Com 11, 12 anos, com quatro e com meses. Francamente, não.

Disse há pouco que aconteceu o temporal que será durante o dia de quarta-feira.

Certo, terá passado durante quarta-feira.

Depois, numa hora noturna ou ainda antes da meia-noite?

Durante a noite ou ainda durante o dia.

O que é que... Desculpe?

Em termos populares, depois de jantar, antes de jantar.

Quando é que terá acontecido?

Mas o quê?

O ato.

Pensamos que foi durante o dia. Jantar ou não, durante o dia de quarta-feira. Não temos a hora determinada ainda.

No sentido de perguntar se já teria sido notada a ausência das outras crianças.

Já teria notado a ausência das outras crianças.

Não, não tenho essa informação.

A criança estava tapada com algum utensílio ou tapada com bed?

Estava tapada o corpo.

Arbustos, sim. Eu ia reiterar que de facto, face a algumas questões que têm a ver com... Faça o favor.

Capitão Diogo Morgado da GNR.

Estamos a acompanhar esta conferência de imprensa na Polícia Judiciária de Leiria, agora à boleia da RTP. Estava a falar o inspetor António Jordão da PJ de Leiria, mas vai agora também tomar a palavra o responsável da Guarda Nacional Republicana, que está também presente nesta conferência de imprensa e vai também prestar alguns esclarecimentos. Quantos meios estiveram envolvidos no terreno durante estes quatro dias e as diligências que tiveram lugar no terreno? Capitão Diogo Morgado da GNR.

Que tecnologia que foi usada também para conseguir levar a bem essa ação?

Muito boa tarde. Desde o dia 7, na altura em que foi dado o desaparecimento da menor, que iniciamos as nossas diligências de busca e batida pela menor em causa, em permanência nestes últimos dias até o dia de hoje. Pudemos contar, ao todo, com mais de 600 elementos ativos na procura incessante desta menor. Uma área percorrida sensivelmente de quase 4 mil hectares, palmilhada mais que uma vez em algumas das zonas. Pudemos contar com o efetivo do Destacamento de Caldas da Rainha, especificamente e nomeadamente o posto de Peniche, apoiado com outras valências do próprio destacamento, o próprio Destacamento de Intervenção de Leiria, apoiados com binómios do Destacamento de Intervenção de Leiria e do Grupo de Intervenção Cinotécnica de Lisboa, da Unidade de Intervenção, e também uma equipa das aeronaves remotamente pilotadas, o RPAS, que em conjunto com o inexcedível esforço da Proteção Civil, na pessoa do senhor coordenador José Rodrigues, aqui presente, apoiados com várias corporações de bombeiros, entre a corporação de bombeiros de Peniche e concelhos limítrofes da nossa área, bem como o apoio dos sapadores e também o apoio dos vários civis que se pretenderam juntar à causa. Não só civis a título individual, como civis organizados em diversos grupos ou associações, incluindo escoteiros. Respondendo à pergunta, tivemos várias valências no local, o que nos permitiram cruzar diversas informações recolhidas pelo apoio prestado por essas mesmas valências, que de certa forma nos dariam a salvaguarda ou garantia de que o percurso ou era por nós percorrido, era seguro de dizer que a menor não estaria naquele local. Claro que, até então, desde o início, existiu sempre uma estreita colaboração com a Polícia Judiciária e que, como vocês já sabem, terá culminado a encontrar a nossa menor.

O alargamento desta vasta área já tinha chegado à zona onde foi encontrado o corpo?

Não. Nós teríamos sensivelmente percorrido uma área de um raio de 3,5 km. Passava em certos pontos e ainda não teríamos chegado a essa zona. Como neste tipo de teatro de operações, o nosso principal objetivo é analisar o caso em concreto, se será menor, se será alguma pessoa idosa, e adaptar consoante as informações que nós tenhamos. Face às escassas informações que nós tínhamos, a nossa missão, a procura da menor, neste caso, será sempre em primeiro lugar, a parte inicial e por aí vamos aumentando o nosso raio de ação, que era o que nós estávamos a fazer. Ao longo dos dias, cada vez mais íamos alterar ou aumentar o nosso raio de ação, mas ainda não tínhamos chegado ao local onde a menor foi encontrada.

Os detidos alguma vez participaram nas operações?

