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Vamos então ouvir Luís Montenegro no encerramento do congresso.

Que belo congresso estamos a realizar hoje aqui em Almada. Neste 25 de novembro, que vai ser marcante para os próximos anos em Portugal. Entusiasmo, alma, calor humano, intervenções brilhantes sobre o presente e o futuro do país. Muito obrigado a todos. Deixo um cumprimento a todos aqueles que estão a participar neste congresso, na pessoa do nosso companheiro Nuno Morais Sarmento. A intervenção dele marcou-nos. O Nuno está em forma e mostrou o que é a unidade e a coesão do PSD. Permitam-me que cumprimente muito especialmente a doutora Manuela Ferreira Leite e o presidente Aníbal Cavaco Silva.

Mais uma ronda de aplausos para Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite.

A vossa presença também nos enche a alma, também nos dá alento e tem um grande significado pra nós. Nos dois, quero aproveitar para saudar todos aqueles que me antecederam no exercício destas funções, quer aqueles que o fizeram estando na oposição, quer aqueles que o fizeram governando o país. Doutora Manuela, sei que comunga comigo e com milhões de portugueses, a opinião de que o presidente Cavaco Silva é responsável pelo maior e mais profundo legado de desenvolvimento que Portugal conheceu no pós 25 de abril. Quero dizer, presidente Cavaco Silva, de toda a minha gratidão, mas sobretudo, do grande orgulho que nós temos no PSD pelo trabalho que desenvolveu à frente do Governo de Portugal. A sua visão, a sua honestidade, a sua sensibilidade social, a sua vontade de dar às pessoas o instrumento que elas precisam para poderem atingir os seus objetivos, os seus sonhos nas suas vidas. Esse legado, essa marca, são uma referência e são, sobretudo, uma grande inspiração pra aquilo que vamos fazer em Portugal nos próximos anos. É uma honra tê-lo conosco e é uma oportunidade pra lhe dizermos: nós vamos estar à altura do seu legado nos próximos anos em Portugal. Caras e caros congressistas e caros portugueses. O PSD está a mostrar aqui hoje que é uma grande instituição. O PSD está a mostrar aqui hoje que é o partido das pessoas, é o partido do povo, é o partido que representa toda a gente, que olha pra cada ser humano e como disse há pouco, tenta dar-lhe a oportunidade de ele se realizar enquanto pessoa. Olhamos pra um bebê e queremos assegurar-lhe que vai crescer com saúde e com a possibilidade de aprender na escola o essencial pra ser na vida aquilo que quiser. Olhamos pra um adolescente e queremos que saiba que nós vamos fazer tudo pra que ele não tenha de sair de Portugal, pra que ele possa ter aqui uma oportunidade de ter um emprego, pra que ele possa ter aqui uma oportunidade de constituir a sua família. Pra que ele, no fundo, possa ter a oportunidade que muitos de nós tivemos de não ter de sair de perto das nossas famílias, dos nossos pais, dos nossos avós, dos nossos amigos. Olhamos pra um desempregado e queremos dizer-lhe que estamos aqui pra o ajudar a sair dessa situação menos fácil. Que estaremos com ele agora, que é preciso, mas, sobretudo, estaremos com ele com o objetivo de amanhã ele já não precisar dessa ajuda. Olhamos para os trabalhadores no ativo e queremos que saibam que vamos mesmo impulsionar os seus salários. Vamos mesmo criar mais riqueza em Portugal e pagar menos impostos. Portugal precisa mais do que nunca de uma classe média forte, motivada e dinâmica. Este país não pode aceitar esta conceção socialista segundo a qual quem ganha 1.200 € líquidos em Portugal é rico e está em condição de aguentar a carga fiscal que hoje, quem trabalha, tem de suportar. A nossa conceção de classe média vai muito para além desse patamar. Nós queremos verdadeiramente que aqueles que são os mais dinâmicos da sociedade possam ter condições de vida que retribuem o esforço que fez, que essas pessoas fazem para serem mais produtivas e para terem mais mérito. E olhamos também para os mais idosos. E dizemos-lhes: contem conosco para valorizar as suas reformas. Nós sabemos que muitos, os tais que andam pela farmácia, não podem pagar os medicamentos, não conseguem pagar os medicamentos de que precisam. E também lhes queremos dizer que estamos preocupados, mas sobretudo empenhados em ajudar os seus filhos e os seus netos. Quando tratamos dos filhos e dos netos de Portugal, estamos também a cuidar da qualidade de vida dos avós de Portugal. Finalmente, também quero dizer que olhamos para as empresas e para as instituições sociais e para todas as pessoas que nelas trabalham. Há partidos e políticos que veem fantasmas e não percebem o essencial. As empresas e as instituições sociais são nossas. São nossas, da sociedade, das pessoas, não são um ente estranho àquilo que é de todos. As empresas e as instituições sociais são um patrimônio da coletividade, da comunidade. É verdade que elas têm acionistas e associados que têm um interesse legítimo a prosseguir. Mas um país moderno e justo tem de saber que as empresas e as instituições sociais também são essenciais para prestar serviço público. Nós precisamos, como hoje muitos aqui disseram, de criar mais riqueza. Mas essa riqueza só conseguirá ser criada se tivermos uma sociedade que aproveite as capacidades e as sinergias dos três setores: público, privado e social. As conceções que põem o Estado contra as empresas e contra as instituições sociais são conceções tacanhas que levam invariavelmente, está provado em Portugal e no mundo, à pobreza e ao insucesso. Caras e caros congressistas. Em 22 anos, é a terceira vez que o Partido Socialista conduz Portugal a uma situação de pântano político. À boa maneira do Partido Socialista, o PS quer agora aparecer como vítima da situação. Mas a situação mostra de forma inequívoca que as vítimas são os portugueses, que estão carregados de problemas nas suas vidas cotidianas. Não há como disfarçar. O primeiro-ministro demissionário e secretário-geral de saída do Partido Socialista e os dois aspirantes ao seu lugar, os três querem aparecer aos olhos dos portugueses como vítimas. Não viram, não leram, não sabiam, não se aperceberam. A culpa há de ser da direita. A culpa há de ser do Passos. De vez em quando, a culpa até há de ser do Cavaco. A culpa já foi dos anos 80 e qualquer dia a culpa vai ser do 25 de Novembro. Mas o 25 de Novembro que conta é o de 2023. É este onde nós estamos a arrancar para conquistar a confiança deste país, a capacidade desta geração em fazer melhor do que aquilo que os socialistas fizeram.

