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Temos também conosco em estúdio Pedro Maló, que acabou de retirar a candidatura ao cargo de reitor e também de pedir à presidente do Conselho Geral para que não realize hoje as eleições que estão marcadas. Por quê?

Bom dia.

Bom dia, bem-vindo.

Bom dia. As eleições estão a realizar-se, estou aqui a ver em direto, portanto, não é o realizar-se, já está a acontecer.

Já estão a acontecer.

Pois. Há várias razões. Eu emiti um comunicado ontem a explicar um pouco as razões e do meu ponto de vista, talvez exista a base formal legal para realizar estas eleições. O meu colega explicou um pouco que não concorda tanto. Eu não sou jurista e respeito. Mas não existe certeza, base ética e moral para as realizar. E as razões são porque este Conselho Geral está amainetado, porque desde logo não me aceitou como candidato. E quando me aceitou como candidato, ainda assim, repulsou-me como candidato.

Como? Como é que isso aconteceu?

Como? Bem, numa conversa com um dos conselheiros, disse-me diretamente, cara a cara, que eu não podia ser candidato, não devia ser candidato. Ou seja, desrespeitando o tribunal, a lei, o Estado de Direito, tudo.

Mas alegando o quê?

Alegando, na verdade, que a universidade devia ter recorrido da sentença. Isto é muito complicado, é um processo muito complicado, é preciso percebê-lo. Quem decidiu não recorrer da sentença foi o reitor, não foi o Conselho Geral, porque o Conselho Geral não tem serviços próprios, não tem serviço jurídico, não tem serviço administrativo, não tem secretariado, usa todos os serviços da reitoria. E quem decidiu foi ele próprio, o reitor, que também é candidato. Temos aqui um problema.

Quem assiste de fora e, de facto, isto é complicado, fica a sensação de que há aqui uma tentativa de tomada de poder. É isso que está a acontecer na Nova?

De quem? Há dois lados. Já não se consegue perceber o que é o quê. Eu acho que o que existe é um atropelo total pelo Estado de Direito. Isso é o que eu acho que existe.

E a responsabilidade é do Conselho Geral atribuir a

Mesmo, sempre. E ele teve 14 votos da outra vez. Só que eu acho que agora, pelo que me contam, pelo que me dizem, isso poderá não acontecer. Ou seja, o candidato único entra como candidato único e não é eleito à primeira volta.

E como é que isto se poderá então resolver? Se isso acabar por acontecer, se não for eleito à primeira volta.

Não é eleito à primeira volta, depois é eleito à segunda.

Será eleito à segunda, mas quer será exatamente?

Sai dali hiperfragilizado. Ele vai se vitimizar. Vai dizer que foi uma cabala, que foram os vilões da SBE que montaram isto. Aliás, eu desmontei essa cabala no post no LinkedIn que fiz, explicar que isso não é verdade. Como é que isto se resolve? Não sei.

Com a intervenção do ministro.

Eu acho que aquilo que eu propus e que disse que ele devia ter se demitido. Como é que nós temos um reitor que é candidato ao mesmo tempo? A misturar os dois papéis e não se percebe já qual é que é a parte candidato, qual é a parte reitor disto. O que ele devia ter feito, quando reconheceu que não ia recorrer da decisão, tinha que ter se demitido.

Esta polêmica pode ter ou já está a ter consequências negativas para a imagem da instituição?

Para a imagem, sim, mas para o funcionamento, não. Quer dizer, as aulas estão a ser dadas, amanhã eu vou dar aulas, na segunda-feira aulas dei, a investigação está se a fazer, a ligação à sociedade está a acontecer bem. Aquilo que importa para o exterior não está minimamente tocado. O que estamos aqui a falar é o futuro. Estamos a discutir o futuro. E o futuro, sim, o futuro está em debate e está em aberto. A imagem, claro, mas isso a imagem também, vamos lá ver, nós sabemos como é que essas coisas funcionam. No dia a seguir, as coisas tranquilizam-se e tudo estabiliza. Eu não estou a ver é qual é que é o dia a seguir e quando é que isso vai acontecer.

Ainda vamos ver como se resolve, não ficou claro por nenhum dos nossos convidados desta manhã. Pedro Malô, muito obrigada por ter vindo à Rádio Observador. Um bom dia.

Obrigado.