Como voluntários, não. Como voluntários, especificamente para integrar grupos de busca, não. Contudo, tenho também que dar a ressalva que houve também muitos grupos de civis ou civis a título individual, que nós tivemos que, apesar do apoio prestado por eles, não teríamos que esforço total dos integrar nas equipas, uma vez que algum envolvimento de alguns civis poderia trazer alguns constrangimentos para a recolha dos meios de prova. Mas em concreto, especificamente os elementos que está a indicar, não integraram os grupos de busca. Pelo menos por nós, coordenados por nós.

Observamos ao longo destes dias o pai, pelo menos várias vezes, chegar ao posto de comando. O que é que ele pretendia?

A interação que o pai da menor nas várias idas ao posto de comando seria obter informações sobre a nossa atividade, o que estávamos a fazer.

Alguma vez vos forneceu algum tipo de pista?

Sim, houve sempre informações que foram sendo passadas não só pelo pai da menor, mas por outros cidadãos e familiares. Essas informações sempre recolhidas e transmitidas, coordenadas aqui com a Polícia Judiciária.

Esse tipo de pistas alguma vez se aproximaram do local onde estava a menina?

Essas pistas, como o senhor coordenador da Polícia Judiciária de Leiria, fizeram parte de um bolo de informação que foram sendo recolhidas e analisadas, e tratadas. Dessa forma, não posso dizer que não foram descartadas, mas como é óbvio, foram todas tidas em consideração.

A minha pergunta é mais no sentido de saber se os indícios, as indicações, as pistas que o pai fornecia estavam no sentido contrário de onde esteve o corpo da menina.

Eu para a parte da investigação não me vou pronunciar, que isso caberá aqui à Polícia Judiciária, mas em relação às buscas, tenho a dizer que todas as pistas eram analisadas de igual forma e não pudemos, como eu lhe disse, não descartamos nenhuma e até ao momento nenhuma delas provou encaminhar-nos o sentido das nossas buscas. Tanto que o sentido das nossas buscas foi sendo feito em espiral, aumentando o raio de ação.

Sr. Brigal, alguma vez ele referiu que a criança tinha sido avistada nas Caldas da Rainha na principio?

Houve uma comunicação nesse sentido. Não lhe posso, em concreto, dizer se foi o pai, mas houve uma notícia, não posso dizer informação, que foi passada por nós e, como é óbvio, foi analisada.

A ideia era desviá-los?

Não podemos garantir isso, porque como eu lhe disse, a informação não foi transmitida, ou não lhe posso dizer se foi transmitida pelo pai ou por algum familiar.

Mas estes indícios atrasaram o vosso trabalho de alguma forma?

Como é óbvio, se nós não conseguimos direcionar o nosso local ou pelo menos a direção das buscas, posso dizer que não atrasou, porque desconhecendo a informação, não atrasou nem adiantou. Não tendo informação, temos que fazer o normal, que será de forma circular ir aumentando o nosso raio de ação.

A primeira divulgação que foi feita do desaparecimento da criança ao final da tarde da quinta-feira, descreveu a roupa que eventualmente ela estava a usar. Confirma que a menina foi encontrada com a roupa descrita? E como é que surge a informação do tio da criança com algumas informações?

A primeira informação foi transmitida pelo pai aquando da denúncia do desaparecimento.

E a que horas, já agora, que foi?

Foi da parte da manhã.

Logo de manhãzinha?

Sim, logo no início da parte da manhã. E isso logo na altura, no dia do início das buscas, houve coordenação direta com o PS de Peniche, bem como nossas próprias forças policiais no local, junto da população local e da malha urbana, nomeadamente da Ataúia da Baleia, para recolher mais informações. Isto ao mesmo tempo que pedíamos os restantes meios que eu já aludi aqui atrás.

Ele foi diretamente ao posto da GNR?

Sim. Quanto a restantes notícias dadas por familiares e não familiares, foram sendo tratadas conforme eu transmiti há bocadinho. Quanto à roupa encontrada, terá que ser a Polícia Judiciária a comentar isso.

Como é que foram coordenados estes esforços, tendo em conta o contexto de saúde pública em que vivemos? Se houve constrangimento?

