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Muito obrigado, senhor Presidente, senhoras e senhores Deputados. Senhor Deputado José Luís Carneiro, deixe-me dizer-lhe que quadros cor-de-rosa não são a minha especialidade, mas são a sua. Não são a minha especialidade, mas são a sua. Os quadros cor-de-rosa que o senhor Deputado, ao longo dos últimos anos, veio sustentando, são os quadros do aumento generalizado dos impostos e da carga fiscal, são os quadros da deterioração dos serviços públicos, são os quadros, esses sim, da insensibilidade, da criação da ilusão de que é possível dar tudo a todos ao mesmo tempo, sem criar desequilíbrios. O Partido Socialista, senhor Deputado José Luís Carneiro, com o devido respeito, não acerta uma. Não acerta uma. Porque ou bem que leva o país para uma situação de desequilíbrio, porque tem uma gestão completamente desregrada das finanças públicas, ou bem que tenta criar um equilíbrio, mas o equilíbrio é criado à custa de mais impostos e à custa do sofrimento das pessoas com a diminuição da prestação de serviços públicos. O que o senhor Deputado poderia dizer é que eu defendo um quadro diferente. Eu não lhe queria dar nenhuma coloração, mas se quiser dar uma coloração mais cor-de-laranja e azul, pode dar à vontade. É o quadro segundo o qual os rendimentos das pessoas estão a aumentar, os salários estão a crescer, o salário mínimo está a crescer, mas também o salário médio, os impostos sobre o rendimento do trabalho estão a diminuir, os impostos sobre o rendimento das empresas também estão a diminuir para que elas possam ter mais instrumentos para investir, para poder inovar e para poder pagar melhores salários. E, ao mesmo tempo, estamos a corrigir injustiças graves como aquelas que os senhores nos legaram no âmbito do complemento solidário para idosos, onde havia uma injustiça gritante que afastava muitos beneficiários e onde o valor era muito reduzido e onde a comparticipação para os medicamentos era metade daquela que é hoje. Portanto, senhor Deputado, em matéria de sensibilidade, sinceramente, o senhor Deputado não tem aqui nenhum tipo de autoridade moral para me fazer essa acusação e a este governo. Mas deixe-me dizer-lhe, com todo o respeito democrático, também acho completamente inadequado que o senhor Deputado diga que nós desvalorizamos as propostas do Partido Socialista. Nós não desvalorizamos as propostas do Partido Socialista. Nós ouvimos, nós analisamos. Senhor Deputado, coisa diferente é concordar, coisa diferente é nós executarmos integralmente as propostas do Partido Socialista. O Partido Socialista não pode pensar, porque isso é uma visão demasiado, creio eu, arrogante da democracia, que as suas ideias são únicas e são as melhores. Nós achamos que nem são únicas nem são as melhores, senhor Deputado, mas isso não é desvalorizar. Isso é considerar, avaliar, analisar e decidir, é aquilo que nos compete. Senhor Deputado, tenha consciência, senhor Deputado, eu sei que tem, que o exercício da governação é um exercício que deve medir aquilo que são os sinais que nós damos à nossa sociedade e às pessoas. E há um sinal que nós não devemos dar: é o sinal da ilusão, é o sinal da irresponsabilidade. O senhor Deputado só faltou dizer que a responsabilidade pelo aumento do custo de vida é do governo e o governo deve compensar completamente o aumento do custo de vida por via do aumento dos preços. Senhor Deputado, nós estamos aqui para promover a justiça social. Nós estamos aqui para ajudar aqueles que mais precisam. Nós estamos aqui para fazer diminuir o impacto daquilo que mudou de forma muito rápida. E, de facto, os preços dos combustíveis e, por via deles, o preço de muitos bens, mudou de forma muito rápida. Estamos aqui para o fazer. Mas não é à custa, senhor Deputado, do futuro de todos nós. Não é querendo dar hoje muito para amanhã tirar mais ainda. É querer dar hoje aquilo que podemos, é querer estar ao lado das pessoas e das empresas hoje para amanhã continuarmos a ser mais produtivos, mais competitivos, para continuarmos a poder gerar mais rendimento para todos.