Agora o primeiro momento em que o Congresso se levanta para aplaudir Luís Montenegro, depois desta referência de que para o PS só há um culpado, que é Passos Coelho, Cavaco Silva ou agora o 25 de Novembro, uma referência também muito feita por Carlos Moedas.

Estas três personalidades são do núcleo duro disto tudo. Foram do núcleo duro disto tudo nos últimos oito anos Podem vir agora uns com falinhas mais mansas, outras de megafone em punho, mas, como diz o adágio popular: "são todos farinha do mesmo saco". Caras amigas e caros amigos, este contexto de fracasso, de incompetência, de opacidade, só faz crescer ainda mais a nossa responsabilidade. O PSD tem de ser o farol da esperança, a luz, a ambição para o futuro do país. O país precisa de nós. E exige-se ao PSD que olhe, sobretudo, para o futuro do país e que apresente as suas soluções para esse futuro. Eu não tenho dúvidas e quero que me acompanhem nesta visão. Nós só ganharemos e só vamos ganhar, porque nós vamos mesmo ganhar, as eleições de 10 de março. Nós vamos ganhar as eleições de 10 de março por aquilo que vamos ser capazes de fazer, não é por aquilo que os outros não fizeram ou não é só por aquilo que os outros não fizeram. Como diria um grande artista português: "Este é o momento pra fazer o que ainda não foi feito".