Não posso chamar constrangimento, porque isso não atrasou de alguma forma as buscas efetuadas. O único constrangimento que eu posso apontar aqui é a disponibilização dos meios ou a concentração dos meios, de forma a receber indicações para atribuir novos setores de busca. Isso também foi facilmente contornável a partir do momento que definimos chefes de equipe e que serão transmitidas as mensagens a esses chefes de equipe para evitar o aglomerado de pessoas.

Eu peço desculpa, talvez agora...

Uma questão em relação a estes grupos de voluntários que se juntaram às buscas. Se pudesse explicar como é que isto foi compatibilizado, em alguns momentos, que houve receio de que houvesse interferência no trabalho da GNR, dos voluntários.

Sempre que analisássemos que algum dos grupos, a título individual ou organizado, pudesse colidir com a nossa investigação e em coordenação com a Polícia Judiciária, não poderiam fazer de forma autónoma. Ou seja, ainda que pudessem, e nós não excluímos essa hipótese de haver voluntários que de forma autónoma estivessem à procura da menor, todos os outros voluntários eram sempre enquadrados com forças policiais no local. Portanto, nesse aspeto, na medida que estão enquadrados, não posso dizer que houvesse constrangimento na investigação, porque estariam enquadrados na busca.

Eu pediria, se houvesse alguma questão aqui a colocar, faz favor. Agora, o representante da Proteção Civil.

Continuamos a acompanhar esta conferência de imprensa na Polícia Judiciária de Leiria, à boleia da RTP. Ouvimos Diogo Morgado, da Guarda Nacional Republicana. Já ouvimos também o coordenador da PJ de Leiria, António Jordão, e vai ainda falar nesta conferência o responsável da Proteção Civil, isto porque participaram nas buscas várias entidades e também nesta conferência de imprensa aqui a marcarem presença. Aguardamos então para este pequeno compasso de espera também para ouvir o responsável dos bombeiros, também uma das forças que participou nesta investigação e nestas buscas.

À família, a pedido do senhor Presidente de Câmara, também deixar essa nota em nome do município. Depois dizer-vos que, em termos de bombeiros e agentes de proteção civil, o envolvimento foi total e não só ao nível da zona restrita dos concelhos limites, mas sim do país. Tivemos telefonemas de colegas de corpos de bombeiros a disponibilizar meios, imaginem desde o Porto a Elvas, Santiago do Cacém, por aí fora. É lógico que num cenário destes, e obviamente com a coordenação do capitão da GNR, nós não podemos colocar meios a mais num cenário que poderá destruir aquilo que os indícios provam ou os caminhos que nomeadamente os binómios ou os drones poderão indiciar para que a GNR, a Judiciária, possa conseguir chegar à vítima, neste caso, à criança. E por isso também não foram empenhados mais meios de bombeiros, proteção civil, neste teatro de operações, porque depois em vez de podermos melhorar, iríamos estragar aquilo que podia ser as investigações que estavam a decorrer.

Há perguntas?

Quando se fala em 600 operacionais, o senhor capitão falou, estamos a falar de bombeiros, GNR, PSP, que também esteve envolvida em algumas partes da operação, escuteiros, os elementos dos drones, a Polícia Judiciária. Eu não lhe vou dar um número de bombeiros, vou lhe dizer que foram 600 agentes de proteção civil e demais entidades de especial dever de colaboração que só tinham um objetivo: era encontrar a menina. E isso foi notório ao longo dos dias. E era notório sempre que os chefes de equipa chegavam ao posto de comando e diziam, com algum desalento: "Não encontramos nesta parcela, dê-nos outra, que nós queremos continuar a trabalhar." Não há palavras que agradeçam e, de certa forma, é dar um obrigado a estes operacionais, por tudo o que fizeram ao longo destes dias, não há palavras para revelar. E o senhor capitão acompanhou de perto, dizer que mesmo a chover, como tivemos situações de chuva intensa, eles diziam: "Não, vamos fazer mais um bocadinho." E nós dizíamos: "Mas vamos descansar, amanhã estamos às 6 da manhã", eles diziam: "Não, vimos às 5." Isto diz tudo.

Além desse sentimento de desalento-

Sentimento de desalento

...que outros sentimentos, e agora sabendo deste desfecho, sentem-se também algo traídos pelo cenário que foi criado?

