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Marcelo Rebelo de Sousa, que em Celorico de Basto está neste momento a votar. Aguarda-se que volte a falar aos jornalistas. O presidente da República tinha agendada esta votação para 13h. Não foi dos portugueses que votaram até ao 12h, foram 23,27% dos eleitores. Mais de dois milhões de portugueses já votaram durante a manhã. Marcelo Rebelo de Sousa, já a votar durante este início de tarde, o presidente da República, que como é habitual, vota em terra natal, vota em Celorico de Basto, já exerceu esse direito. Vamos agora perceber se vai voltar a falar aos jornalistas. O presidente da República, que vai ainda hoje dirigir-se para Lisboa para acompanhar os resultados eleitorais, vai fazer esse acompanhamento da noite eleitoral a partir de Belém, em Lisboa. Vamos agora escutar novamente Marcelo Rebelo de Sousa, que já votou.
Vamos ouvi-lo mais uma vez.
Virem comigo até à cabine de voto. Ora bem, vamos a mais.
Peço só alguma organização. Espera aí.
Aqui os jornalistas com os microfones em frente do presidente da República, também para deixar mais uma mensagem.
Ponderou se o que fez foi bem feito ou se foi o momento certo para estas eleições, quando dissolveu o Parlamento?
Se está feito, está feito, é preciso olhar para o futuro. Eu fiz em consciência o que tinha que fazer. O Conselho de Estado esmagadoramente apoiou, os portugueses apoiaram, está feito. Agora é preciso olhar para o fundamental, que é os portugueses votarem. E votarem, e pelos vistos os números são melhores do que os de 2019. Continuarem assim. Votarem, porque foi o que eu disse. É uma prova de vida, uma prova de vitalidade, uma prova de democracia e uma prova de que querem exprimir a sua voz e devem exprimir a sua voz e têm muitas escolhas. Muitas escolhas, é uma das riquezas do nosso sistema, é realmente oferecer tantas hipóteses alternativas, devem aproveitá-las.
E amanhã, como é que vai ser a sua agenda amanhã? E se hoje à noite sair daqui um resultado mais complicado do que o que estava?
Eu não vou agora estar a comentar o que se passa. Os portugueses estão a votar, uma coisa fundamental. Ninguém tem que ter medo do voto dos portugueses, porque isso é ter medo da democracia. Uma coisa é a nossa opinião e o nosso voto. Outra coisa é admitir a diversidade e o voto de todos os portugueses. O voto português é o que for. E é em função desse voto que realmente se vai determinar um futuro que é muito importante, porque nós temos de sair da pandemia e sair em bem. Temos de acelerar o crescimento económico, a utilização dos fundos europeus, porque estamos num momento difícil na Europa e porque ainda por cima, por coincidência, mas é o que acontece, estamos num momento difícil no mundo. Logo, todas as razões para querermos que haja o maior número de portugueses a votar.
Mas saindo aqui uma solução de governo menos sólida, será um presidente diferente?
Não vou entrar em especulações. Sabem que eu vou receber os partidos na terça e na quarta. Sabem que este é o conjunto de problemas que os portugueses conhecem, que o futuro governo vai ter de enfrentar. Sabem, como um dos temas, eu disse na minha mensagem de ontem, temas de debate na campanha eleitoral, foi a forma do governo, que tipo de governo. Portanto, é isso que eu vou perguntar aos partidos. Olhando para os resultados que foram, que ainda estão a ser, tivemos X horas de votação, há mais horas à frente ainda de votação, em função disso, como é que vem o futuro imediato em termos de governação? Depois pronunciar-me-ão, antes disso não me vou pronunciar.
23,7% até ao meio-dia, parece-lhe bem?
Não, mas é isso. Eu estava a dizer que, com exceções, tenho pena que aqui seja um pouquinho mais baixo comparativamente, mas espero que recupere, mas a nível nacional há uma subida. E é curioso, nestas situações, os portugueses são muito conscientes. Eu lembro-me que nas presidenciais, em que não havia tantos isolados, mas a situação era muito mais grave, precisamente no mesmo dia de há um ano, havia mais de 300 mortos por dia e muitíssimos mais internados e em cuidados intensivos, cinco vezes mais ou três vezes mais do que há hoje, subiu a taxa de participação, não desceu. Se isto acontecer agora nas legislativas, é um sinal civicamente muito forte da parte dos portugueses.