Música que, aliás, foi escolhida por Hugo Soares na última edição da Vixi Soares, esta sexta-feira.

Numa altura em que o mundo e a Europa vivem tantas tensões e incertezas, Portugal não pode, não deve embarcar em aventuras. Temos de ser ousados e disruptivos, mas também temos de ser responsáveis e realistas. Temos de recuperar credibilidade e confiança. Estes oito anos e este fim de ciclo de oito anos foram muito maus, quer do ponto de vista interno, quer do ponto de vista externo. É preciso unir Portugal. É preciso, em primeiro lugar, unir gerações e dar prioridade máxima aos jovens. Em segundo lugar, unir setores e celebrar um novo contrato social. Em terceiro lugar, unir pessoas e não negligenciar a demografia. Em quarto lugar, é preciso unir empreendedores, estimular a economia e criar mais riqueza. E em quinto lugar, é preciso unir as instituições, promover a transparência e erradicar a corrupção. A seu tempo, apresentaremos o nosso programa eleitoral. Mas há coisas que podemos dizer desde já. Até porque, ao contrário do que muitos disseram, trabalhamos intensamente nos últimos 16 meses pra definir as bases programáticas de uma alternativa. Não é por acaso que nós somos, efetivamente, a alternativa que conta, a única alternativa que conta. Quem quer mudar de governo e ter um primeiro-ministro diferente, tem de votar no PSD. E nós temos de fazer as pessoas acreditarem que esse voto, essa confiança, valem a pena. A alternativa que conta não se limita ao protesto, nem ao histerismo político e verbal. A alternativa que conta é abrangente, é moderada, é agregadora e recebe de braços abertos muitos independentes e até muita gente que não tem uma visão política de base igual à nossa. A alternativa que conta percorreu o país, a falar com as pessoas e com as instituições e, por isso, se declarou e declara pronta e preparada. Serei o primeiro-ministro que Portugal precisa nos próximos anos.

Aqui Luís Montenegro a dizer que só há uma alternativa caso o país queira outro primeiro-ministro é mesmo votar no PSD, porque lá está, Montenegro já disse que se não for o mais votado não assume o lugar. E aqui a afirmar que está capaz de assumir esse lugar, mais uma vez, aplaudido de pé.

Quando falamos em unir gerações e dar prioridade máxima aos jovens, nós sabemos o caminho que queremos. Nós queremos baixar o IRS dos jovens até aos 35 anos pra um terço daquilo que eles pagam hoje. Nós queremos, e vamos concretizar, um efetivo acesso universal e gratuito às creches e ao ensino pré-escolar. Nós vamos sem truques. Repito, a época dos truques vai acabar. Nós vamos sem truques. Baixar a taxa de IRS até ao oitavo escalão, aliviando a carga fiscal de quem trabalha, aliviando a carga fiscal de quem dá muito do seu esforço para colocar os serviços públicos e as empresas de pé todos os dias. E nós vamos valorizar os salários. Eu quero aqui dizer, com humildade democrática: o aumento do salário mínimo nacional que aconteceu nos últimos anos em Portugal, e que foi uma decisão do Governo do Partido Socialista, foi uma boa decisão.

Aqui a dar esta de borda, como se costuma dizer, ao PS e ao Governo de António Costa, mas agora vem a crítica.

A falta de esforço para aumentar o salário mínimo. O problema de Portugal é que enquanto o salário mínimo aumentou muito, os outros estagnaram ou ficaram quase na mesma. E hoje são cada vez mais os portugueses que estão no nível do salário mínimo ou muito pouco acima do nível do salário mínimo. Esse é que é o problema de Portugal.

Cá está esta crítica ao salário mínimo, tem sido esse o foco de António Costa no último ano, nos últimos dois anos, mas já não vai a tempo de recuperar essa distância face àquilo que é o salário mínimo.

