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Explicador da Rádio Observador, é a notícia do dia a reabertura do Estreito de Ormuz por um período de 10 dias, tempo do cessar-fogo, que permite a circulação de navios com autorização prévia do Irão. Tivemos como consequência quase imediata a queda do preço do crude, no fundo, do petróleo em bruto, também o barril Brent, que serve de referência a Portugal, também os preços caíram e a pergunta que vamos fazendo a esta hora e nesta sexta-feira é se tudo isto vai ter consequência na hora de abastecer na próxima segunda-feira. Eu sou o Ricardo Conceição e comigo está a Judite França.

E para nos responder a isso mesmo, está conosco Ricardo Marques, é especialista em mercados energéticos. Bem-vindo, obrigada pela disponibilidade. Ricardo Marques, a abertura do Estreito de Ormuz, anunciada pelo Irão, já se fez sentir no fecho dos mercados?

Sim, fez-se sentir no fecho dos mercados, quer do petróleo, quer dos produtos refinados, sobretudo do gasóleo, que é aquele que eu mais acompanho. Olhando para o preço que estava na sexta-feira, temos uma queda de €0,20. Sendo que ontem essa queda já era de €0,10.

Portanto, segunda-feira o gasóleo vai cair €0,20? Não.

Não. Estou a dizer que face à sexta-feira passada, o fecho desta semana está €0,20 abaixo. Sendo que ontem estavam €0,10. Portanto, eu não sei como é que é feito o cálculo para o preço de segunda-feira, se é só com o último preço da semana ou se usam alguma espécie de média.

E o que diz a sua experiência?

Eu tenho dúvidas que sejam os €0,20. Diria algo entre os €0,10 e os €0,15.

Entre os €0,10 e os €0,15.

Faria sentido, sim.

E já agora, na gasolina, Ricardo?

Na gasolina, muito pouco. Na gasolina, vejo um, dois cêntimos de diferença, porque a gasolina também não tinha subido tanto. Tivemos aqui duas situações, não só a queda do petróleo, como a queda da margem de refinação do gasóleo face ao petróleo, ou seja, aquilo que o gasóleo estava a negociar acima do petróleo.

O crude caiu, como dizíamos há pouco, só com o anúncio, mas o cessar-fogo expira a 22 de abril. Os mercados descontam já esse risco?

Não, ou seja, os mercados estão a acreditar que a situação está resolvida. Claramente.

Ou seja, temos aqui estes 10 dias de cessar-fogo, mas tudo isso será um prenúncio de regresso à normalidade, é isso?

Eu penso que é isso que os mercados estão a descontar. A partir de agora vai fluir não apenas o petróleo, como o gasóleo que é refinado nas refinarias do Médio Oriente. Quem diz gasóleo, diz jet fuel, que muita gente tem falado, diz nafta.

Dos aviões, jet fuel dos aviões.

Propano, ou seja, aquilo que o Médio Oriente produzia não para consumir, mas para exportar e que não tem saído, vai passar a sair. Há outra coisa também que resta saber é até que ponto é que os ataques destruíram algumas refinarias, afetaram a capacidade de produção.

Exatamente, porque não sabemos, não é? Não sabemos se essa capacidade diminuiu ou não, porque não temos noção de dados.

E em que extensão e qual o tempo de reparação.

Ricardo Marques, também temos que fazer aqui outras contas, porque isto tudo vem por mar e demora algum tempo os navios a chegar e estamos agora, nesta altura, se calhar, a sentir as consequências, em termos de produto disponível, ao mês, ou não? É mais ou menos isso?

Eu penso que não. Ou seja, seria assim se não houvesse reservas. Havendo produto, é a tal situação que se falava que não haveria jet fuel por seis semanas.

Exato.

Desde que a próxima carga chegue antes de seis semanas, a situação flui.

Ou seja, dá para ir gerindo com as reservas, não é?

É. Poderia haver problemas se não houvesse, por exemplo, petróleo para refinar, mas tem havido. Pelo menos até agora, onde tem faltado tem sido em alguns países asiáticos. Na Europa não tem faltado nem petróleo nem produto refinado ainda.

Ricardo, muito obrigado mais uma vez pela sua disponibilidade, por estar aqui na Rádio Observador. Ricardo Marques, especialista-

Muito prazer

...em mercados energéticos. Obrigado. Ficamos aqui com esta nota. Não há ainda um valor possível. Não é possível avançar aqui um valor concreto, mas o Ricardo Marques atirava aqui para cerca de €0,10, €0,15 de baixa no preço do gasóleo na próxima segunda-feira e €0,01 na gasolina. E agora recebemos Eduardo Maio, criador do site Mais Gasolina. É um site que já tem alguns anos, mas nas últimas semanas voltou a ser muito requisitado. No fundo, propõe-se a ajudar a encontrar o posto de combustível mais barato nas redondezas.

Bem-vindo, Eduardo Maio. O Mais Gasolina nasceu na necessidade de encontrar a gasolina mais barata. Como é que teve esta ideia?

Boa tarde. Na altura, estava a tentar converter um carro para GPL e não sabia bem onde é que existiam os postos de abastecimento. E a ideia inicial foi mesmo ter um mapa de postos de abastecimento de GPL e depois a ideia alterou e fluiu para ter todos os combustíveis, até porque foi uma altura em que houve grandes aumentos de combustíveis e fazia sentido então também ter o preço da gasolina e do gasóleo à mão.Estar disponível no site para consulta por qualquer pessoa.

