Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Este é o Gabinete de Guerra, um podcast da Rádio Observador, em que olhamos para as mais recentes notícias da guerra na Ucrânia. A analisar aquilo que se passa no terreno, temos conosco o major-general Isidro Morais Pereira, a quem agradeço a disponibilidade. Bem-vindo, senhor major. Hoje começamos com uma guerra que tem sido muito feita fora do terreno, com o envio de vários apoios europeus. A Comissão Europeia enviou hoje mais de 4 mil milhões de euros pra Ucrânia, sendo que Kiev quer também receber armamento por parte da União. Este apoio, principalmente estes 4 mil milhões de euros, são consideráveis ou podemos dizer que é uma gota no oceano?
Vamos lá ver. É preciso ter a noção de que estes 4500 milhões de euros, que é exatamente a verba que a Ucrânia vai receber já no imediato, porque lhe vão ser transferidos, é a primeira tranche do pacote de 50 mil milhões de euros que foi aprovado em final de janeiro passado. Aliás, que devia ter sido aprovado ainda em finais de 2023, mas se nós bem nos recordamos, houve alguma oposição feita fundamentalmente por Viktor Orbán, da Hungria, mas que entretanto, face às sucessivas investidas, às sucessivas tentativas de alcançar um acordo, o Executivo da Hungria acabou por concordar com esta verba.
E peca por tardio, senhor major-general?
Peca por tardio, porque a Ucrânia tem uma necessidade imperiosa, neste momento, fundamentalmente necessita de armas, mas também necessita de muito apoio à economia, porque a Ucrânia é um país devastado pela guerra. Este é o grande problema, muito embora a própria economia ucraniana tenha vindo a dar sinais de alguma robustez e alguma resiliência, porque curiosamente nós assistimos durante o ano passado, o inverno anterior aos ataques sistemáticos aos centros de produção de energia elétrica e distribuição e transformação. E curiosamente, este ano a própria Hungria já está a exportar energia elétrica para a Polônia. A própria Ucrânia, findo o acordo dos cereais, que nós muito bem nos recordamos, mediado pela Turquia e pelas Nações Unidas, e que durou durante um par de meses, em que a Rússia concordou, deu assentimento a que os navios comerciais pudessem carregar os cereais nos portos de Odessa e nos portos do Danúbio e fossem escoados através do estreito do Bósforo e a partir daí, seguindo o destino para os locais destinatários dessas mesmas exportações. Neste momento, sabemos que a Rússia não faz parte desse acordo. No entanto, a Ucrânia foi capaz de destruir grande parte da capacidade da Marinha da Federação Russa do Mar Negro, da frota do Mar Negro. Afundou ou destruiu mais de 25% dessa frota e consegue manter um corredor suficientemente seguro utilizando as águas territoriais quer da Romênia, quer da Bulgária, e seguindo até o estreito do Bósforo. Portanto, tem conseguido escoar grande parte da sua produção cerealífera, o que é bom, porque há muitos países no mundo que necessitam, naturalmente, deste tipo de alimentação, que é fundamental para a vida.
Major-general Isidro Morais Pereira, até porque temos de avançar aqui pra outros temas. Gostava também de perguntar-lhe sobre a notícia dos afastamentos russos, o dos atletas russos do desfile de abertura dos Jogos Olímpicos e também o afastamento de cientistas russos da Organização Europeia de Investigação Nuclear. Isto tem realmente algum impacto também no seio da Rússia?
Vamos lá ver. Todas estas medidas, quer as medidas adicionais, que são de pacotes de sanções, quer financeiras, quer sanções a determinadas entidades em que os próprios nomes são divulgados, quer o facto de se retirarem, por exemplo, as equipes russas de futebol das federações, quer da FIFA, quer da UEFA, quer agora a questão dos Jogos Olímpicos, que é uma questão candente. Tudo isto vem colocar dificuldades acrescidas, naturalmente, à Rússia, porque os próprios russos gostariam de ver os seus atletas a competir, gostariam de ver a sua equipe de futebol a competir a nível mundial, gostariam de ver as suas equipes a competir nas competições da UEFA. Quer dizer, tudo isto tem um efeito negativo sobre a imagem da própria Rússia no mundo.
Claro!
Eu gostaria só de dizer que isto não é a primeira vez que acontece. Atenção, esta solução que foi encontrada na reunião do Comitê Olímpico Internacional, estes atletas participam a título individual. Foi um pouco aquilo que aconteceu, e eu lembraria Barcelona 1992. Os nossos ouvintes, porventura, muitos deles não terão presente, mas eu lembro-me perfeitamente porque uma das missões que eu cumpri como militar foi na Bósnia e isto tem a ver com o desmembramento da ex-Jugoslávia.
Claro.
Portanto, em 92 punha-se o problema, como é que os atletas da antiga Jugoslávia, uma vez que ela se tinha desmembrado, iriam participar? Eles também foram nessa altura impedidos de participar na cerimônia de abertura porque participavam a título individual. Curiosamente, foi aplicado um critério semelhante aos atletas, não apenas da Federação Russa, mas também da Bielorrússia, como nós sabemos. Portanto, que estarão impedidos de participar.
Major-general, gostava de avançar aqui pra outro tema.
Muito bem. E os cientistas é exatamente a mesma coisa. Esta não participação dos cientistas numa organização internacional desta importância, naturalmente que tem, no mínimo, um impacto negativo no prestígio da própria Federação Russa a nível global, como nós sabemos.
O Gabinete de Guerra é um podcast da Rádio Observador, vai pro ar de segunda a sexta, depois do noticiário das 9:30 da manhã, tem nova edição depois do noticiário das 16:00 e sabe, está sempre disponível em podcast. Eu sou o André Maia, até uma próxima.