Garantir o pagamento das pensões e das reformas em Portugal. E vamos, sobretudo, fazer um esforço nos próximos anos para que esse acréscimo, que esse aumento das pensões e das reformas tenha um significado maior nas pensões mais baixas. O nosso objetivo é claro: nós não vamos cortar um cêntimo a nenhuma pensão. Nós vamos-

Uma garantia importante pra eleitorado do PSD e pra o legado de Passos Coelho.

Nós vamos aumentar de acordo com a lei as pensões de uma forma geral. Mas nós vamos também, de forma gradual, e até ao final da legislatura, colocar a referência do complemento solidário para idosos nos oitocentos e vinte euros.

Aqui está Luís Montenegro a apostar neste eleitorado mais velho que escapa há muitos anos ao PSD, e é por isso que é também um foco importante neste próximo combate eleitoral, até porque no orçamento estado pra 2024 há um aumento histórico devido à inflação.

No seguinte: até 2028, o rendimento mínimo garantido dos pensionistas portugueses será de oitocentos e vinte euros. Este objetivo é realizável, não coloca em causa o equilíbrio das contas públicas e, para futuro, eu vejo como intercalar para que numa legislatura seguinte, o rendimento mínimo garantido de um pensionista possa ser equivalente ao salário mínimo nacional atualizado. É um objetivo pra cumprir em duas legislaturas. Admito que muitos saltem já a questionar-nos sobre as contas para financiar estas medidas. Nós temos as contas feitas e vamos apresentá-las com detalhe. Acreditem. Face à despesa que há hoje em Portugal com as pensões e com o complemento solidário para idosos, estes objetivos, não sendo fáceis, exigindo boas políticas públicas, exigindo cuidado financeiro, são realizáveis. São mesmo realizáveis.

A garantia de Luís Montenegro que vai conseguir este objetivo ou chegar a cumprir esta declaração de intenções, equiparar o rendimento mínimo de um pensionista ao salário mínimo nacional.

Nos empenhamos em unir os setores público, privado e social, e queremos celebrar um novo contrato social, o que nós queremos é que na saúde, na educação, na habitação, nos transportes e até na cultura e no desporto, o serviço público seja assegurado de forma complementar pelos equipamentos e pelos serviços do Estado, mas também pelos equipamentos e os serviços do setor privado e do setor social.

Outros setores onde Montenegro quer alterar o atual estado da situação.

Que marcou os governos dos últimos oito anos. Seguíssemos este princípio, nós tínhamos hoje mais portugueses com médico de família, nós tínhamos hoje uma capacidade de resposta pra consultas, pra cirurgias, até Para eventos de urgência nos hospitais com muito mais capacidade. E tínhamos também uma educação com menos problemas. E tínhamos também mais oferta no mercado do arrendamento e no mercado da compra de habitação. Deixem-me dizer-vos sobre as políticas sociais, repetir, porque nós não falamos disso por haver eleições. Ainda não havia eleições. E não era crível que houvesse nesta altura, por todas as razões. E em setembro último, nós demos um sinal daquilo que é preciso fazer pra acudir a um problema que é gravíssimo. O país não pode assobiar pro ar. Nós temos, na nossa escola pública, um clima de instabilidade que está agravado por uma realidade que é esta: até 2030, nós precisamos de ter mais trinta e cinco mil novos professores no nosso sistema público de ensino. Nós vamos perder, de 2020 a 2030, cinquenta mil docentes na escola pública. Nós temos as universidades portuguesas a mandar, salvo seja, pra o mercado da docência, qualquer coisa como isto: em 2018, saíram das universidades portuguesas sete pessoas com mestrado em Português pra via de ensino. Em 2021, saíram três pessoas diplomadas em Físico-química. Em 2021, saíram vinte e uma pessoas diplomadas em Matemática. Nós não podemos ignorar este problema. Acham possível que nós consigamos dar à escola pública os recursos humanos de docentes pra preencher todas as lacunas que já há hoje e todas aquelas que ainda se vão criar nos próximos anos, se continuarmos à espera que o problema se resolva por si? Eu não acho possível. E por isso nós propusemos, pra já, pra acabar com a instabilidade e pra dar atratividade pra carreira docente, a reposição integral do tempo de serviço dos professores, de forma gradual e de forma exequível.