E hoje o Mais Gasolina começou, deixa-me pôr as coisas assim, um pouco mais amador e hoje é já um site mais profissional ou não?

Continua a ser só eu a mexer no site ainda, mas a minha profissão é mesmo esta, sou programador informático, portanto acabou por ser aqui um hobby que foi continuando, foi-se mantendo e felizmente tem tido vários acessos e tem sido útil para os condutores para pouparem algo na altura de abastecer.

Nestas últimas semanas registou um aumento de tráfego no site?

Sim, o pico de acessos no dia 6 de março, mais ou menos na altura que começou este conflito, foi muito comparável a março de 2022, também quando começou a guerra da Ucrânia. Os acessos têm sido quatro vezes superiores ao normal e os acessos essencialmente têm sido mais a pesquisa de postos low cost, principalmente estas novas marcas que entraram agora no mercado, estas marcas espanholas com os preços mais baratos, têm sido as mais consultadas. Até porque se compararmos a média nacional com o valor destas low cost num depósito de 40 litros podemos poupar até cerca de € 7 por depósito, portanto ainda é uma diferença considerável. No final do mês faz diferença.

Claro. E como é que o Eduardo recolhe a informação? É com base nos utilizadores? Como é que faz isso?

Existem várias fontes. Alguns sou eu pessoalmente que faço a atualização semanalmente, outros vou buscar diretamente à Direção-Geral de Energia e Geologia, como vários outros sites e outras aplicações que existem. E existem postos que são atualizados diretamente pelos próprios revendedores, por empresas que fazem exploração de algumas marcas e outros utilizadores que acedem pela app e decidem atualizar os preços.

Portanto, já tem uma aplicação também para o telemóvel, não é?

Sim, só ainda em Android, mas é usado essencialmente só para sabermos qual é o posto mais barato que está perto de nós, principalmente útil se formos de viagem e é muito utilizado pelos utilizadores para fazer a atualização dos preços.

Eduardo, há pouco não percebi bem. Esta é a sua atividade principal agora?

Não, isto para mim continua a ser um hobby. Eu sou programador informático, essa é a minha profissão e isto é um hobby que eu tenho.

Mas Eduardo consome-lhe muito tempo?

Sim. Principalmente fazer a recolha dos preços. Segunda-feira à meia-noite eu estou a sair de casa para ir fazer recolha de preços para ver os aumentos que são feitos. Até porque mesmo vendo os dados oficiais, por vezes há preços que não batem certo com os preços que estão nas bombas, no posto de abastecimento. E desta forma eu vou diretamente ao posto e vejo qual é o valor que está no pórtico e consigo confirmar que é aquele valor e indicar qual é que foi o aumento que existiu nesta semana.

Quantos quilómetros faz com essa recolha?

São poucos, cerca de 20, 30. É pouco.

Mas isso é de meia-noite de domingo para segunda?

De domingo para segunda, sim.

Portanto, à meia-noite lá vai o Eduardo dar uma volta para ver como é que estão os preços.

Exato. É só nalguns postos de abastecimento das principais marcas do país que estão aqui na zona e uso esses postos como método de comparação e para perceber os aumentos relativos à semana anterior, porque por vezes podemos ter a notícia em que, caso esta semana o gasóleo irá baixar 10 cêntimos e a gasolina 1 cêntimo, mas nem sempre é esse o valor que é feito a descer ou que é feito o aumento nas marcas. Às vezes é inferior, outras vezes é superior, depende sempre um pouco.

Claro.

De marca para marca há diferenças também.

Isso é o valor médio, não é?

Exato.

É um valor médio. Deixa-me pegar aí nisso. Também tem reclamações no sentido: "Então o gasóleo vai descer 10 cêntimos e afinal aqui na bomba só desceu sete"?

Sim, por vezes acontece. Recebo alguns e-mails com essa indicação.

Mas a culpa não é sua, não é?

Exato. Por vezes acontece, mas faz parte e basta dizer que o site só indica os preços, não tem mão nisso.

Mas acontece muitas vezes?

Acontece algumas vezes. Também acontece receber e-mails de pessoas que vão abastecer ao posto de abastecimento e têm algum problema ou não gostaram do funcionário, algo do género, e vão ao Mais Gasolina e enviam uma reclamação por lá.

No fundo, tem muitos dados sobre o funcionamento das gasolineiras.

Sim. Indiretamente, sim. A ideia era mesmo só apresentar os preços do posto de abastecimento, mas acabei por ficar um pouco mais envolvido também em todo este meio e perceber como é que as coisas funcionam.

O Eduardo quase que assume aqui o papel do provedor do automobilista que vai abastecer.

Normalmente é só responder que tem que entrar em contacto com o posto de combustível para resolver essa situação.

Eduardo.

Mais sorte.

Muito obrigado, Eduardo Maia. Muito obrigado pela sua disponibilidade e por ter estado aqui conosco na Rádio Observador, no fundo, a apresentar o seu site Mais Gasolina, que é uma ajuda para quem procura o posto mais barato para poder abastecer o carro. E como já percebemos, a procura aumentou 4% aqui com esta crise. Eduardo, muito obrigado pela sua disponibilidade.

Obrigado, boa tarde.