Uma palavra para a situação da Ucrânia.
É, mas também, infelizmente, a situação não é tão grave como era há um ano.
Sobre a Ucrânia, tem acompanhado esta situação, tem falado com governantes, como é que olha para esta situação que é complicada e assustadora?
A posição portuguesa é muito clara, que é tentar a via diplomática, não a deixar esgotar, porque é preferível a diplomacia a qualquer tipo de solução outra, e perseguir esse esforço, no caso português, no quadro da União Europeia, também no quadro da NATO, mas mantendo, naturalmente, como nós temos mantido, sempre diálogo com todas as realidades envolvidas. E sabendo quais são as questões que estão em jogo, como isso é importante, nós ainda por cima sentimos de uma forma dupla, porque temos uma comunidade ucraniana muito grande em Portugal. Não temos uma comunidade portuguesa muito grande na Ucrânia, mas temos uma comunidade ucraniana muito grande em Portugal. Portanto, isso exige paciência, exige acompanhamento minuto a minuto, dia a dia, mais uma razão que não estava Provavelmente na agenda, mas que surge aumentar a responsabilidade do futuro governo.
Temos imigrantes, senhor presidente, que estão a enfrentar dificuldades para votar.
Pois, eu devo dizer que isso é uma luta que eu tenho tido há muito tempo. Acho que o fato de haver sistemas diferentes de votação para várias eleições é uma questão que qualquer dia o Parlamento deverá pensar. E depois há problemas práticos de funcionamento, que uns têm a ver com os próprios votantes, outros não têm. Surgiram problemas burocráticos difíceis, que a Covid acentuou, de fato, acentuou brutalmente. Nestas eleições, foram muitas que se realizaram em Covid e, portanto, chegam a mim ecos. Mesmo na minha família, tenho um elemento que votava pela primeira vez e que, como mudou de residência de um sítio para o outro, e aí houve uma certa responsabilidade dele, chegou ao consulado e não votou.
Voltou a falar na necessidade de revisão da lei eleitoral. Há falta de vontade?
Não, mas isso é muito simples. Imaginem com esta situação, uma solução alternativa podia ser, por exemplo, os isolados votarem no sábado , num dia diferente. Não é possível, a lei não permite. Ou então haver maleabilidade no horário , para além das 19h. A lei não permite. Portanto, temos uma lei que foi pensada para outro tempo, com a precaução de evitar tudo que fosse, porque foi votada, foi preparada na sua primeira versão no meio de uma revolução. É como o dia da reflexão. Por que o dia da reflexão apareceu? O dia da reflexão apareceu porque foi muito intensa a primeira eleição, no meio de uma revolução. Eu fui candidato à Constituinte, sei bem o que era fazer campanha no meio de uma revolução. E aquilo era um compasso de descompressão, depois de um combate muito intenso, de uma luta política muito intensa, entendia-se que era uma forma de pacificação depois de uma intensidade enorme nessa campanha. A democracia está institucionalizada. O voto antecipado, não há dia da reflexão para o voto antecipado. Vale a pena pensar se é de manter o dia da reflexão.
Senhor presidente, vai almoçar aqui no restaurante sempre?
Sim, vou almoçar com o presidente da Câmara, com o presidente da Assembleia Municipal também e com os presidentes de junta de freguesia. E depois lá me ponho a caminho, calmamente, serenamente. Ponho música só para não estar na tentação de ouvir o que quer que seja, ou quem quer que seja. De vez em quando, vou vendo as notícias para ter a certeza que realmente o número de votantes vai aumentar. Tenho um compromisso com os jornalistas veteranos, ao fim da tarde, que se reúnem para matar saudades e comentar, digamos assim, à porta fechada, a realidade. Vou lá dar-lhes um abraço ou um beijinho, enfim, tanto quanto é possível sanitariamente, ainda antes de estarem conhecidas as primeiras sondagens à boca das urnas e, portanto, fechados os votos nos Açores. E depois vou para Belém. Não, vou jantar primeiro, tenho direito a jantar, curtinho, como almoço, não janto muito. E depois vou para Belém serenamente, aguardar. Amanhã é um dia relativamente tranquilo. Recebo várias entidades que não têm a ver com eleições, precisamente de propósito, para haver aqui 24 horas para analisar os resultados eleitorais e deixar que os protagonistas analisem, e os portugueses em geral.
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