Cá está a reposição do tempo de serviço dos professores, uma proposta já avançada pelo PSD mesmo antes de saber que ia a eleições antecipadas. Quer fazê-lo de forma gradual. O calendário terá que ser justo, porque agora a legislatura também tem uma interrupção.

Unir os portugueses e unir aqueles que estão cá conosco. Eu quero ser, mais uma vez, muito claro sobre o aspecto demográfico. Nós temos de investir, de investir muito e com paciência, porque essas políticas não produzem resultados imediatos. Temos de investir na remoção dos obstáculos à natalidade desejada pelos jovens casais portugueses. Temos de insistir, temos de persistir, temos de mostrar que o caminho está aí. Temos de ter políticas fiscais, de conciliação da vida laboral com a vida pessoal e familiar, que deem segurança aos casais portugueses. Mas também temos de contar com recursos humanos que vêm do estrangeiro. Não há como ignorar isto. Nós todos sabemos que os estudos, de uma forma geral, apontam pra que percamos cerca de 20% da nossa população num horizonte de quarenta a cinquenta anos. Nós, mesmo que sejamos bem-sucedidos na inversão das políticas que removem os obstáculos à natalidade, mesmo que sejamos bem-sucedidos, isso não produz efeito imediato. Nós precisamos mesmo de atrair, acolher e integrar imigrantes. Agora, atrair, acolher e integrar é fazer simultaneamente duas coisas: é regular e é dignificar.

Agora uma palavra sobre a imigração, um assunto relevante naquilo que é a relação entre as direitas, sobretudo num eleitorado que poderá querer ir resgatar ao Chega.

Nem podemos ter a porta escancarada, nem podemos ter a porta fechada à chave. É assim que se resume a nossa política e a nossa posição. E há caminhos que podemos seguir. Eu tenho apontado dois e aqui quero, mais uma vez, transmitir-vos. É um bom caminho atrair jovens estudantes estrangeiros pro nosso ensino, pro nosso ensino secundário e pro nosso ensino superior. É uma boa política de atração e de integração de imigrantes podermos atrair os agregados familiares como um todo e não apenas os progenitores masculinos desses agregados familiares. Aqueles que se preocupam, e bem, e legitimamente, com questões de integração, com questões de segurança, têm o dever de apresentar as ideias, os caminhos, pra precisamente diminuir o perigo da insegurança, o perigo da instabilidade social que atrair imigrantes também comporta. E aqui nós diferenciamos de todos. Nós diferenciamos daqueles que querem a porta fechada e também nos diferenciamos daqueles que querem a porta escancarada. Nós estamos a pensar no interesse do país, no interesse do país a médio e a longo prazo. E deixem-me dizer-vos também que unir o país à volta das suas empresas e à volta das suas instituições, sobretudo aquelas que criam riqueza, esse quarto vetor da nossa estratégia pressupõe simplificar Pressupõe um Estado que atrapalhe menos, um Estado que favoreça o ambiente econômico, que seja portador de políticas de atração de investimento, que deem previsibilidade e segurança. Não se dá previsibilidade quando todos os anos no Orçamento de Estado mudam as regras de quase tudo na fiscalidade e se está a dizer aos promotores: "Você venha investir, mas eu não sei o que é que vai acontecer daqui a um ano, ou dois, ou três". Nós temos de fixar um quadro estável para sermos levados a sério pelos grandes investidores que nos podem ajudar interna e externamente a ter uma economia mais competitiva. E não vamos, não vamos mesmo, ter o Estado metido nos negócios. O nosso princípio foi sempre o de dar à sociedade a capacidade empreendedora, regulando mercados quando é necessário, com certeza, mas dar essa capacidade à sociedade, acreditar nas pessoas. Como é que nós podemos vender esperança, futuro, se nós não acreditamos na capacidade das pessoas? Nós temos de acreditar naquelas pessoas que arriscam uma parte dos seus bens, do seu capital ou da sua capacidade de financiamento, de endividamento até, para poderem desenvolver negócios. Nós temos de acreditar acompanhando a execução desses projetos, mas dando, repito, um quadro de previsibilidade e estabilidade na execução dos mesmos. Deixem-me dizer-vos ainda que por estes dias, a propósito, seja das propostas que nós apresentamos na área social, na área fiscal, na atratividade do investimento, já estou a contar que venham os cristãos novos do equilíbrio das contas públicas, porque há cristãos novos em Portugal. Nós todos sabemos quem são.