É lógico que temos que gerir as emoções destes operacionais todos e quem está envolvido num teatro de operações destes, desde o início, obviamente, que por um lado sentimos isso, por outro lado sentimos que, de certa forma, encontramos a menina. Mesmo sem vida, pelo menos encontrou-se. Chegamos aqui ao término da nossa missão, daquilo que nos foi atribuído para fazer, obviamente, com o sucesso de chegar ao fim e dizer que foi o possível, demos todos o nosso melhor. Certamente não foi por não fazermos mais que a situação não se resolveu mais depressa. Acho que foi um excelente trabalho de equipa, desde a logística que foi assegurada para todos estes operacionais, a dormidas de elementos que se deslocaram de outros pontos do país e que tiveram que também ter o seu merecido descanso. Tudo isto, de um momento para o outro, se disséssemos que estávamos na fase dos incêndios rurais e tínhamos um dispositivo montado e estávamos preparados para ter pessoas de fora a ajudar a apagar incêndios, isto é uma operação que se monta quase com o estalar dos dedos e dizer assim: "Olhem, agora resolvam o problema que têm e temos aí 100 pessoas de repente e temos que ter combustível, alimentar, ter onde descansar, guarnições, tudo pronto para continuar a trabalhar non-stop", que foi aquilo que fizemos. E obviamente nós, na parte de um apoio, de uma logística de retaguarda, que nem sempre é visível, e muitas das vezes esquecemos da cozinheira que está a alimentar todas estas forças, mas que também é importante. Portanto, da minha parte, agradecer aos operacionais e, sem dúvida, este relacionamento de instituições que traz este desfecho.

Senhor coordenador, eu tenho uma questão para si. Deixe-me só colocar esta questão, até para importa perceber, porque não ficou clarificado. Pergunto-lhe novamente. Sim, preciso colocar uma questão.

Caminhamos para a reta final desta conferência de imprensa na Polícia Judiciária de Leiria. Agora, mais uma questão para o coordenador da PJ, António Jordão, o coordenador da Polícia Judiciária de Leiria.

Pergunto-lhe de forma clara se existe alguma indicação de que esta família estivesse referenciada por possíveis maus-tratos, negligência a esta criança.

Não, não tenho essa informação.

Não existe essa informação?

Não tenho essa informação.

Baseada na primeira vez, na CPCJ, da primeira forma que a menina desapareceu, da primeira vez, não há nenhum registo?

Sim, contacto com a CPCJ houve nessa altura, mas daí até termos referenciado à família como, é diferente.

Não há indícios anteriores de violência doméstica?

Não, não tenho essa informação.

Podia então só responder à questão que eu tinha pegado antes. A roupa, portanto, foi encontrada com alguma

Não lhe vou dar essa resposta, porque o exame ao cadáver está a ser feito. Vamos depois ver se é com a roupa que foi dita que a menina desapareceu. Portanto, para já, não vou responder a isso.

Senhor coordenador, só uma última pergunta. Quando é que vocês passaram a tratar este caso como um crime e deixaram de pensar só numa criança desaparecida?

Nunca há só o momento. Como eu há bocado disse, se é que consigo explicar-lhe, perante um caso de desaparecimento, temos que abrir muitas hipóteses e sub-hipóteses. Não há sim um momento em que lhe possa dizer que agora acabou o desaparecimento e é um crime de homicídio. O que há é um desaparecimento que veio a redundar no homicídio. Isso é que sim. Muito obrigado. Obrigado a todos. Muito obrigado.

Está concluída esta conferência de imprensa na Polícia Judiciária de Leiria, que estivemos a acompanhar aqui à boleia da RTP, com estes destaques das notas deixadas pelo inspetor António Jordão, de que foram detidos dois autores que estão fortemente indiciados do crime de homicídio e ocultação de cadáver. É o pai e a madrasta desta criança de nove anos, Valentina. O pai de 38 anos, a madrasta com 32 anos, estão detidos. A Polícia Judiciária não confirmou que o pai confessou o crime, mas a análise, e isto palavras da PJ, levou à certeza destes indícios que foram recolhidos pelas autoridades e está também a Polícia Judiciária convicta de que a criança acabou por morrer na habitação, apesar do corpo ter sido encontrado a aproximadamente seis quilómetros da casa, tapado numa zona de eucaliptal. Foi aí que foi encontrado este corpo de Valentina, a criança de nove anos.

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