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Alberto Gonçalves e as Ideias Feitas. Bem-vindo, Alberto. Hoje queres falar de um escândalo na CNN Portugal.

Olá, Ricardo. Quero, mas quem falou primeiro, que eu tivesse visto, foi "O Observador". Mas corre por aí, de facto, desde o fim da tarde ou início da noite de ontem, a notícia de que o diretor executivo da CNN Portugal, que é um senhor chamado Frederico Roque de Pinho, está a ser acusado de privilegiar a promoção de homens homossexuais na estação em questão. Sobre os homens homossexuais e a CNN Portugal, eu tenho só aqui um minúsculo, um pequeníssimo episódio a contar. Há uns meses fiz um "Ideias Feitas" sobre o apoio que, antes de Trump, a Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento fornecia a festivais gay em várias partes do mundo, mas nesse mesmo "Ideias Feitas", sobretudo critiquei que noutras circunstâncias, outros apoios da agência acabassem a beneficiar o Hamas. E depois, como de costume, partilhei o podcast no X, no antigo Twitter. E em coisa de minutos, um sujeito que eu não conhecia partilhou o meu post e acrescentou umas considerações que davam a entender que eu tinha achado ao post um ataque pessoal e bloqueou-me. Ora bem, era difícil eu ter querido atacar alguém cuja existência eu, juro por tudo, não fazia ideia, mas cheguei a pensar que o sujeito em questão se tinha ofendido por sentir as dores do Hamas. Afinal, não seria bem isso. Segundo me informaram, o sujeito é pivô da CNN, chama-se André Carvalho Ramos, e ofendera-se enquanto homossexual, pormenor que assume em público e pela parte que me toca, faz muito bem, não tenho nada a ver com isso. Depois desta história sem grande moral, eu passo ao tema propriamente dito e noto que o famigerado DEI, Diversity, Equity e Inclusion, chega a Portugal quando está a recuar nos Estados Unidos. E noto também que não está a recuar nos Estados Unidos por acaso, mas por prejuízo. É evidente que uma empresa pode e deve poder contratar ou promover livremente homossexuais, mulheres, negros, bielorussos ou quem quiser. O que não deve é fazê-lo por causa desses fatores, por causa disso. Não é que isso seja um problema para mim ou com certeza para ti, Ricardo, ou para a dona Deolinda que mora no terceiro esquerdo, mas porque é capaz de vir a ser um problema para a empresa. Isto não tem mesmo nada a ver com homofobia ou com misoginia ou racismo ou xenofobia. Tem a ver com bom senso, um bom senso tão básico e que devia ser tão nítido, tão claro, que até custa estar aqui, é embaraçoso estar aqui a falar disto. Vamos supor que uma determinada empresa contrata ou promove pessoas não pela sua competência nas funções em questão, mas apenas pelo fato de serem homossexuais ou mulheres ou negros ou bielorussos, ou qualquer outra característica inata, que não só não define em nada a pessoa que possui essa característica, como também não garante de maneira nenhuma que há habilite para desempenhar bem o trabalho para o qual foi contratada ou promovida. Desde logo, parece-me evidente que é negativo para a empresa em causa, que pode passar a ter ótima fama em matérias de inclusão e diversidade e equidade e tudo isso, mas terá em simultâneo o seu funcionamento afetado por assalariados que em vez de cumprirem em condições aquilo que lhes é pedido, o que era desejado, cumprem critérios identitários e pouco mais. Mas ao mesmo tempo, convém não esquecer, também é negativo para os funcionários da empresa que sendo homossexuais ou mulheres ou negros ou bielorussos, não foram contratados ou promovidos por causa de nenhum desses critérios, e sim por serem competentes no serviço. Continua a parecer-me inevitável que uma empresa que pratique essas políticas inclusivas está, mesmo sem querer, a lançar suspeitas, que são naturalmente injustas, sobre a capacidade desse segundo grupo de funcionários ou dessas outras pessoas, o que é aborrecido para elas e, em última instância, acabará também por prejudicar a empresa. Aquela coisa do "go woke, go broke" não é um simples slogan, não é um wishful thinking por parte da direita reacionária. Não, é uma recordação de que a produtividade da empresa, a qualidade dos seus produtos ou serviços e a confiança dos consumidores são realmente abaladas por estratégias que sendo fofinhas, são também obviamente discriminatórias e são acima de tudo desastrosas. E voltando à CNN, no outro dia vi a certas de uma entrevista debate ao doutor Ventura, até suponho que falei aqui sobre isso. Essa entrevista debate era moderada pelo tal senhor André Carvalho Ramos e devo dizer, mesmo para terminar, Ricardo, que não fiquei deslumbrado com a competência dele.

Obrigado, Alberto. Alberto Gonçalves, a desfazer ideias feitas ao final da tarde na Rádio Observador e regressas na próxima segunda-feira. Um abraço, Alberto.

Um abraço, Ricardo. Até segunda.

O Ideias Feitas conta com o apoio do azeite Talismã.