Uma referência ao Partido Socialista, claro está, que utiliza muito a chavão das contas certas.

Querer dizer: "Mas eles agora prometem tudo ou eles estão a fazer o contrário do que fizeram quando tiveram que cumprir o papel que nos deixaram e que nós não podíamos mudar quando levaram o país à bancarrota". Eles têm essas narrativas todas, mas nós sabemos, e o povo também sabe. Quando esses cristãos novos nos vos vierem dizer isso, convém dizer-lhes uma coisa que eles não perceberam: as contas equilibradas para o PSD são um pressuposto, são uma condição da política econômica e das políticas públicas, não são o fim das políticas públicas. Como normalmente acontece naquele que não professam determinada fé, mas depois entram numa fase mais tardia, depois são mais fanáticos. E foi isso que o Partido Socialista foi. As contas públicas portuguesas hoje estão equilibradas, sobretudo à custa de mais impostos e sobretudo à custa de engavetar todos os grandes investimentos públicos que eram necessários nos principais sistemas públicos em Portugal. Nós não somos cristãos novos, nós somos cristãos por convicção.

Aqui uma referência às muitas cativações com que o PS tem, ao longo dos últimos oito anos, conseguido essas contas certas e também, é claro, o Governo de António Costa, aumentos sucessivos da carga fiscal sobre os portugueses e as empresas.

Finalmente, caras e caros amigos, é preciso unir as instituições, promover a transparência e erradicar a corrupção. Temos de ter um Estado mais eficiente, com menos burocracia, porque ela é a porta, muitas vezes, desses comportamentos desviantes. Temos de regulamentar atividades como o lobbying. Temos de conseguir criminalizar o enriquecimento ilícito, mas temos, sobretudo, que ser nós a dar o exemplo de exigência ética na política, no exercício de cargos públicos.

Agora aqui a atirar também àquilo que têm sido os casos e casinhos deste último governo de António Costa e, sobretudo, aquele que deu origem a esta demissão.

Caras e caros amigos, estimados portugueses, eu sei bem que a tarefa que tenho pela frente e que temos pela frente é uma tarefa gigante. Eu sei bem da frustração, da desilusão, da decepção que muitas pessoas têm com a falta de resposta, a incapacidade de cumprir aquilo que se diz que se vai fazer por parte dos políticos. Devo dizer que esta crise política e estes oito anos só agravaram essa situação. Sinceramente, só agravaram essa situação. E quero dizer, de uma forma muito tranquila, muito tranquila mesmo, que também sei que as pessoas esperam mais de mim do que aquilo que eu fui capaz de mostrar até agora.

Um ato de contrição de Luís Montenegro. Merecer aqui aplausos por parte do Congresso.

Eu quero dizer-lhes olhos nos olhos: eu tenho noção disso, mas eu estou aqui pra fazer isso!

Agora a merecer um aplauso de pé, Luís Montenegro, com esta declaração de que está pronto para esta intensificação do combate político.

