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É com muita indeferida. Aliás, só porque me telefonaram a querer que eu dissesse uma palavra sobre o Dr. Guilherme Monteiro. Eu diria que todo o meu tempo de sistema financeiro fiz com a companhia do Dr. Guilherme Monteiro, sem grande proximidade, porque estivemos sempre em instituições diferentes. De qualquer modo, especialmente a nível da Associação Portuguesa de Bancos, aí tivemos momentos de trabalho conjunto, de reflexão conjunta em relação a determinados problemas que surgiam em todos estes anos. Foram muitos anos. Eu entrei no sistema em 1970 e ele já estava no sistema a nível diretivo. Portanto, tivemos sempre uma relação muito cordial e há muito pouco tempo tivemos um contacto sobre este tema muito referido da banca portuguesa, banca dominada por instituições estrangeiras. Sempre tivemos uma boa relação, um bom diálogo e ele mereceu todos os cargos que foi tendo. Foi sempre o mérito profissional que o levou a estas responsabilidades.

Jardim Gonçalves, estiveram sempre então em bancos diferentes? No fundo, foram concorrentes.

Estivemos sempre em bancos diferentes, embora eu tenha depois passado por bancos onde ele tinha estado. E ele já estava com outras funções, sobretudo no tempo da banca nacionalizada. Ele teve funções a título de conselho de gestão e depois na banca privada também teve outras funções.

Era um concorrente respeitado?

Como?

Se era um concorrente respeitado.

Com certeza, era um excelente profissional. Ele terá feito alguma coisa antes de entrar no sistema financeiro, mas muito pouco. Eu lembro-me dele desde sempre. Desde que entrei no sistema, conhecemo-nos e tivemos uma relação. Eu conheci também um tio seu, que também estava no sistema financeiro, uma pessoa da geração anterior, mas a relação foi sempre correta e a atitude dele era uma atitude muito profissional.

Portanto, tinham uma relação cordial ou mais que cordial até.

Eu diria que dizíamos sempre um ao outro, em muito bom ambiente, com muito respeito mútuo, dizíamos sempre aquilo que efetivamente pensávamos sobre cada momento que o país vivia. E vivemos realmente situações muito diferentes se nos lembrarmos dos anos 70.

Claro, falou aí da nacionalização da banca e depois todos os momentos difíceis que a banca já passou entretanto.

Sim, graças a Deus não nos falta.

Histórias.

Histórias, não nos faltam histórias. Mas Guilherme Monteiro era muito sereno, dizia as coisas sempre com muita serenidade e era muito profissional, era uma pessoa muito correta.

Jardim Gonçalves.

É verdade que tanto ele como eu temos idade para partir, coisa mais há que aceitar exatamente tudo o que se passa. Foi uma pessoa que já contribuiu muito, e diria que bem, sempre em relação às referências a quem ele tinha que prestar contas. Ele aí era realmente muito correto.

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