Todos nós, a começar por mim, vamos ter de dar mais, vamos ter de fazer mais. Vocês sabem melhor que ninguém. Eu não me fechei nos gabinetes. Eu já visitei, nestes 16 meses, 258 concelhos de Portugal. Eu já estive na diáspora, eu já estive nas regiões autónomas, eu já estive em todos os distritos e estive sempre também em contato com os nossos autarcas. Eu tenho estado, como também se mostrou hoje aqui, com os nossos parceiros europeus, com os nossos aliados internacionais e com o espaço da lusofonia. Eu tenho ouvido o mais que posso para poder decidir bem. E é assim que eu quero governar. É neste registo que eu quero governar. E ainda vos peço que me permitam uma palavra ainda mais pessoal. Eu ouço mesmo as pessoas. Eu tenho ouvido algumas que me dizem que eu devo ser mais enérgico, mais acutilante. Alguns até me dizem com simpatia, para ser aquele líder parlamentar que eles têm na memória.

Ouvi esse "exatamente" em fundo, como quem quer dizer que Luís Montenegro precisa de dar um twist àquilo que é a postura enquanto líder do PSD.

Depois também tenho outros, já agora, que me pedem mais contenção e que me dizem que nem tudo está mal e que um líder tem que puxar por todos. E eu concordo. O que eu quero dizer-vos mesmo é que eu compreendo e respeito todos. Mas também vos quero dizer: de mim só podem esperar uma coisa, que seja o que sempre fui. Eu vou ser o que sempre fui.

Esta é uma frase também que se pode associar a Marcelo Rebelo de Sousa, que muitas vezes diz: "Não esperem que mude, porque o país conhece-me e é assim que sou".

Eu não quero ser juiz em causa própria. Quem discordar, faz favor depois de me contrariar. Mas eu acho que fui sempre combativo, mas ao mesmo tempo sensato. Eu acho que fui sempre firme e ao mesmo tempo moderado. Eu sei que eu sou muito obstinado nas missões que abraço. Mas também vos quero dizer: eu tento ser sempre o mais justo possível. Eu sou sempre honesto, solidário e humano.

A apresentar as notas curriculares, Luís Montenegro, ao país, agora que precisa que todo o país o conheça melhor, também aqui a merecer mais um aplauso de pé com este autorretrato que acabou de traçar.

Termino cumprimentando todas as mulheres e em especial as mulheres portuguesas. Este 25 de novembro também é o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres.

Aplauso prolongado para esta referência, agora com a sala a levantar-se ao fim de alguns segundos, para esta evocação do Dia Internacional contra a Violência contra as Mulheres, a merecer aqui um cumprimento especial de Luís Montenegro, num longo aplauso, que ainda dura, como podemos ouvir em fundo. Montenegro aqui já a aproximar-se da reta final do discurso de encerramento.

Não há dúvida que as mulheres merecem, e este aplauso forte e sentido, eu proponho que tenha para nós também o significado de evocar as 25 mulheres que pereceram este ano às mãos de ataques de violência doméstica.

Mais um aplauso de pé, agora para esta evocação de Luís Montenegro, ainda sobre o mesmo assunto. A merecer aqui a concordância de todo o pavilhão pela importância do tema.

Também é a pensar nas vítimas, nas vítimas de todas as agressões, que nós queremos mudar Portugal. Caras e caros amigos, vamos ao trabalho, vamos pra rua, vamos esclarecer, vamos falar, vamos dialogar com os portugueses e vamos seguramente conseguir fazer o que falta fazer por Portugal. Eu quero dizer-vos que estou cada vez mais entusiasmado. Eu estou cada vez mais firme para levar esta tarefa por diante. Eu sei que não é fácil ser mais, mas eu estou cada vez mais. E estas horas, este dia, deram-me um suplemento de ambição, um suplemento de energia, um suplemento para dar a Portugal um grande governo, um governo social-democrata. Muito, muito obrigado. Viva Portugal! Viva Portugal! Viva, viva Portugal!